A Cruz Vermelha Portuguesa (CVP) e a Zurich Portugal deram início ao Programa de Resiliência Climática Urbana em Portugal, uma iniciativa financiada pela Z Zurich Foundation que visa preparar mais de 100 mil pessoas para enfrentar ondas de calor e incêndios. O projecto, que decorrerá entre 2026 e 2029, começa com planos de acção nas regiões de Lisboa e Braga, focando-se especialmente nas populações mais vulneráveis, como idosos, pessoas com doenças crónicas, migrantes e famílias com baixos rendimentos.
Portugal é um dos países europeus mais afectados por incêndios, com temporadas cada vez mais longas e severas, sobretudo na região mediterrânica. Além disso, tem registado um aumento significativo da frequência e intensidade das ondas de calor, que têm consequências directas na saúde pública e no bem-estar social.
Segundo dados da Zurich, em 2022 estes fenómenos climáticos extremos foram responsáveis por cerca de 2.200 mortes em Portugal, enquanto o impacto económico acumulado desde 1980 ultrapassa os 13,4 mil milhões de euros.
O programa adopta uma estratégia centrada nas comunidades, baseada numa abordagem tripla: sensibilizar e informar as populações sobre os riscos; facilitar o acesso a formação, ferramentas de preparação, exercícios de simulação e soluções locais, incluindo técnicas de primeiros socorros e planos familiares de emergência; e reforçar a coordenação entre os sistemas locais de alerta, as comunidades e os Serviços Municipais de Protecção Civil, para garantir respostas mais rápidas, articuladas e inclusivas.
A iniciativa será implementada pela Cruz Vermelha Portuguesa, contando com um envolvimento significativo de voluntários, e é gerida em conjunto pela Zurich Portugal e pela CVP.
«Os riscos climáticos, como o calor extremo e os incêndios rurais, estão a exercer uma pressão crescente sobre as pessoas e comunidades menos protegidas. Através do Urban Climate Resilience Program, estamos a trabalhar com a Zurich Portugal, a Cruz Vermelha Portuguesa, as autoridades locais e as comunidades para reforçar a resiliência e desenvolver soluções que possam ser impulsionadas e apropriadas pelas próprias populações», revela Charlotte Stemmer, head of Adapting to Climate Change da Z Zurich Foundation.
Já António Saraiva, presidente da Cruz Vermelha Portuguesa, partilha: «Os riscos climáticos são cada vez mais frequentes e intensos, exigindo uma resposta que comece muito antes da emergência. As instituições podem ter um papel importante na criação de condições para que as comunidades possam antecipar riscos, preparar-se e construir as suas próprias respostas. Esse trabalho só é possível através da colaboração entre comunidades, autoridades locais, organizações e outros parceiros do território, aproximando recursos, facilitando processos e valorizando o conhecimento e as capacidades já existentes. É assim que reduzimos vulnerabilidades e protegemos melhor as pessoas.»
«Na Zurich Portugal, sabemos que enfrentar a crise climática exige alianças fortes e acção concreta. Esta colaboração com a Cruz Vermelha Portuguesa e a Z Zurich Foundation permite colocar a prevenção, a adaptação e a cooperação no centro da resposta. Construir verdadeira resiliência significa combinar o nosso conhecimento em gestão de risco com a experiência humanitária e a proximidade às comunidades. Só trabalhando em conjunto – empresas, organizações humanitárias, autoridades locais e comunidades – conseguiremos proteger vidas e ajudar os territórios a responder a ameaças climáticas cada vez mais presentes», conclui Helene Westerlind, CEO da Zurich Portugal.
A visão a longo prazo do programa é desenvolver um modelo de adaptação e resiliência climática que possa ser ajustado e replicado noutros territórios, promovendo uma cultura nacional de prevenção, preparação e acção antecipada.














