Da importância da aposta nas qualificações abranger o ensino superior à necessidade de revisão da proposta «limitada e pouco abrangente» para a transição digital

O gestor António Costa e Silva defendeu que a aposta nas qualificações incluída no Plano de Recuperação e Resiliência deve abranger as instituições do ensino superior, considerando que só será possível “criar talento” se as infraestruturas forem modernizadas.

 

O professor universitário e gestor da petrolífera Partex, que o primeiro-ministro António Costa escolheu para preparar um programa de recuperação económica e social do país até 2030, afirmou que a aposta nas qualificações tem de passar também «pelo ensino superior».

«Nós só vamos fazer a diferença se continuarmos a criar talento como as nossas universidades têm feito, se modernizarmos as infraestruturas tecnológicas das universidades e todo o sistema de ensino superior», afirmou.

António Costa e Silva, que participava no webinar organizado pelo Conselho de Reitores das Universidades Portuguesas (CRUP) para debater o Plano de Recuperação e Resiliência (PRR), defendeu também que se o país não fizer «as escolhas certas» não vai chegar «à terra prometida».

Para o gestor, as escolhas certas passam pela aposta num modelo de inovação tecnológica, dar mais vitalidade ao sistema científico e tecnológico, apostar na investigação fundamental e nas áreas mais relevantes da ciência.

A par disso, António Costa e Silva defendeu também a necessidade de se criar as competências para que os centros de investigação, em conjunto com as empresas, sejam «capazes de impulsionar o país para o futuro».

«Para daqui a 10 anos podermos dizer que o país entrou na terra prometida», afirmou.

Também na sessão, Lino Fernandes, economista e antigo presidente da Associação Nacional de Inovação (ANI) destacou a necessidade de «haver mais investimento para a investigação fundamental para que a investigação aplicada funcione».

Já Arlindo Oliveira, presidente do Instituto de Engenharia de Sistemas e Computadores (INESC) afirmou que a componente da escola digital e da transição digital inseridas no plano mereciam «uma revisão», considerando-as «limitadas e pouco abrangentes».

No webinar Contributos do Ensino Superior para o PRR participou também a Comissária Europeia Elisa Ferreira e o ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Manuel Heitor.

O PRR de Portugal, para aceder às verbas comunitárias pós-crise da COVID-19, prevê 36 reformas e 77 investimentos nas áreas sociais, clima e digitalização, num total de 13,9 mil milhões de euros em subvenções.

Depois de um rascunho apresentado à Comissão Europeia em Outubro passado e de um processo de conversações com Bruxelas, o Governo português colocou a versão preliminar e resumida do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) em consulta pública, até 1 de Março, no qual estipula «19 componentes, que integram por sua vez 36 reformas e 77 investimentos».

O executivo justifica que, «com base no diagnóstico de necessidades e dos desafios», foram definidas três «dimensões estruturantes» de aposta – a da resiliência, da transição climática e da transição digital -, às quais serão alocados 13,9 mil milhões de euros em subvenções a fundo perdido das verbas europeias pós-crise.

No documento, estão também previstos 2,7 mil milhões de euros em empréstimos, mas fonte do executivo garante que «ainda não está assegurado» que Portugal irá recorrer a esta vertente do Mecanismo de Recuperação e Resiliência, o principal instrumento do novo Fundo de Recuperação da União Europeia.

Previsto está que a maior fatia (61%) das verbas do PRR se destine à área da resiliência, num total de 8,5 mil milhões de euros em subvenções e de 2,4 mil milhões de euros em empréstimos.

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