COVID-19. Empresas de maior crescimento são mais prejudicadas na pandemia

Human Resources
21 de Dezembro 2020 | 09:37

As restrições trazidas pela pandemia produziram, pelo menos num primeiro momento, um impacto maior naquelas que são as empresas de maior crescimento, e que, por isso, têm o potencial de determinar efeitos mais negativos na produtividade nacional. O efeito foi transversal aos vários sectores de actividade, com perto de metade das empresas de alto crescimento a sofrerem as perdas mais acentuadas, segundo um estudo do Banco de Portugal (BdP) divulgado pelo Dinheiro Vivo.

 

De acordo com a publicação, os dados analisam as quebras reportadas pelas empresas em inquéritos conduzidos de Abril a Junho, cruzadas com a história recente de crescimento das empresas, entre os anos de 2016 e 2018, para um universo de sete mil negócios. A análise permite sondar como o efeito da pandemia nas empresas se traduzirá no tecido empresarial e no PIB.

«Será que a pandemia teve um impacto diferenciado nas empresas de alto crescimento de uma forma que possivelmente prejudicará o crescimento e a realocação de recursos, ou será que está a reforçá-los?», questiona o estudo publicado no último Boletim Económico da instituição. Ou seja, trata de saber se o país corre maior risco de ver a crise arrastar consigo os negócios mais fortes ou vulneráveis.

O Dinheiro Vivo revela que as conclusões trazem boas e más notícias. Os mais fortes são à partida os que sofrem mais, mas tendem a recuperar melhor passadas as restrições à actividade.

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Segundo a análise, em média, as empresas mais dinâmicas da economia tiveram uma propensão maior em 3,4 pontos percentuais do que as restantes para sofrerem perdas durante o estado de emergência de Abril; além disso, os negócios de alto crescimento também tiveram, em maior proporção, as perdas mais acentuadas. Quase metade sofreu perdas iguais ou superiores a 50%, e teve igualmente a expressão mais reduzida de negócios sem mudanças na facturação em Abril. Foram apenas 12%, contra 15% entre as empresas de menor crescimento, que resistiram melhor, por comparação.

A publicação avança que tendência é transversal aos vários sectores, mas «o choque para empresas de elevado crescimento é relativamente mais alto nos sectores da indústria transformadora, construção, alojamento e restauração, informação e comunicação, actividades imobiliárias e actividades de consultoria, científicas e técnicas», aponta o estudo.

Por outro lado, o BdP analisa ainda os efeitos nas empresas de alto crescimento por idade e nível de endividamento – dois indicadores potenciais de inovação e dinamismo -, com o diagnóstico a confirmar-se no cruzamento desses factores: foram as empresas de maior crescimento e mais jovens (52% destas) e com maior crescimento conjugado com maior alavancagem (54%) também aquelas onde as maiores perdas de actividade se sentiram.

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Mas, passado o confinamento, a partir de Maio, estas foram as empresas que mais recuperaram relativamente ao ponto em que afundaram. Em Junho e Julho, 40% das empresas com os crescimentos mais elevados não reportavam quebras de faturação (face aos 12% de Abril), com a percentagem a ficar em 37% nas empresas com os mais baixos crescimentos (15% em Abril). Ainda assim, as empresas de alto crescimento que registavam quebras no início do verão mantinham maior peso entre as quebras mais elevadas.

O estudo reflete ainda o que foi o uso dos apoios à economia em termos comparados, distinguindo uma vez mais as empresas com históricos de crescimentos mais altos e mais baixos. Na análise, foram os negócios de alto crescimento que mais se socorreram das linhas de crédito garantidas pelo Estado e das moratórias bancárias, que suspendem os pagamentos de capital e juros até setembro de 2021. Tiveram também maior tendência de recurso ao lay-off simplificado, não se verificando, por outro lado, maior recurso ao adiamento de obrigações fiscais.

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