COO na Península Ibérica: 20 anos de experiência antes de assumir cargo

O perfil dos directores de operações (COO) na Península Ibérica regista um aumento significativo da experiência acumulada, atingindo cerca de 20 anos antes da nomeação, segundo um estudo da Oliver Wyman.

Tânia Reis
12 de Agosto 2026 | 10:40
COO na Península Ibérica: 20 anos de experiência antes de assumir cargo

Os directores de operações (COO) nas empresas da Península Ibérica apresentam actualmente cerca de 20 anos de experiência profissional antes de assumirem o cargo, um valor que mais do que duplica o registado antes de 2015, revela o estudo The New COO: From Efficiency Engineer to Business Orchestrator, da consultora Oliver Wyman.

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Este aumento é o mais expressivo entre os mercados europeus analisados, destacando a Península Ibérica em relação a países como Alemanha, França e Países Baixos. Além disso, contrariamente à tendência europeia, a proporção de directores de operações com experiência em diversos sectores de actividade aumentou na Península Ibérica, atingindo 94% no período mais recente, mais 10 pontos percentuais face a anos anteriores.

O estudo evidencia também que os directores de operações permanecem actualmente em média seis anos no cargo, face aos quatro anos registados antes de 2015, o que reflecte a crescente importância estratégica da função nas organizações europeias.

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Função em transformação e prioridades futuras

A função do COO evoluiu de um enfoque exclusivo na eficiência operacional para um papel de coordenação de ecossistemas empresariais complexos, que envolvem a digitalização, a inteligência artificial (IA), a sustentabilidade, a gestão do risco e a resiliência operacional.

A Oliver Wyman identifica três prioridades que moldarão a agenda dos directores de operações até 2030.

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A primeira prioridade é a construção de operações mais resilientes e digitais, através da adopção de tecnologias como a Internet das Coisas (IoT), a automatização e o desenvolvimento de cadeias de abastecimento robustas.

A segunda foca-se na integração da IA e da sustentabilidade nas operações, incluindo a aprendizagem automática nos processos produtivos, a optimização do consumo energético e a resposta a requisitos regulatórios relacionados com critérios ESG e gestão de dados.

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A terceira prioridade consiste na expansão de ecossistemas colaborativos, no desenvolvimento de novas capacidades organizacionais, na criação de cadeias de valor orientadas para a neutralidade carbónica e no reforço das competências das equipas. O estudo sublinha que estas prioridades coexistem e devem ser desenvolvidas em paralelo, reflectindo a complexidade crescente da função.

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Relativamente à experiência internacional, a Península Ibérica também apresenta uma evolução distinta. Enquanto em mercados como Alemanha, França e Países Baixos diminuiu a percentagem de directores de operações com experiência profissional em diferentes países, em Espanha e Portugal esta proporção aumentou ligeiramente, mantendo-se acima dos demais mercados analisados.

O estudo identifica dois percursos principais para os directores de operações na Europa: uma parte transita para funções de CEO, enquanto outra permanece em funções operacionais, aprofundando a especialização e assumindo responsabilidades crescentes na coordenação de operações e plataformas digitais.

Os dados indicam que a percentagem de COO que passam para funções equivalentes a CEO diminuiu de 24% antes de 2015 para 15% no período mais recente. Entre os que chegam a CEO, 75% fazem essa transição nos primeiros cinco anos no cargo.

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Um papel cada vez mais central na estratégia

Segundo a Oliver Wyman, a evolução da função demonstra que os directores de operações assumem actualmente um papel central na estratégia das organizações. Para responder a um contexto marcado pela transformação tecnológica, exigências de sustentabilidade, complexidade das cadeias de abastecimento e volatilidade geopolítica, estes executivos necessitam de combinar experiência operacional, conhecimento tecnológico e capacidade de coordenação entre diferentes áreas e parceiros.

O estudo conclui que os COO mais bem-sucedidos serão aqueles que conseguirem desenvolver um modelo integrado de operações, reforçar as capacidades das suas equipas e responder simultaneamente aos desafios da digitalização, da IA, da sustentabilidade e da resiliência operacional.

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