Como tirar partido do “aging” nas organizações

Human Resources
28 de Outubro 2024 | 11:00
Como tirar partido do “aging” nas organizações

Recentemente, têm-se intensificado os artigos, os eventos e os programas de formação focados no “Aging nas organizações”.

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Por Catarina Quintela, director of Corporate Solutions na Porto Business School

Com o aumento da expectativa de vida e a diminuição das taxas de natalidade em muitos países, as empresas precisam de encontrar formas de integrar, motivar e aproveitar o potencial dos colaboradores mais velhos. Trata-se de um desafio, de uma oportunidade e de uma necessidade.

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Um desafio porque implica mudar a visão sobre a força de trabalho e alterar práticas existentes. Uma oportunidade porque “obriga” as empresas e organizações a olharem para uma parte do talento, muitas vezes, negligenciado, e uma oportunidade, no sentido em que este talento fará parte da solução, numa era em que o número de oportunidades de trabalho é superior ao número de candidatos.

É inequívoco que o envelhecimento da população está a alterar a composição da força de trabalho, com uma maior proporção de trabalhadores acima dos 50 anos. As empresas precisam de ajustar as suas políticas e práticas para beneficiar da experiência e do conhecimento desses profissionais, enquanto se preparam para lidar com desafios como a diminuição da produtividade em funções fisicamente exigentes.

No entanto, o preconceito contra os colaboradores mais velhos, conhecido como idadismo, pode resultar em discriminação no recrutamento, na progressão ou no desenvolvimento de carreira. Combater esse estereótipo é fundamental para criar uma cultura inclusiva. Fala-se muito de preconceitos de género, raciais e culturais no trabalho – e cada uma destas questões é importante – e falamos menos do preconceito de idade, embora este talvez seja o mais frequente. Avaliamos frequentemente as pessoas com base na sua idade e isto está a tornar­­­­-se um grande desafio nos locais de trabalho.

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Vale a pena reforçar que a diversidade etária deve ser tratada como uma vantagem estratégica. Equipas multigeracionais combinam a inovação e a agilidade dos mais jovens com a experiência e a visão sistémica dos mais experientes. Estudos mostram que a diversidade de idades pode melhorar a tomada de decisão e aumentar o desempenho das equipas, das organizações e dos negócios.

Um dos benefícios de uma força de trabalho envelhecida é a retenção do conhecimento da organização. O desafio é garantir que esse conhecimento é partilhado com os mais jovens, evitando a sua perda quando esses trabalhadores se reformam. A perda deste conhecimento pode implicar mais custos de recrutamento e a formação dos novos colaboradores, com risco para a cultura organizacional e, muitas vezes, perda de negócio.

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Paralelamente, trabalhar até mais tarde pode ter efeitos psicológicos positivos nos colaboradores mais velhos, como o aumento da autoestima e a manutenção de um sentido de propósito, além de benefícios cognitivos, com impacto social, por se manterem mentalmente ativos.

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Então, que iniciativas podem ser adotadas para tirar partido de uma organização multigeracional?

  • Programas de mentoria para incentivar colaboradores mais velhos a atuar como mentores, promovendo a transferência de conhecimento e reforçando o valor da sua experiência.
  • Planos de transição para a reforma que ajudem nessa transição, através de um processo gradual e menos abrupto.
  • Formação e outras oportunidades de aprendizagem ao longo da vida, especialmente para adaptação às novas tecnologias.
  • Horários flexíveis ou trabalho a tempo parcial que podem permitir que os colaboradores permaneçam ativos.
  • Campanhas de sensibilização para os gestores e colaboradores, de modo a combater os estereótipos sobre a idade e a promover uma cultura inclusiva que valorize a contribuição de todos, independentemente da idade.
  • Avaliações de desempenho baseadas em competências e realizações.
  • Equipas diversificadas em termos de idade para aproveitar o melhor de cada faixa etária.
  • Redefinir funções para que os colaboradores mais velhos possam continuar a contribuir de forma significativa, por exemplo, movendo-os para papéis mais estratégicos ou consultivos.

Estes são alguns exemplos de iniciativas a ter em consideração para agarrar a oportunidade de trabalhar com equipa multigeracionais. As organizações que conseguirem criar uma experiência inclusiva, justa e significativa para os colaboradores mais velhos e para os mais jovens terão fortes probabilidades de se tornarem mais inovadoras, envolventes e lucrativas ao longo do tempo, e com forte impacto na sociedade em geral.

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