Na sua terceira edição, o objectivo é dar às empresas informação útil para definirem políticas de benefícios mais sustentáveis e alinhadas com as necessidades das suas equipas.
Embora represente uma desaceleração face ao aumento registado em 2025 (+10,3%), a subida continua acima da inflação geral. Confirma-se que os seguros de saúde permanecem sob forte pressão e exigem que as empresas «encarem este tema como uma variável estratégica na gestão dos seus custos com recursos humanos», defende a Coverflex.
O estudo baseia-se nas respostas ponderadas de seguradoras que representam 77,4% do mercado português de seguros de saúde empresariais. As seguradoras foram questionadas sobre o grau de impacto de oito factores no aumento dos custos de 2026. As respostas foram convertidas numa escala de um a cinco e ponderadas pela quota de mercado de cada seguradora para obter uma pontuação composta.
Pontuação de impacto ponderado por quota de mercado (escala 1–5).
Inflação médica e pressão dos grupos hospitalares: Lideram o ranking com pontuação ponderada de 4,5/5, classificados com impacto máximo pela maioria das seguradoras participantes. A concentração do sector hospitalar privado em grandes grupos como CUF, Luz Saúde, Lusíadas, dá-lhes crescente poder negocial junto das seguradoras. Os preços de consultas, exames complementares de diagnóstico, tratamentos especializados e dispositivos médicos continuam a subir acima da inflação geral.
Novas tecnologias médicas: Destaca-se nesta edição com pontuação de 4,1/5 – a crescente incorporação de diagnósticos e tratamentos de alto custo nas apólices traduz-se directamente em sinistralidade mais elevada: inovadoras e eficazes, mas também dispendiosas.
Dificuldades no SNS: Avaliado com impacto “elevado” pela totalidade das seguradoras participantes (4,0/5), o setor privado continua a absorver procura que o Serviço Nacional de Saúde não consegue satisfazer em tempo útil. Esta transferência estrutural não mostra sinais de inversão.
Doenças crónicas e aumento da utilização: Com pontuações de 3,3 e 2,7 respectivamente, reflectem uma população segurada que recorre mais frequentemente aos serviços de saúde.
A prevalência crescente de patologias crónicas aumenta a necessidade de cuidados continuados e de acompanhamento especializado, com impacto na sinistralidade de médio prazo.
Envelhecimento da população e saúde mental: Apresentam impacto mais moderado nesta edição (2,5 e 2,3 respectivamente). Ainda assim, a saúde mental continua a crescer como cobertura estratégica: a procura por apoio psicológico e psiquiátrico mantém a trajectória ascendente iniciada no período pós-COVID.
Tendências e desafios na gestão dos seguros de saúde
As seguradoras foram também questionadas sobre as tendências com maior impacto no futuro do sector e sobre as medidas que estão a adoptar para controlar a evolução dos custos.
Digitalização, telemedicina e inteligência artificial: Citadas pela totalidade das seguradoras participantes (100% do mercado representado), são as tendências mais consensuais do sector. A análise avançada de dados permite uma gestão da sinistralidade quase em tempo real, identificando padrões de utilização e prestadores com custos acima da média. A telemedicina e a triagem clínica online reduzem custos e melhoram a experiência do utilizador.
Prevenção e bem-estar: Citada por 79% do mercado representado, tanto como tendência futura como medida ativa de controlo de custos. A integração de rastreios, nutrição, actividade física e apoio psicológico como componentes preventivos visa reduzir a incidência de sinistros a médio e longo prazo.
Perspectiva para os próximos dois–três anos: A maioria do mercado representado (74%) antecipa aumentos moderados (5–10% ao ano). Os restantes 26% antecipam aumentos acelerados (acima de 10% ao ano). O consenso aponta para uma continuação da trajectória ascendente, sem sinais de estabilização a curto prazo.
Medidas de controlo de custos adoptadas pelas seguradoras: O uso de dados e analytics foi a única medida citada pela totalidade das seguradoras participantes. As restantes foram adotadas de forma diferenciada, como mostra o gráfico abaixo.
Analisando o impacto destes dados para as empresas, um aumento de +6,3% é mais suave do que em 2025, mas exige igualmente uma abordagem estratégica, uma vez que este benefício cresce bem acima da inflação geral e do aumento salarial. O seguro de saúde continua a ser o benefício mais valorizado pelas equipas. Cortes significativos têm impacto directo no engagement, na retenção e no employer branding. A gestão passiva deste custo deixou de ser uma opção sustentável.
Os dados foram recolhidos através de questionário ponderado pela quota de mercado de cada participante. A análise foi feita com base nos dados recolhidos e na experiência da empresa com mais de 13 mil empresas e 250 mil colaboradores em Portugal.













