Consultora Savills revela que o investimento imobiliário comercial sofreu quebra de 66% no primeiro semestre de 2021

Margarida Lopes
30 de Julho 2021 | 08:45

A consultora imobiliária internacional Savills indica que, até Junho, o mercado de investimento imobiliário comercial em Portugal registou um montante total de 569 milhões de euros, o que representa uma quebra de 66% comparativamente ao mesmo período de 2020. No total, foram registadas 26 operações de investimento, número idêntico ao observado nos primeiros seis meses de 2020.

Contudo, de acordo com a consultora é muito importante olhar para o comportamento do mercado de investimento no decorrer deste primeiro semestre de uma forma isolada e observar a evolução positiva dos montantes de investimento à medida que o país avança, com sucesso e a bom ritmo, no plano de desconfinamento. No final do segundo trimestre do ano, o mercado de investimento imobiliário nacional somou um total de 348 milhões de euros, o que significa uma subida de 57% comparativamente ao primeiro trimestre de 2021.

Os investidores internacionais permaneceram activos no mercado de investimento português, tendo contribuído para mais de 80% das transações fechadas, com uma forte presença dos investidores europeus oriundos de França, Espanha e Reino Unido.

Os investidores nacionais continuam, igualmente, a contribuir para um aumento da sua quota de mercado, através de fundos de gestão de investimento e investidores privados que apostam na aquisição de escritórios e activos de retalho, especialmente comércio de rua.

Segundo a consultora, comparativamente ao primeiro semestre de 2020, no qual foram registadas três operações que totalizaram mais de 1,2 mil milhões de euros, ajudando a alavancar o fecho de um ano em pleno contexto pandémico, no primeiro semestre de 2021 foram registadas apenas duas operações acima dos 100 milhões de euros.

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De entre as principais transações fechadas nos primeiros seis meses de 2021, destaca-se a venda do Portfolio Navigator por 120 milhões de euros, a compra do Edifício Sede da WPP Portugal pela Tishman Speyer por 50 milhões de euros, a compra da Makro Alfragide pelo BPI por 40 milhões de euros e a compra do Edifício D. Manuel II no Porto, pela Incus Capital assessorada pela Savills Portugal.

No que diz respeito à distribuição do investimento imobiliário comercial por segmento, o mercado de escritórios manteve-se no foco da atenção dos investidores, com 41% do volume total transacionado no primeira semestre de 2021, particularmente direcionado para activos em localizações prime nas cidades de Lisboa e Porto.

Já o mercado do retalho continua a acusar os efeitos colaterais da crise pandémica e os resultados alcançados permitem observar uma maior cautela dos investidores face a este segmento.

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No primeiro semestre do ano, o mercado de retalho somou cerca de 85 milhões de euros de volume de investimento total, um valor substancialmente inferior à média dos últimos 5 primeiros semestres, situada nos 500 milhões de euros. As transações de Centros Comerciais dão agora lugar à venda de lojas de comércio de rua, com uma procura activa direccionadas para unidades alimentares, tendência alinhada com o cenário vivido noutros países europeus.

A grande tendência emergente é o aumento do interesse dos investidores pelo segmento residencial (PRS) e segmentos alternativos que somaram nos primeiros seis meses de 2021 um total de investimento de 190 milhões. No caso dos segmentos alternativos, que exerceram um peso de 21% no total dos 190 milhões de euros, é importante salvaguardar que parte do montante de investimento observado reporta a operações de forward-funding.

Como apontado nas últimas previsões da Savills Portugal, na segunda metade de 2021 deverá assistir-se à conclusão de algumas operações que irão elevar mais significativamente o volume total de investimento em 2021. À medida que todos os países players em Portugal vão avançando no seu plano de desconfinamento e as deslocações retomam o seu ritmo normal, também os processos de decisão deverão ser retomados com maior celeridade.

A procura por activos prime permanecerá com uma competição aguerrida face a uma maior escassez de produto, a par e passo com uma procura igualmente direccionada para produtos de promoção. Com alguns portfólios de peso na corrida, Portugal irá manter-se firme nos radares dos investidores internacionais, com os segmentos de escritórios, hospitality e de alternativos a captarem o interesse dos investidores. Já o segmento de industrial e logística, apesar do dinamismo observado no mercado ocupacional, continuará a ver o crescimento dos seus volumes de investimento travado por uma oferta ainda escassa.

Para o fecho do ano 2021, a Savills Portugal prevê um volume de investimento que poderá atingir os 2,8 mil milhões de euros, mas que está muito dependente da conclusão de uma operação-chave para o alcance deste resultado. Assumindo uma previsão mais conservadora e admitindo derrapagens, o ano 2021 poderá fechar nos 1,9 mil milhões de euros, sendo esperada uma recuperação dos níveis de actividade do mercado de investimento imobiliário nacional num ritmo mais acelerado e sólido no ano 2022.

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Alberto Henriques, Capital Markets Associate director da Savills Portugal, refere que «um excelente indicador de retoma do ritmo de actividade na segunda metade do ano, foi o arranque fortíssimo do terceiro trimestre de 2021, que à data do final do mês de Julho contabiliza já mais de 300 milhões de euros, com o sector de hospitality na liderança e tendo o potencial de se tornar o segmento com maior volume de transações em 2021».

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