COVID-19. A maioria dos profissionais de saúde apresenta sinais de ‘burnout’ e stress

Margarida Lopes
2 de Junho 2020 | 14:30
COVID-19. A maioria dos profissionais de saúde apresenta sinais de ‘burnout’ e stress

Um estudo desenvolvido por investigadores da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto (FMUP) concluiu que, durante o combate à COVID-19, mais de metade dos profissionais de saúde apresentaram sinais de burnout, stress e ansiedade, avança a Lusa.

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Em comunicado, a FMUP adianta que o estudo, também desenvolvido por investigadores do CINTESIS e da Escola Superior de Educação do Politécnico do Porto (ESE.P.Porto), mostrou que 52% dos profissionais de saúde referem estar em burnout por causa do trabalho que desenvolvem.

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«Os profissionais que estão na linha da frente do combate são os mais afectados, evidenciando sinais significativamente mais elevados não só de burnout, mas também de stress e de ansiedade», refere a FMUP, adiantando que estes são “resultados preliminares”.

O estudo, intitulado «Impacto da COVID-19-19: o papel da resiliência na depressão, na ansiedade e no burnout em profissionais de saúde», conclui ainda, com base num questionário online, que 51% dos profissionais de saúde estão «em exaustão física ou psicológica» e que 35% «apresentam mesmo elevados níveis de exaustão».

Citadas no comunicado, Inove Duarte e Carla Serrão, investigadoras da FMUP e da ESE.P.Porto, respectivamente, afirmam que os resultados mostram que a covid-19 «resultou na exacerbação de problemas ao nível da saúde mental, com particular impacto emocional e físico nos profissionais de saúde que se encontram na linha da frente».

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Segundo as investigadoras, a exposição dos profissionais a «exigências sem precedentes», como a mortalidade elevada, o racionamento de equipamentos de protecção individual, a pressão, o medo de contágio e dilemas éticos, são algumas das razões apontadas para esta exaustão dos profissionais de saúde.

No entanto, apesar da exaustão física e psicológica, cerca de 80% dos profissionais «consideram-se capazes de enfrentar situações difíceis e potencialmente stressantes».

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O questionário, realizado entre o dia 9 e 18 de Maio, contou com a participação de 1500 profissionais de saúde, entre os quais médicos, enfermeiros, fisioterapeutas, nutricionistas, psicólogos, farmacêuticos e técnicos de diagnóstico.

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Dos 1500 inquiridos, 28% trabalham directamente com pessoas infectadas com a COVID-19, 23% já fizeram o teste à infecção e 75% consideram ter os equipamentos de protecção individual necessários para o desempenho das suas funções.

Segundo a FMUP, o grupo de investigadores vai agora debruçar-se sobre as características que poderão interferir nas «diferenças registadas ao nível da saúde mental dos profissionais que se encontram na linha da frente contra a COVID-19» e dos que não estão directamente envolvidos.

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