Compra, quando há sangue nas ruas. Mesmo que seja o teu.

A frase é atribuída ao Barão Rothschild, um nobre britânico do século XVII que construiu a sua fortuna comprando no pânico que se seguiu à Batalha de Waterloo.

Por Ricardo Ferreira, CEO da ACEDE – Empresa de Trabalho Temporário

A frase é muitas vezes interpretada como um exemplo da fome de lucro do capitalista que é cego ao sofrimento do seu semelhante.

Acontece que a frase está incompleta. A citação original terá sido “compra quando houver sangue nas ruas, mesmo que o sangue seja teu” e este final muda tudo. Porquê? Porque a frase na sua essência resume a ideia que quanto piores as coisas parecem estar, melhores são as oportunidades. Que devemos olhar para os momentos de maior dificuldade como momentos de superação.

A guerra na Ucrânia, repudiável e criminosa, veio trazer uma oportunidade única a Portugal. Temos a oportunidade de nos tornarmos a “entrada” da Europa, a plataforma logística de fornecimento de energia à Europa, temos o conhecimento e capacidade para criar as infraestruturas necessárias para nos tornarmos essa plataforma tao importante para a independência energética da Europa.

A nossa indústria precisa de ser capacitada para aproveitar as oportunidades, as empresas, principalmente de gestão familiar, têm de ultrapassar as suas dificuldades de mudança, de adaptação aos novos tempos e ultrapassar as consequentes debilidades financeiras. A aposta numa formação de recursos humanos especializados é premente, pois falta mão-de-obra técnica especializada suficiente para se dar resposta aos desafios e projectos que se aproximam.

Vivemos tempos em que a maioria das pessoas prefere a via da segurança e consensos confortáveis. Acontece que já Warren Buffet se todos concordarem com tua decisão de investimento, provavelmente não será uma boa decisão.

A oportunidade está aí. Podemos ficar na cauda da europa ou podemos ser a entrada para as energias, podemos continuar a exportar inteligência e os nosso melhores cérebros para outros mercados. Será mais arriscado apostar na mão-de-obra especializada, nas nossas infraestruturas logísticas e industrias pesadas, apostar em nos tornarmos uma porta de entrada para fontes energéticas e um exportador de produtos, mas há sangue nas ruas e sim também estamos a sangrar.

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