Danilo Santos, Numen Europa: «Os profissionais precisam de desenvolver uma mentalidade de aprendizagem contínua, flexibilidade e capacidade de adaptação»

Tânia Reis
20 de Fevereiro 2025 | 10:40

A integração da Moovi na Numen teve dois objectivos: democratizar o acesso à formação em tecnologia SAP e responder à procura de profissionais qualificados. Para Danilo Santos, CEO da Numen Europa, o upskilling e reskilling são essenciais, mas é fundamental uma mudança de mindset por parte dos trabalhadores e das organizações.

Por Tânia Reis

 

Fundada em 2009 pela empreendedora Patricia Terue (que faleceu em 2017), a consultora brasileira de TI nasceu sob cinco pilares: “trabalho árduo, humildade, empatia, alegria e respeito pelos outros”. Hoje, a Numen tem escritórios no Brasil, nos Estados Unidos e em Portugal, mais de 4 milhões de horas de projectos SAP concluídos e adquiriu no início deste ano uma startup especializada na formação de talentos.

Recentemente adquiriram a Moovi. Que motivos estiveram por trás dessa aquisição?

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A aquisição da Moovi pela Numen teve como objectivo ajudar a democratizar o acesso à formação em tecnologia SAP e responder à crescente procura por profissionais qualificados, tanto em Portugal como globalmente.

Que objectivos foram definidos e que resultados esperam alcançar?

Queremos facilitar o acesso ao mercado SAP para novos profissionais contribuindo com o nosso ecossistema e permitindo que profissionais experientes consigam manter-se actualizados para as novas exigências de tecnologias.
Como objectivo a curto prazo queremos impactar mais de 10 mil pessoas.

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Em que áreas opera a Moovi?

Criada em 2022, é uma plataforma de educação digital especializada em formação SAP e tecnologias empresariais. Foi desenvolvida para oferecer soluções de formação de ponta, acessíveis e alinhadas com as exigências do mercado actual. Todos os nossos instrutores são profissionais com uma ampla bagagem, trazendo dinamismo e aplicabilidade na aprendizagem.

Entretanto, a Numen criou um fundo interno de investimento destinado à capacitação técnica. Por que sentiram essa necessidade?

A transição para o SAP S/4HANA e outras migrações tecnológicas intensificaram um dos maiores desafios do sector: a escassez de profissionais qualificados. Em Portugal, tal como no Brasil, vemos um mercado onde empresas competem por talentos limitados, o que eleva custos, compromete qualidade e dificulta a inovação. O nosso objectivo é romper este ciclo, tornando a formação em SAP acessível e descomplicada.

Expandiram a oferta formativa em que áreas?

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A Moovi oferece cursos que vão desde programas introdutórios, como “ABAP do Zero”, o nosso curso de programação para iniciantes e especializações avançadas, como SAP Cloud Platform Integration e EWM. Pensando nos profissionais que precisam de um upskilling, cursos como o Delta S/4HANA ajudam na transição do SAP ECC para a nova versão.

Que resultados obtiveram até à data?

Até ao momento, a Moovi já formou mais de 4000 alunos e possui mais de 300 horas de formação e actividades práticas.

Qual o perfil dos profissionais que vos procuram e quais as áreas de preferência?

São, na sua maioria, da área de tecnologia, actuando em diversas especialidades de SAP, incluindo consultores funcionais SAP, programadores, analistas de sistemas, especialistas em inteligência artificial e automação de processos.

De forma geral, trata-se de perfis mais seniores, com experiência consolidada e um forte compromisso com a inovação e a excelência tecnológica. No nosso processo selectivo, além do conhecimento técnico, valorizamos competências como comunicação eficaz, trabalho em equipa, pensamento analítico e a capacidade de diagnosticar e resolver desafios técnicos complexos com criatividade e eficiência.

Procuramos pessoas que partilhem a nossa visão de fazer acontecer inspirando o melhor das pessoas. Mais do que alinhamento técnico, queremos profissionais que se identifiquem com os nossos valores e cultura, que nos ajudem a construir soluções de elevado impacto e a transformar desafios em oportunidades.

Falava na escassez de talento. A seu ver, por que faltam profissionais principalmente na área tecnológica?

A escassez de talento na área tecnológica é, sem dúvida, um dos maiores desafios que enfrentamos actualmente. Primeiramente, a procura por tecnologia nunca foi tão alta. Estamos numa era em que as empresas estão cada vez mais dependentes de soluções tecnológicas. Isto gerou uma procura superior à oferta de profissionais qualificados, criando uma competição intensa por talentos no mercado.

Outro factor é a necessidade de especialização. As tecnologias evoluem rapidamente, e hoje, as funções no sector tecnológico exigem conhecimentos altamente especializados, o que dificulta a formação de profissionais no ritmo necessário para responder às exigências do mercado.

A competição global também desempenha um papel importante para a escassez. Uma vez que a área de TI é extremamente globalizada, e os profissionais podem escolher trabalhar para empresas em qualquer parte do mundo, desde que as condições e oportunidades sejam atraentes. Por fim, o aumento da complexidade dentro das empresas exige alguns perfis com maior senioridade, o que leva tempo para adquirir a experiência.

De que forma estão a contornar esse desafio?

Em Portugal a contratação de talentos qualificados apresenta um desafio significativo devido à escassez de profissionais especializados e à alta competitividade do sector.

Para enfrentar este desafio, temos apostado em algumas estratégias, como a atracção de talentos internacionais, expandindo a nossa procura para além de Portugal, oferta compatíveis com o mercado e benefícios competitivos para aumentar a retenção e satisfação dos colaboradores; investimento na marca empregadora, reforçando a nossa presença no mercado e destacando a cultura da empresa. Estas medidas têm-nos ajudado a mitigar os desafios da contratação e garantir que conseguimos atrair e reter os talentos certos para a nossa equipa.

Como vê o cenário do talento tecnológico em Portugal?

Portugal é um centro tecnológico de excelência a nível mundial, com um vasto leque de talentos e uma localização geográfica estratégica para nós. Quando chegámos ao país, há mais de dois anos, sabíamos que iríamos encontrar uma combinação excepcional de profissionais qualificados, uma infraestrutura tecnológica sólida e uma posição privilegiada para as nossas operações na região. No entanto, tal como acontece um pouco por todo o mundo, existe uma escassez de talento qualificado que é preciso ajudar a mitigar.

Que medidas devem as empresas em Portugal adoptar para atrair e fidelizar talento?

Existem um conjunto de medidas estratégicas que geram satisfação e envolvimento em diferentes horizontes do tempo. Algumas possíveis acções incluem: ter uma visão clara e inspiradora sobre o futuro que se pretende atingir; projectos desafiantes que estimulem o crescimento e o desenvolvimento; reconhecimento do profissional; remuneração justa e competitiva levando em consideração os resultados, a capacidade, o nível de responsabilidade e o potencial de cada colaborador.

Fale-nos da adesão à Coligação Portuguesa para a Empregabilidade Digital (CPED)…

A CPED conta com uma vasta rede de entidades públicas e privadas e a Numen é agora um dos seus parceiros na área de Formação Avançada e Investigação. Fazemos parte da Plataforma Ponto Digital, onde podemos impactar directamente o mercado de trabalho e ajudar a qualificar profissionais para o sector tecnológico.

Que objectivos definiram para os próximos anos?

Queremos continuar a crescer, expandir o nosso portefólio de ofertas em análise avançada de dados, AI & Intelligence, process automation e ajudar os nossos clientes a obterem todo o potencial que as novas tecnologias empresariais podem trazer. Em Portugal queremos duplicar a nossa equipa ainda em 2025.

A IA está a impactar todas as áreas e sectores. O mais recente “Future of Jobs Report” do Fórum Económico Mundial (FEM) estima que 92 milhões de empregos irão desaparecer. A resposta passa pelo upskilling e reskilling?

A inteligência artificial está, sem dúvida, a transformar profundamente todas as áreas e sectores, redefinindo o mercado de trabalho e exigindo uma adaptação constante por parte dos profissionais. O relatório do Fórum Económico Mundial projecta a eliminação de 92 milhões de empregos, mas também prevê a criação de novas funções impulsionadas pela tecnologia. O verdadeiro desafio não está apenas na substituição de funções, mas na necessidade de uma mudança de mindset por parte dos trabalhadores e das organizações.

O upskilling e o reskilling são respostas essenciais a essa transformação, mas é fundamental ir além da simples aquisição de novas competências técnicas. Os profissionais precisam de desenvolver uma mentalidade de aprendizagem contínua, flexibilidade e capacidade de adaptação. A IA não substitui apenas tarefas repetitivas – também redefine o papel humano dentro das organizações, deslocando o foco para funções que exigem pensamento crítico, criatividade e inteligência emocional.

Além disso, a própria forma como o conhecimento é adquirido e aplicado está a mudar. A aprendizagem tradicional, baseada em formações estáticas, já não é suficiente. O desenvolvimento de novas capacidades deve ocorrer de forma dinâmica e alinhada com as transformações tecnológicas, incentivando um modelo de aprendizagem baseado na experimentação, na resolução de problemas e na colaboração interdisciplinar.

As empresas também desempenham um papel central neste processo, ao promoverem ambientes de trabalho onde a adaptação à tecnologia não seja vista como uma ameaça, mas sim como uma oportunidade de evolução. As estratégias de requalificação bem-sucedidas exigem não apenas programas de formação, mas também uma cultura organizacional que valorize a curiosidade, a inovação e o desenvolvimento contínuo.

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