Cuidar é o novo KPI. Mais do que recursos, relações.

Human Resources
1 de Agosto 2025 | 10:59
Cuidar é o novo KPI. Mais do que recursos, relações.

Por Sofia de Castro Fernandes, membro do Comité Prémio Cinco Estrelas

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Durante décadas, contámos pessoas como se fossem números. Medimos horas de entrada, dias de ausência, custos por contratação. Os Recursos Humanos eram isso mesmo — recursos. Contabilizados, geridos, optimizados. Como se a produtividade resultasse do controlo. Como se o valor humano fosse tangível.

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Há bem pouco tempo, os KPI olhavam para as pessoas como peças de uma engrenagem: são úteis, são necessárias, são substituíveis e o sucesso da equipa media-se por quão pouco faltava, por quão barato era contratar ou por quão rápido alguém preenchia uma vaga. Felizmente, o mundo muda. E com ele, mudamos todos também.

A tecnologia acelerou, a informação democratizou-se e o trabalho deixou de ser só a fonte de sustento. Dessa forma, passou a querer ser o sentido. Entraram em cena novas gerações, com novas perguntas: “Porque é que faço isto? Para quê? Que impacto tem aquilo que faço? Identifico-me com isso? E as organizações forçaram-se a escutar.

Hoje, já não chega medir quantas pessoas saem. É mais relevante perceber por que saem. Hoje, já não chega saber se alguém está presente. É mais relevante saber se está bem. Hoje, já não basta medir performance. É mais relevante medir o propósito, sentido da pertença e a empatia.

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São formas mais humanas de olhar para quem trabalha connosco. É a saúde mental, a inclusão emocional, a confiança, o sentido. É tentar medir o que antes não se media.
É esse progresso que queremos sentir nas organizações das quais fazemos parte.

Nos próximos anos, vamos medir a agilidade de aprender, a capacidade de criar em conjunto com inteligência artificial, o impacto da liderança empática. Vamos querer saber quantos colaboradores se sentem psicologicamente seguros. Quantos sentem que têm voz. Quantos vestem a camisola e quantos sentem orgulho no papel que têm na sua organização.

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Agora, fazemos parte desta mudança, somos nós que chegámos ao lugar em que as mudanças são decididas e, nesta área específica das pessoas, é tempo de mudar a própria palavra “gestão”, para passar a ser valorização. Mudar do controlo para a confiança. É uma nova forma de olhar. Um olhar que mede, sim, mas com o coração.

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