Para obterem vantagem competitiva, as empresas devem adaptar-se para sobreviver – e prosperar.
Como sabemos que o panorama empresarial está a mudar? Quando os líderes empresariais começam a fazer grandes perguntas de uma só vez. Nos últimos anos, os CEO e outros executivos de topo têm procurado a empresa de consultoria global McKinsey & Company com problemas cada vez mais complexos. Querem saber porque é que os talentos saem. Como é suposto acelerarem o crescimento minimizando a sua pegada de carbono. Como podem resolver problemas de pipeline para diversificar a sua equipa de liderança. E o que fazer sobre – e com – a IA.
«O número de perguntas que se referem a mudanças tectónicas na forma como as empresas se organizam e criam vantagens competitivas aumentou significativamente », afirma Patrick Simon, sócio sénior da McKinsey & Company.
Essas perguntas levaram a McKinsey a criar The State of Organizations 2023, um relatório que identifica as tendências mais importantes enfrentadas pelas organizações e oferece orientações para as empresas que desejam ficar à frente. «A taxa de mudança é tremenda», nota Patrick Simon. «E por isso, queríamos dar aos CEO uma bússola – uma forma de entenderem as mudanças que precisam de dominar para realmente ficarem no lado positivo dessa mudança.»
Tendências a observar
O relatório partilha perspectivas e análises de uma pesquisa pormenorizada com 2500 líderes empresariais e conversas abrangentes com executivos de topo globais. A McKinsey descobriu o que impulsiona as conversas nas salas de reuniões e o que preocupa os líderes. Também analisou as empresas que navegaram calmamente neste panorama operacional turbulento para identificar as lições que podem ser extraídas do seu sucesso.
A pesquisa da McKinsey revelou 10 tendências que irão moldar o contexto empresarial nos próximos anos. Várias delas giram em torno das pessoas, à medida que as organizações se adaptam às novas regras do apertado mercado de trabalho actual para atraírem e reterem os melhores talentos. Há um foco em novas tecnologias revolucionárias, como a IA, e um apelo para os líderes corporativos serem mais autoconscientes e inspiradores. Mas um tema constante é abordado em todo o relatório: a importância da resiliência.
«Quando olho para os líderes de empresas que são resilientes, eles acordam de manhã e pensam na mudança», explica Patrick Simon. «Pensam no que está a mudar no ambiente, no que está a mudar nos seus clientes, assim como no que está a mudar na concorrência. O radar está constantemente ligado e à procura de mudanças.»
Desenvolver o músculo da resiliência
Um ambiente operacional mais difícil levou muitas empresas a cortarem nas despesas. Mas as empresas resilientes não são as que cortam nos seus orçamentos. Em vez disso, tomam decisões mais inteligentes sobre como gastar o seu dinheiro. Isso inclui aumentar investimentos em áreas que realmente diferenciam os seus negócios, seja desenvolvendo novos produtos, ou priorizando o marketing que gera mais procura por parte dos consumidores. «Nos últimos anos, o nosso foco tem vindo a ser garantir que as nossas unidades de negócios têm a tecnologia, os recursos humanos digitais e analíticos, e os investimentos necessários para apoiarem a entrega aos nossos clientes », declara Cara Ang, directora de Recursos Humanos do grupo AIA, uma seguradora incluída no relatório da McKinsey & Company.
A eficiência também é uma característica de uma empresa resiliente. Actualmente, a inteligência artificial é uma forma poderosa de impulsionar os tipos de transformações digitais que podem aumentar drasticamente a produtividade e a eficiência. Patrick Simon salienta que os líderes de empresas resilientes tendem a fazer escolhas inteligentes sobre como – e quando – utilizar a IA. Estão a encontrar aplicações criativas para a IA para melhorar a gestão de talentos, a colaboração e as mudanças organizacionais baseadas em dados. Eles também são criteriosos sobre quando os investimentos em pessoas podem agregar mais valor à organização. Por exemplo, uma empresa pode optar por fazer um grande investimento em Recursos Humanos para garantir que os funcionários sentem que são bem tratados. «Para essa empresa, não há problema em investir numa organização de Recursos Humanos porque está alinhada com a estratégia de talento », afirma. «Trata-se de ter consciência de onde se quer diferenciar.»
Outra área em que as empresas precisam de investir tempo e recursos é a dos modelos de trabalho híbridos, que vieram para ficar. Isso faz com que as organizações tenham de descobrir a melhor forma de equilibrar o trabalho remoto e presencial para atender às necessidades dos funcionários e da organização como um todo. Para a GitLab, uma empresa de desenvolvimento de software que trabalha remotamente desde o início e que também aparece no relatório, gerir uma força de trabalho remota significou investir em práticas no local de trabalho que permitem às equipas de vários fusos horários colaborarem de forma harmoniosa e eficaz. Isso inclui a criação de um manual online facilmente pesquisável que permite aos colaboradores encontrarem facilmente respostas às suas perguntas sem terem de contactar colegas que possam estar offline. «Trabalhar remotamente é fácil», refere Sid Sijbrandij, co-fundador e CEO do GitLab. «O desafio é trabalhar de forma assíncrona. As organizações devem criar um sistema onde todos possam consumir informações e contribuir, independentemente do seu nível, função ou localização.»
A liderança é talvez o ingrediente mais importante na construção de uma organização resiliente. Para além de terem líderes que analisam constantemente o horizonte em busca de ameaças e oportunidades, as empresas resilientes têm executivos que estão alinhados com a visão da empresa. Além disso, esses líderes são hábeis em levar essa visão para a organização como um todo por meio de iniciativas de mudança. Para os líderes interessados em desenvolver esses músculos de resiliência, o lugar para começar é no topo.
«O que está em jogo é nada menos que a existência de uma organização», diz Patrick Simon. «Isto porque a qualidade da forma como uma organização é gerida nunca foi tão importante para a criação de vantagens competitivas.»
Por: Fastco Works, na Fast Company














