O presidente da CIP – Confederação Empresarial de Portugal defendeu hoje que as empresas precisam de medidas para minorar os custos de energia, manter o emprego e de carácter fiscal, alertando para o «enorme esforço de tesouraria» que têm feito.
Em declarações à Lusa, em antecipação das medidas que o Governo deverá anunciar em breve para as empresas, António Saraiva apelou desde logo a iniciativas «que minorem este enorme esforço de tesouraria que as empresas estão a suportar com os consumos energéticos».
O presidente da CIP reconheceu, no entanto, que isto deverá acontecer «no quadro do que a União [Europeia] venha a definir», indicando que tal pode acontecer «eventualmente com fundos próprios como aconteceu com a COVID-19, com a UE lançar a um fundo para que os países com menos possibilidades, como o nosso, atendendo à estrutura das nossas contas públicas, possam recorrer a esses fundos e disponibilizar financiamento as empresas para este alívio da factura energética».
Além disso, apelou, é preciso iniciativas «que evitem a dispensa de mão-de-obra porque as empresas não suportarão muito mais tempo esta redução que estão a ter de procura e estes enormes custos de produção». Para António Saraiva em cima da mesa poderia estar «um lay-off ajustado à necessidade das empresas e ou colocar as pessoas em formação profissional para que se evite a redução dos efectivos».
Por fim, o presidente da CIP reclamou uma redução da carga fiscal, apontando «medidas de caráter fiscal que no quadro do Orçamento do Estado e tendo o realismo da sustentabilidade das contas públicas, mas também este enorme excedente do Estado português», salientou, referindo que enquanto há países que já vão «no terceiro pacote de ajudas», como a Alemanha, «Portugal ainda está a desenhar o primeiro».
Para António Saraiva, o Governo poderia atuar em questões como tributações autónomas, IRC, ou diferimento de prejuízos.
O pacote de apoios às famílias que o Conselho de Ministros extraordinário aprovou na segunda-feira para mitigar o impacto do aumento do custo de vida no rendimento tem o valor global de 2.400 milhões de euros.
O custo total do plano este ano foi anunciado pelo primeiro-ministro, António Costa, em conferência de imprensa, após o Conselho de Ministros extraordinário, em Lisboa.
O primeiro-ministro indicou que os 2.400 milhões de euros adicionais somam-se aos 1.600 milhões de euros em apoios mobilizados até setembro.
«Ao todo, o plano do Governo para fazer face aos impactos da guerra e da subida dos preços já atinge 4000 milhões de euros», disse António Costa, dando nota de que os apoios específicos para as empresas serão avaliados e decididos «com muita brevidade», após a conclusão do Conselho de Energia da União Europeia, que terá lugar ainda esta semana.














