Num contexto marcado pela reestruturação da economia global, o futuro do sector de Bens e Serviços de Consumo permanece incerto. O ManpowerGroup lançou um novo estudo de Global Insights dedicado a este sector, analisando as principais tendências que influenciam o presente e o futuro do trabalho deste sector.
Conheça-as:
1. Transformação acelerada pela digitalização
Num cenário marcado por avanços tecnológicos acelerados e por expectativas dos consumidores em constante mutação, as empresas de Bens e Serviços de Consumo necessitam de adoptar a inovação digital para se manterem competitivas. Dados da McKinsey apontam que a IA generativa poderá gerar entre 160 e 270 mil milhões de dólares em receitas anuais adicionais para este sector, a nível global.
Assim, a transformação das organizações deverá passar, necessariamente, pela adopção de tecnologias de ponta, como Inteligência Artificial, big data analytics e Internet das Coisas (IoT), permitindo a optimização das operações, melhorias na eficiência da cadeia de abastecimento e experiências de consumo personalizadas.
Contudo, apesar do potencial desta transformação, os trabalhadores não vislumbram o seu futuro neste sector. O Global Talent Barometer, do ManpowerGroup, revela que 36% dos trabalhadores da área afirmam que os seus actuais empregadores não oferecem as oportunidades de carreira que procuram. A atracção e retenção de talento qualificado deverá, assim, constituir uma prioridade, sobretudo num momento em que a escassez de competências é indicada como o maior entrave à inovação até 2030, segundo o Fórum Económico Mundial.
2. Redesenhar a experiência do cliente
Conforme dados da McKinsey, 71% dos consumidores esperam conteúdos personalizados, e 67% demonstram frustração quando as suas interacções não são adaptadas às suas necessidades.
Neste contexto, as empresas devem transformar a sua experiência de cliente (CX) e promover uma cultura orientada por dados, de modo a melhorar as experiências de compra e optimizar operações, alinhando áreas como TI, marketing e cadeias de abastecimento. Isso exigirá talento com experiência em IA, data analytics e vendas omnicanal – competências que, segundo o ManpowerGroup, são actualmente das mais difíceis de encontrar.
Adicionalmente, o uso intensivo de dados dos consumidores acarreta riscos acrescidos em termos de cibersegurança e conformidade legal, exigindo profissionais com competências em áreas como IA ética, compliance e segurança digital.
3. Aumentar a resiliência nas cadeias de abastecimento
A resiliência das cadeias de abastecimento tornou-se vital. Segundo a Bain & Company, 81% dos CEO e COO planeiam trazer a produção para mais perto da sede ou dos principais mercados, registando um aumento de 18 pontos percentuais em relação a 2022.
Com este retorno aos mercados desenvolvidos – que já enfrentam escassez de talento – será essencial descobrir novas fontes de capital humano para sustentar estas infra-estruturas. Ao mesmo tempo, com o aumento da digitalização, a requalificação profissional tornar-se-á imperativa.
4. A sustentabilidade mantém-se como prioridade
Os consumidores e investidores continuam a exigir maior compromisso ambiental, social e de governance (ESG). Em 2024, 73% dos consumidores preocupados com sustentabilidade declararam estar dispostos a pagar mais por produtos sustentáveis, face aos 50% de 2022, segundo a IBM. Já 75% dos jovens dizem investigar a reputação ambiental de uma empresa antes de aceitar uma oferta de emprego.
Esta mudança está a alterar cadeias de abastecimento, modelos operacionais e estratégias de talento. Segundo o ManpowerGroup, 68% dos empregadores no sector planeiam contratar talento com competências verdes, sobretudo nas áreas de Produção, Logística, TI, Data, Vendas e Marketing.
5. Incerteza no sentimento dos consumidores e dos trabalhadores
A instabilidade económica e geopolítica mundial tem afectado a confiança dos consumidores, o que se traduz em cortes nos gastos e impacto no moral dos trabalhadores. De acordo com o Global Talent Barometer, os profissionais deste sector são os mais propensos a afirmar que não confiam nos seus managers, sendo que 49% reportam sentir stress diário no trabalho.
Perante este panorama, as empresas que investirem em factores como formação, mentoring e equilíbrio entre vida pessoal e profissional estarão mais bem posicionadas para atrair talento e responder à volatilidade do mercado.














