Da assistência à autonomia: como os agentes de IA estão a redefinir as operações

Opinião de João Soares, Senior manager na área de Projectos e aplicações da Minsait em Portugal, Indra Group

Human Resources
8 de Junho 2026 | 11:00

Por João Soares, Senior manager na área de Projectos e aplicações da Minsait em Portugal, Indra Group

 

Quando a Inteligência Artificial (IA) Generativa chegou, foi rapidamente vista como uma ferramenta para aumentar a produtividade. Hoje essa visão já não é suficiente, nem tão simples.

No último ano, com a adopção generalizada de ferramentas como o Copilot, Gemini, ChatGPT e outros, assistimos a uma mudança estrutural no local de trabalho. A IA deixou de ser apenas um apoio à execução e passou a fazer parte activa e recorrente das tarefas diárias. Agora, não só estamos a trabalhar mais rápido, como estamos a trabalhar de forma diferente.

As ferramentas de IA começaram por ser vistas como um acelerador individual, sobretudo no desenvolvimento de software, mas rapidamente se tornou claro que o seu verdadeiro impacto não está na eficiência isolada, mas na forma como altera o modelo operativo das equipas e das organizações.

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A primeira grande mudança tem sido evidente. Desde tarefas repetitivas e de baixo valor, da escrita de código à documentação, análise de dados ou preparação de propostas são tudo tarefas hoje executadas com o apoio directo de IA. O resultado não é apenas mais velocidade, mas também maior consistência e redução de erro.

Mas o impacto mais relevante vai além disso. O que estamos a observar é a evolução de um modelo baseado em execução humana, para um modelo de colaboração entre pessoas e inteligência artificial. Este novo paradigma está a encurtar drasticamente os ciclos de entrega, com ideias que, antes, demoravam semanas a materializar, e que podem agora ser prototipadas em apenas algumas horas. Esta nova realidade muda a forma como inovamos,  existindo menos planeamento rígido, mais experimentação rápida e mais aprendizagem contínua.

Ao mesmo tempo, começa a emergir uma nova fronteira que é a das operações autónomas. Com a combinação de agentes de IA, automação e sistemas de monitorização, já é possível evoluir de operações reactivas para modelos preditivos e, em alguns casos, para sistemas que conseguem sugerir ou executar acções de forma autónoma. Estamos a dar os primeiros passos para operações que se auto-ajustam, reduzem incidentes e garantem níveis de serviço com menor intervenção humana.

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Assim, temos também de repensar as equipas. O valor deixa de estar na execução manual e passa para a capacidade de orientar a inteligência artificial, pelo que o foco é saber formular problemas, validar resultados e tomar decisões. Perfis híbridos, com visão de negócio e capacidade técnica, tornam-se centrais neste novo modelo.

Naturalmente, esta transformação não é apenas tecnológica, exige mudança cultural, novas competências e um modelo de governança robusto, que garanta utilização responsável, qualidade e controlo sobre os resultados produzidos pela IA. As organizações que utilizam ferramentas de IA Generativa apenas como apoio individual, estão a capturar uma parte muito limitada do seu potencial. As que o integram de forma estruturada nos seus processos, estão a redesenhar a forma como trabalham.

Estamos a entrar numa nova fase, em que a inteligência artificial já deixou de ser um assistente e passou a ser parte integrante da operação e da equipa. Agora, o que está em causa não é apenas fazer o mesmo mais rápido, mas fazer diferente.

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