Quase três quartos dos líderes financeiros (CFO) afirmam que o âmbito das suas responsabilidades aumentou no último ano. A gestão e expansão da utilização da IA foi apontada como o principal factor desta mudança, superando até a crescente complexidade das receitas.
Metade dos responsáveis afirma hoje desempenhar um papel decisivo na definição da estratégia de IA da sua organização, o que representa uma nova realidade: as equipas financeiras já não se limitam a reportar o desempenho do negócio, passando cada vez mais a influenciar a forma como a IA é adoptada, onde gera valor e como esse valor é medido.
Para os CFO, a governação da IA deixou de ser apenas uma questão tecnológica. É cada vez mais uma questão financeira. Decisões que anteriormente pertenciam sobretudo à área de TI, como onde implementar IA, a que dados pode aceder, quais os controlos necessários ou como medir o seu impacto, recaem agora também sobre os responsáveis financeiros devido às suas implicações sobre controlo, auditoria e gestão financeira.
A expansão do papel do CFO acontece num contexto empresarial cada vez mais difícil de monitorizar e prever. Para 71% dos líderes financeiros as suas empresas vendem actualmente através de mais canais do que há 12 meses. Embora as vendas directas continuem a representar a maior fatia das receitas, canais como comércio online self-service, vendas indirectas através de parceiros, redes sociais e aplicações móveis assumem hoje um peso significativo.
O estudo mostra que também os modelos de receita estão a diversificar-se. Enquanto tradicionalmente as equipas financeiras se focavam em vendas pontuais, 65% acompanham agora operações distribuídas por múltiplos modelos de receita. Produtos por subscrição, serviços profissionais, modelos baseados em consumo e abordagens híbridas são actualmente comuns. Isto significa que as equipas financeiras não estão apenas a acompanhar mais transações, mas sim a gerir mais formas de gerar receita, definir preços, faturar, cobrar e reconhecer receitas.
Quanto mais complexo se torna o ciclo de receitas devido à multiplicação de canais de venda e modelos de negócio, mais dispendioso pode ser o trabalho manual. Cerca de 67% dos líderes financeiros afirma que as suas equipas continuam a executar manualmente pelo menos um em cada cinco processos, recorrendo frequentemente a folhas de cálculo, ou seja, o tipo de trabalho que consome inúmeras horas todas as semanas e aumenta o risco de erros.
Os líderes financeiros acreditam que até 40% das tarefas das suas equipas poderiam ser automatizadas, desde que disponham das bases tecnológicas adequadas e do apoio necessário para essa transformação.
Os benefícios já são visíveis e, entre os líderes financeiros que utilizam IA, 90% reporta retorno positivo sobre o investimento. Entre aqueles que utilizam especificamente agentes de IA, mais de 90% identificam ganhos ao nível da poupança de tempo, produtividade, redução de custos e maior precisão das previsões financeiras, sendo que cerca de metade considera esses ganhos significativos.
Muitas destas vantagens surgem em tarefas repetitivas e baseadas em regras, tradicionalmente dependentes de intervenção manual. Segundo a PwC, a IA agêntica já está a reduzir em até 80% o tempo necessário para processar uma factura desde a recepção até à sua validação final.
Além de acelerar processos existentes, a IA permite às equipas financeiras testar cenários e antecipar impactos, simulando rapidamente alterações de preços ou mudanças nos canais de venda e avaliando o efeito dessas decisões nas previsões de negócio.
Apesar dos benefícios, persistem obstáculos significativos. Quase metade dos líderes financeiros (46%) identificam a segurança como o principal entrave à expansão da utilização da IA. As preocupações com governação e integração com sistemas existentes surgem logo a seguir, ambas referidas por 42% dos inquiridos.
Para estes profissionais, as questões de segurança e governance não são abstratas. Estão relacionadas com controlos, auditabilidade, acesso a dados e responsabilização. Muitos apontam ainda a falta de competências internas especializadas como um desafio relevante, especialmente numa altura em que lhes é pedido que assumam um papel de liderança na estratégia de IA das suas organizações.
















