Continua no mercado regulado de energia? Pode estar a perder muito dinheiro por mês

Cerca de 779 mil consumidores, equivalentes a 4,6% do consumo eléctrico nacional, continuam no mercado regulado e vão ter uma subida na eletricidade. O ComparaJá explica.

Human Resources com ComparaJá.pt
27 de Setembro 2026 | 10:00
Continua no mercado regulado de energia? Pode estar a perder muito dinheiro por mês

Fernando tem 58 anos, é operador de armazém numa empresa de distribuição do distrito do Porto e vive com a mulher numa casa que compraram há vinte anos. O contrato de electricidade está no nome dele desde 2006, sempre com o mesmo fornecedor, sempre no mercado regulado. Nunca comparou tarifários porque nunca lhe passou pela cabeça que houvesse alguma coisa para comparar. O perfil não corresponde a uma pessoa concreta, mas reúne uma situação que se repete entre os agregados que chegam ao ComparaJá.

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A partir de 1 de Outubro, a tarifa que Fernando paga sobe 0,005 euros por quilowatt-hora, por decisão da Entidade Reguladora dos Serviços Energéticos, o que corresponde a cerca de 2,7% na factura média. Com o consumo do casal, o aumento ronda um euro por mês. Fernando provavelmente não vai notar, e é precisamente por isso que este caso interessa a quem trabalha com literacia financeira em empresas.

O aumento não é o problema. O problema é a distância que existe antes dele, e que os dados de Setembro do ComparaJá permitem medir. Um agregado com 400 quilowatt-hora de consumo e 6,9 kVA de potência pagava 77,14 euros mensais no regulado contra 74,14 na oferta fixa mais económica do mercado livre. Com a subida de Outubro aplicada a esses valores, a diferença passa de três para cerca de cinco euros mensais, ou seja, 61 euros por ano. Num agregado numeroso, com 908 quilowatt-hora, aproxima-se dos 233 euros anuais.

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Fernando faz parte de um grupo com contornos conhecidos e com uma dimensão apreciável: cerca de 779 mil consumidores, equivalentes a 4,6% do consumo eléctrico nacional, continuam no mercado regulado. É, por construção, o universo de quem nunca mudou de comercializadora desde a liberalização. Não é um grupo definido por rendimento nem por região: é definido por nunca ter havido um momento em que alguém explicasse que havia uma decisão a tomar.

Segundo André Nunes, Energy Team leader do ComparaJá, este é o perfil mais difícil de alcançar e o que mais tem a ganhar. «Quem está no indexado e viu a factura disparar vem procurar alternativa, porque sentiu o problema», afirma. «Quem está no regulado há vinte anos nunca sentiu nada. A factura nunca deu um salto, subiu sempre um pouco de cada vez, e é essa suavidade que torna o assunto invisível.»

Para quem gere pessoas, há três consequências concretas nesta leitura. A primeira é que uma comunicação interna sobre poupança na energia desenhada para quem tem tarifa indexada não chega a este grupo, porque ele não se reconhece na descrição do problema. A segunda é que este é o grupo onde o retorno de uma única intervenção é mais duradouro, porque quem está no mesmo contrato desde 2006 não vai voltar a comparar sozinho durante a década seguinte. A terceira é etária: a antiguidade do contrato correlaciona-se com a antiguidade na empresa, o que significa que uma parte significativa destes trabalhadores está nas equipas há muitos anos.

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O que funciona, na prática, não é explicar mercados. É pedir uma coisa só: que cada pessoa olhe para a factura e verifique se, no campo do fornecedor, aparece a menção ao mercado regulado ou a uma comercializadora do mercado livre. Quem estiver no regulado sabe imediatamente que tem uma decisão em aberto. Os valores actualizados por escalão de consumo estão publicados na análise de mercado de energia do ComparaJá, e a comparação leva minutos a partir desse ponto.

O calendário também joga a favor de agir agora. O consumo doméstico sobe a partir de Outubro, com o aquecimento e menos horas de luz natural, e é sobre esse consumo maior que tanto a subida da tarifa como a diferença entre tarifários se vão aplicar.

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Fernando acabou por mudar, e a parte reveladora da história não é a poupança. É que, quando lhe explicaram o que era o mercado regulado, a reação foi perguntar desde quando é que isso existia. A resposta, no caso dele, era desde antes de ter assinado o contrato.

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