Os directores de operações (COO) nas empresas da Península Ibérica apresentam actualmente cerca de 20 anos de experiência profissional antes de assumirem o cargo, um valor que mais do que duplica o registado antes de 2015, revela o estudo The New COO: From Efficiency Engineer to Business Orchestrator, da consultora Oliver Wyman.
Este aumento é o mais expressivo entre os mercados europeus analisados, destacando a Península Ibérica em relação a países como Alemanha, França e Países Baixos. Além disso, contrariamente à tendência europeia, a proporção de directores de operações com experiência em diversos sectores de actividade aumentou na Península Ibérica, atingindo 94% no período mais recente, mais 10 pontos percentuais face a anos anteriores.
O estudo evidencia também que os directores de operações permanecem actualmente em média seis anos no cargo, face aos quatro anos registados antes de 2015, o que reflecte a crescente importância estratégica da função nas organizações europeias.
Função em transformação e prioridades futuras
A função do COO evoluiu de um enfoque exclusivo na eficiência operacional para um papel de coordenação de ecossistemas empresariais complexos, que envolvem a digitalização, a inteligência artificial (IA), a sustentabilidade, a gestão do risco e a resiliência operacional.
A Oliver Wyman identifica três prioridades que moldarão a agenda dos directores de operações até 2030.
A primeira prioridade é a construção de operações mais resilientes e digitais, através da adopção de tecnologias como a Internet das Coisas (IoT), a automatização e o desenvolvimento de cadeias de abastecimento robustas.
A segunda foca-se na integração da IA e da sustentabilidade nas operações, incluindo a aprendizagem automática nos processos produtivos, a optimização do consumo energético e a resposta a requisitos regulatórios relacionados com critérios ESG e gestão de dados.
A terceira prioridade consiste na expansão de ecossistemas colaborativos, no desenvolvimento de novas capacidades organizacionais, na criação de cadeias de valor orientadas para a neutralidade carbónica e no reforço das competências das equipas. O estudo sublinha que estas prioridades coexistem e devem ser desenvolvidas em paralelo, reflectindo a complexidade crescente da função.
Relativamente à experiência internacional, a Península Ibérica também apresenta uma evolução distinta. Enquanto em mercados como Alemanha, França e Países Baixos diminuiu a percentagem de directores de operações com experiência profissional em diferentes países, em Espanha e Portugal esta proporção aumentou ligeiramente, mantendo-se acima dos demais mercados analisados.
O estudo identifica dois percursos principais para os directores de operações na Europa: uma parte transita para funções de CEO, enquanto outra permanece em funções operacionais, aprofundando a especialização e assumindo responsabilidades crescentes na coordenação de operações e plataformas digitais.
Os dados indicam que a percentagem de COO que passam para funções equivalentes a CEO diminuiu de 24% antes de 2015 para 15% no período mais recente. Entre os que chegam a CEO, 75% fazem essa transição nos primeiros cinco anos no cargo.
Um papel cada vez mais central na estratégia
Segundo a Oliver Wyman, a evolução da função demonstra que os directores de operações assumem actualmente um papel central na estratégia das organizações. Para responder a um contexto marcado pela transformação tecnológica, exigências de sustentabilidade, complexidade das cadeias de abastecimento e volatilidade geopolítica, estes executivos necessitam de combinar experiência operacional, conhecimento tecnológico e capacidade de coordenação entre diferentes áreas e parceiros.
O estudo conclui que os COO mais bem-sucedidos serão aqueles que conseguirem desenvolver um modelo integrado de operações, reforçar as capacidades das suas equipas e responder simultaneamente aos desafios da digitalização, da IA, da sustentabilidade e da resiliência operacional.
















