No primeiro semestre do ano foram criadas 20 926 novas empresas em Portugal, mais 14,4% do que no mesmo período do ano passado. Apesar de estarem ainda cerca de 25% abaixo dos números de 2019, antes da pandemia, estes valores mostram já alguma recuperação na actividade empreendedora. Os dados são mais recente do barómetro da Informa D&B.
O barómetro mostra que esta recuperação está a ser feita a velocidades diferentes conforme os sectores de actividade, apesar de quase todos registarem crescimento. Os sectores das Actividade imobiliárias, Agricultura e outros recursos naturais, Retalho e Tecnologias de informação e Comunicação registam crescimentos acima dos 30%.
No Retalho, o subsector do ‘têxtil e moda’ e a actividade de retalho online contribuem muito significativamente para o crescimento do sector. O sector onde foi criado o maior número de empresas em 2021 é o dos Serviços empresariais (3 615 empresas), com um crescimento de 20%.
Por outro lado, os sectores dos Grossistas, Indústrias e Alojamento e restauração mostram crescimentos mais modestos, na ordem dos 3%.
O sector dos Transportes mantém a queda que está a sofrer desde 2020. Fruto do subsector do ‘transporte ocasional de passageiros em veículos ligeiros’, este sector tem a maior queda (-36%) nas novas empresas face ao primeiro semestre de 2020.
O mesmo barómetro revela que as duas velocidades da recuperação no empreendedorismo são também visíveis a nível regional. Quase todos os distritos criaram mais empresas em 2021 do que no ano anterior, mas com crescimentos muito distintos. No continente, destacam-se os distritos de Leiria, Viana do Castelo e Santarém, com crescimentos superiores a 20%. Os maiores crescimentos são registados nas ilhas, com as Regiões Autónomas da Madeira (+ 237 empresas) e dos Açores (+ 57 empresas) a crescerem, respetivamente, 64% e 25%.
Os distritos de Lisboa e de Faro, que foram em 2020 onde mais recuou a criação de novas empresas, estão a recuperar de forma mais lenta que a maioria dos outros distritos, ambos com um crescimento de 9%.
O barómetro indica que a 30 de Junho de 2021 existiam cerca de 525 mil empresas e outras organizações activas em Portugal, mais 2,9% do que no início do ano. A tendência de crescimento do tecido empresarial já se verificava de forma consistente desde 2015, tendo sido interrompida em 2020.
No entanto, e além das novas empresas, para estes valores contribui também a redução dos encerramentos e insolvências que se verifica desde o início da pandemia, em resultado das diversas medidas criadas pelo Estado para apoiar as empresas.
No final do primeiro semestre de 2021 ambos os indicadores mantêm tendência de descida, com as novas insolvências a recuarem 11,3% e os encerramentos 2,5%.
As empresas dos sectores de actividade com grau de impacto mais alto são as que aumentam o número médio de dias de atraso nos pagamentos face às datas acordadas com os fornecedores. Alojamento e restauração é o sector que mostra um maior agravamento neste indicador, com 37 dias de atraso médio, mais 7 dias do que antes da pandemia. Na totalidade do tecido empresarial, o atraso médio é de 26,7 dias, um valor pouco superior ao que se verificava antes da pandemia (26,0).














