Confiaria na IA para decidir a sua carreira? Há cada vez mais pessoas a fazê-lo

Human Resources
28 de Agosto 2025 | 08:40

Desde que a IA generativa se instalou no dia-a-dia, são cada vez mais as pessoas que recorrem a chatbots para terapia, combater a solidão e isolamento, lidar com problemas de relacionamento e, naturalmente, para aconselhamento profissional.

 

Uma vez que a IA recolhe informação globalmente, torna-se uma ferramenta muito útil e muitos profissionais estão a usá-la para mapear as suas carreiras, revela a CNBC Make it.

Os utilizadores do Claude, o assistente de IA generativa da Anthropic, por exemplo estão a deixar de lado a ajuda directa para escrever currículos e a recorrer à plataforma para um planeamento estratégico a longo prazo.

Segundo uma análise da Anthropic de 4,5 milhões de conversas de Claude, quase 20% de todas as conversas focadas na carreira visam ajudar os utilizadores a criar um mapa de carreira personalizado. A IA pode ser especialmente útil para os jovens profissionais que estão a começar.

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Jeanie Thompson, de 23 anos, profissional de marketing em Boston, começou recentemente a explorar o Fide, uma aplicação de carreiras exclusiva para convidados, onde uma funcionalidade permite aos utilizadores perguntar a um agente de IA sobre temas como a preparação para uma entrevista de emprego ou como começar numa determinada área.

Além da aplicação, Jeanie Thompson também recorre a amigos e colegas para lidar com grandes questões de carreira, após ter «superado a vergonha de fazer perguntas».

«Acho muito importante utilizar os recursos à minha volta», como a expertise de colegas mais experientes.

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A IA é útil para lidar com trabalho administrativo e auxiliar na investigação, porém não substitui a ligação com os outros, diz Ruth Gotian, especialista em mentoria e desenvolvimento de liderança.

As orientações de um chatbot são «muito genéricas», diz Gotian, enquanto um mentor pode fornecer insights da sua experiência pessoal e possivelmente ligá-lo a outras oportunidades.

Já para não falar do apoio emocional que a IA não pode dar. «A mentoria tem dois papéis. Um deles é ajudar na orientação profissional — candidatar-se, falar com essa pessoa, etc., mas também serve para auxiliar no apoio psicossocial, incentivar, ser o ombro amigo, ajudar a elaborar um plano de acção caso não consiga exactamente o que procurava. A IA ainda não faz isso.»

A tecnologia de IA não promove o mesmo sentido de confiança e empatia que os humanos têm uns com os outros, acrescenta. Esta é uma das razões pelas quais algumas pessoas evitam utilizar chatbots para temas pessoais.

«Ainda não me sinto confortável para pedir conselhos sobre relacionamentos e terapia ao ChatGPT», diz Rai Tryna gestora de parcerias de 26 anos.

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Claro que isso não vai durar para sempre, uma vez que as plataformas de IA são continuamente alimentadas com novos dados todos os dias. «Acredito que, com o tempo, a IA tornar-se-á melhor a dar conselhos mais sólidos às pessoas», diz Rai.

Ziad Ahmed, especialista em marcas da Geração Z de 26 anos, acredita que a tecnologia de IA pode melhorar inúmeras áreas, como a medicina e indústria, contudo, está preocupado com a sua utilização ​​como substituto da ligação humana, incluindo no local de trabalho.

«As pessoas podem estar a recorrer à IA devido à falta de priorização de mentoria e formação presenciais que os locais de trabalho, a sociedade e os governos deveriam disponibilizar.»

Por enquanto, alguns utilizadores vêem a IA como um bom local para estimular a auto-reflexão.

No último ano, Michael Campbell, profissional de RH de 41 anos, utilizou o ChatGPT para fazer testes de personalidade e descobrir se está na área certa. «Toda a gente tem a sua ideia de uma carreira perfeita, e fiquei curioso: a minha ideia alinha-se com a minha personalidade?». Campbell diz que os testes de IA o ajudaram a perceber que é avesso ao risco e detesta o stress.

A IA ajuda-o a planear as suas opções de carreira: como é que um MBA poderia mudar a sua trajectória? Que cargos o colocariam no caminho certo para se tornar um dia um director de RH?

É útil ouvir sobre possíveis resultados com base em experiências ilimitadas online. «Mesmo que tivesse um amigo director de RH, podia contar-me a sua experiência, mas estaria sempre ancorada no seu conhecimento», diz Campbell.

Em última análise, Campbell vê as suas buscas de carreira em IA como uma melhoria na sua procura actual de emprego, e não como uma substituição para as pessoas da sua rede.

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