COVID-19. Restauração prevê mais de 100.000 despedimentos no primeiro trimestre

Human Resources com Lusa
13 de Janeiro 2021 | 08:30

A PRO.VAR – Promover e Inovar a Restauração Nacional avisou hoje que os despedimentos no sector podem ultrapassar os 100.000, no primeiro trimestre deste ano, segundo um inquérito realizado a empresários da restauração, com especial incidência nos restaurantes.

 

«Os empresários da restauração, com especial incidência nos restaurantes, afirmam que terão de despedir entre três a quatro trabalhadores por estabelecimento, o que se prevê que os despedimentos ultrapassem os 100.000 trabalhadores neste primeiro trimestre», alertou a associação, com base nos resultados de um inquérito realizado entre os dias 4 e 10 de Janeiro, com respostas válidas de 542 estabelecimentos de restauração, aos quais perguntou se «com as mesmas perdas e sem apoios, vai ter de despedir?».

Face à iminência de um novo confinamento geral, semelhante ao da primavera e que prevê o encerramento dos estabelecimentos de restauração, a PRO.VAR lembrou que o sector «está exausto» após «dez meses de restrições severas acompanhadas de apoios insuficientes».

A associação alertou também para as novas consequências de um segundo confinamento, uma vez que «o sector está sem saúde financeira e mental, e, portanto, sem liquidez e com stress acumulado».

Continue a ler após a publicidade

Segundo aquela associação, a maioria das empresas da restauração consideram que a modalidade de take-away «não é solução», já que ficam apenas com as cozinhas a funcionar, com menos trabalhadores, mas com mais custos, preferindo, então, encerrar totalmente.

Neste sentido, a PRO.VAR pede ao Governo que apoie as empresas do sector «com carácter imediato» e propõe a «criação de um APOIAR 2.0, para o último trimestre de 2020, atribuindo um apoio de 280 milhões de euros (apoio a fundo perdido dos custos fixos, com idêntica base de cálculo, 20% das perdas que se estimam serem de 1,4 mil milhões de euros, resultado de 70% de perda homóloga no valor de dois mil milhões de euros), dividido por escalões que contemplem tetos diferentes para perdas superiores a 25% e 40%».

Caso o Governo não injecte liquidez adequada e imediata nas empresas, prosseguiu, «cerca de um terço das empresas do sector da restauração que já se encontram em incumprimento com o Estado, trabalhadores e fornecedores, colocam a hipótese de não reabrir» depois de um novo confinamento.

Continue a ler após a publicidade

A PRO-VAR estima, ainda, que, em relação aos incumprimentos, «a situação fique descontrolada, pois mais de dois terços (70,1%) das empresas dizem não estar em condições de cumprir com obrigações futuras».

«O enfraquecimento e desaparecimento de milhares de microempresas deixarão marcas profundas, estaremos à beira do fim de um sector tal como o conhecemos, correndo sérios riscos de perdermos competitividade e influência para os mais directos concorrentes, deixando de estar no radar dos principais destinos turísticos mundiais», acrescentou.

O primeiro-ministro, António Costa, afirmou hoje que há um grande consenso para que as medidas de confinamento geral a decretar tenham um horizonte de um mês e que Portugal regista uma dinâmica de «fortíssimo crescimento» de casos de COVID-19.

Perante os jornalistas, no final de mais uma reunião destinada a analisar a evolução da situação epidemiológica em Portugal, no Infarmed, em Lisboa, o primeiro-ministro considerou que se revelaram insuficientes as medidas de confinamento ao fim de semana até agora adoptadas, mas que «permitiram controlar a segunda vaga».

«Neste momento, temos de ir mais além», acrescentou António Costa.

Continue a ler após a publicidade
Partilhar


Mais Notícias