Segundo a mais recente análise de mercado de crédito habitação, de Maio do ComparaJá com dados relativos a Abril, os jovens pagam, em média, mais 102 euros por mês do que os clientes com mais de 35 anos, assumem um custo total do crédito superior em cerca de 110 mil euros e entram no processo de compra com menos capital próprio.
De acordo com a análise, a prestação média dos consumidores com menos de 35 anos atingiu os 817 euros em Abril, enquanto nos clientes com mais de 35 anos ficou nos 715 euros. A diferença evidencia uma pressão financeira mais acentuada sobre os compradores mais jovens, num mercado em que o acesso à habitação continua condicionado pelos preços elevados e pela necessidade crescente de financiamento bancário.
A distância entre gerações é ainda mais expressiva no MTIC, Montante Total Imputado ao Consumidor, indicador que representa o custo total do crédito ao longo do contrato. Entre os consumidores com menos de 35 anos, o MTIC médio chegou aos 362.878 euros em Abril. Já entre os clientes com mais de 35 anos ficou nos 252.845 euros. A diferença entre os dois grupos é de 110.033 euros.
Também no capital próprio inicial se verifica uma assimetria relevante. Segundo o relatório, os jovens entraram, em média, com 32.574 euros, enquanto os consumidores com mais de 35 anos apresentaram uma entrada média de 56.565 euros. Ou seja, quem tem menos de 35 anos entra no crédito habitação com cerca de 42% menos capital próprio, ficando mais dependente do financiamento bancário para conseguir comprar casa.
Esta diferença ajuda a explicar a existência de dois perfis distintos no mercado: por um lado, compradores mais velhos, com maior capacidade de entrada e menor custo total do crédito; por outro, consumidores mais jovens, que chegam à compra de habitação com menos poupança acumulada e acabam por suportar encargos mais elevados ao longo do empréstimo.
«A EURIBOR a seis meses reforçou-se como principal referência dos novos contratos, a taxa fixa ganhou expressão e o montante médio financiado ultrapassou os 200 mil euros. Ao mesmo tempo, vemos consumidores mais ativos na compra de habitação, mas também mais pressionados pelo custo total do crédito», afirma Rita Sogalho, Team Leader de Crédito Habitação do ComparaJá.
O relatório mostra ainda que o montante médio financiado no crédito habitação ultrapassou os 200 mil euros em Abril, atingindo os 203.395 euros. Para Rita Sogalho, este contexto torna a comparação de propostas particularmente relevante. «Num mercado cada vez mais exigente, comparar condições continua a ser essencial para evitar pagar mais do que o necessário ao longo do empréstimo», sublinha.














