O estudo “The long game: How college rankings change over the career lifecycle”, publicado pelo Burning Glass Institute, mostra que uma universidade de prestígio ou o domínio de uma ferramenta técnica avançada garantem o primeiro emprego e, muitas vezes, um salário inicial acima da média. Mas, isso tem uma data de validade, alerta a Exame.
À medida que os anos passam, o mercado de trabalho muda o critério de avaliação dos profissionais, transferindo o peso das competências técnicas para a capacidade de liderar, negociar e gerir incertezas.
Após cinco ou seis anos de experiência, o diferencial competitivo passa a ser as habilidades adquiridas ao longo do tempo. Essa mudança é o que transforma as soft skills no verdadeiro motor de sustentabilidade financeira e progressão de carreira.
O momento de viragem
No início da trajectória profissional, o foco das organizações é maioritariamente operacional, posições júnior exigem competências técnicas tangíveis e quantificáveis.
É nesse cenário que os recém-licenciados costumam estar em vantagem. Porém, entre o quinto e o sexto ano de carreira, o teor do trabalho sofre uma mudança, ou seja, para avançar rumo a cargos de gestão, direcção e liderança executiva, o profissional precisa de passar da execução para a estratégia.
O dia-a-dia deixa de ser sobre entregar tarefas individuais e passa a ser sobre gerir pessoas, mediar conflitos e tomar decisões sob pressão.
Nessa fase, a dependência exclusiva das habilidades técnicas gera um tecto na evolução salarial. Sem inteligência emocional, comunicação assertiva e visão sistémica, o profissional estagna no nível técnico operacional.
O peso das soft skills
Ao contrário das ferramentas técnicas, que podem ser aprendidas com formação, o desenvolvimento das competências comportamentais exige prática contínua e exposição a cenários reais de negócios.
Uma das formas mais eficazes de acelerar essa aprendizagem é assumir voluntariamente projectos que estão em desenvolvimento, que exigem forte capacidade de articulação entre diferentes áreas.
Essa exposição força a melhoria da comunicação assertiva e testa a resiliência perante imprevistos. Além disso, a procura por mentorias com executivos mais experientes e a prática de dar e receber feedbacks estruturados ajudam a acelerar esse processo.
No actual cenário corporativo, a excelência técnica e a origem académica abrem as portas, mas são as competências humanas que determinam quem permanece e prospera na liderança das organizações.














