Nos tempos difíceis que vivemos, o propósito das organizações apresenta-se ainda mais relevante. A Galp está consciente do papel que representa na sociedade e na economia, e da «enorme responsabilidade de ajudar, estar presente e indicar caminhos, soluções e crença num futuro melhor», afirma Sandra Aparício, Head of Corporate Social Responsibility da energética.
Por Sandra M. Pinto

Tendo implementado várias iniciativas de voluntariado, a Galp tem vindo a mobilizar os seus colaboradores sob o lema “Um gesto muda tudo”. Cada colaborador pode dedicar 48 horas por ano a acções de voluntariado. No actual contexto actual, fazia ainda mais sentido «dar aos colaboradores a oportunidade de fazerem a diferença». Em entrevista à Human Resources, Sandra Aparício explica como o concretizam.
Em que consiste exactamente a campanha “Um gesto muda tudo”?
Na Galp, acreditamos profundamente na importância do contributo que cada um de nós pode ter na sociedade. Assim, e em conjunto com a Fundação Galp e parceiros da marca, lançámos o movimento de angariação de voluntários “Um gesto muda tudo” com o objectivo de levar energia positiva a quem mais precisa.
Através desta campanha, divulgada também nos nossos canais digitais, pretendemos mobilizar as nossas pessoas e a comunidade (sejam eles clientes, fornecedores ou parceiros sociais) para as diversas formas de voluntariado existente, seja de forma presencial ou à distância. Assim, a campanha “Um gesto mudo tudo” é um apelo à realização de voluntariado dentro do projecto com o qual a pessoa mais se identificar. Todos os dias são bons para fazer a diferença mas, hoje em dia e nestas circunstâncias, essa diferença é mais precisa do que nunca.
São várias as iniciativas e organizações que iremos apoiar, dando-lhes visibilidade e amplificando o seu alcance. Entre todas destacamos a iniciativa #CuidadeTodos, a maior campanha de sensibilização para angariação de voluntários em Portugal, cujo mote é “Vamos cuidar de quem já cuidou de nós”. Esta iniciativa procura angariar voluntários que queiram prestar serviço em lares e instituições de apoio a idosos.
Temos outras iniciativas às quais damos destaque e que apelam ao voluntariado, tais como a Rede de Emergência Alimentar (uma iniciativa do Banco Alimentar e da Entrajuda que consiste em levar alimentos a mais de 270 mil pessoas), a campanha #adotaumvizinho (promove a entreajuda entre vizinhos), o projecto “Fique em Casa. A Junta Vai por Si!” (parceria com a Junta de Freguesia de Matosinhos-Leça que se baseia no apoio à população mais idosa através de entregas de refeições, compra de alimentos e medicamentos) e “Os AMIgos são para as Ocasiões” (um projecto da AMI que consiste na angariação de voluntários para apoio à população mais vulnerável e em situação de exclusão social). Por último, e em parceria com a Apps for Good, foi amplificada a iniciativa dos “Experts”, que se insere no Movimento Educativo da Galp e da Fundação Galp, e que incentiva a que os nossos colaboradores se transformem em experts ao partilharem o seu tempo e conhecimento com professores e alunos que fazem parte deste Programa Educativo, de forma a promover pequenas mudanças positivas no actual modelo educativo.
O que pretendem alcançar?
Queremos fazer chegar a quem mais precisa a energia do calor humano e o apoio que agora, mais do que nunca, é tão preciso. Esta foi a principal razão que nos levou a avançar neste sentido. Acreditamos que um #gestomudatudo e, por isso, pretendemos mobilizar os colaboradores Galp e a comunidade para as diferentes formas de voluntariado, seja presencial ou à distância. Desta forma, promovemos não só a contribuição de todos para a resolução dos desafios que enfrentamos hoje em dia mas também damos visibilidade aos extraordinários projectos de solidariedade que estão fazer a diferença.
Esta é uma plataforma global ou só para Portugal?
O contexto que enfrentamos é global e, por isso, estamos a desenvolver acções de apoio à comunidade nas diferentes geografias onde estamos presentes também através da campanha “Um gesto muda tudo”. O apoio dos nossos colaboradores nessas regiões tem feito a diferença.
Entre os projectos mais relevantes estão a entrega de ventiladores e monitores de sinais vitais em Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe e, em Angola, o fornecimento de energia que permitiu a circulação de mais de 70 camiões cisterna para fazerem uma distribuição diária de cerca de 2 milhões de litros de água potável às comunidades de Luanda, como forma de prevenção e combate ao vírus.
Em Moçambique, eSwatini e São Tomé e Príncipe foram dados apoios em energia e foram também entregues toneladas de equipamentos de protecção individual e desinfecção a centros hospitalares, clínicas e entidades governamentais dedicadas ao combate à pandemia. A ajuda alimentar também se fez sentir nas outras geografias.
Em Espanha foi feita a entrega de cabazes solidários a mais de 1500 famílias em situação económica fragilizada e, na Guiné-Bissau, foram entregues três toneladas de bens alimentares a famílias carenciadas.
No Brasil, a Galp apoia um fundo de emergência de resposta à pandemia em diversas frentes, e em Moçambique, além da realização de uma campanha de sensibilização nos postos da rede Galp, e da entrega de material de protecção e higienização em centros de acolhimento de crianças, foram também dinamizadas sessões de informação para sensibilizar a população sobre os principais cuidados a ter de forma a evitar o contágio, que contaram com a participação dos nossos voluntários locais.
É também de salientar ainda que, na Galp, promovemos regularmente programas de voluntariado. Em 2019 foram implementadas acções de voluntariado em cinco geografias, que somam um total 2714 horas despendidas em acções de voluntariado empresarial pelos colaboradores. O voluntariado está alinhado com os valores e a cultura da nossa marca: ser voluntário Galp é partilhar a nossa energia em torno de um bem comum, independentemente da geografia onde nos encontramos. É ter a oportunidade de participar em iniciativas que estão alinhadas com os eixos estratégicos de investimento da empresa e da sua Fundação, como a energia e a educação, em Portugal, Espanha, Brasil, Moçambique, Guiné-Bissau e eSwatini. É responder aos desafios de voluntariado que a Fundação Galp ajuda a promover, mas ter, ao mesmo tempo, uma voz activa e propor desafios pela equipa. É poder ter uma ideia, conseguir dar-lhe asas e contar com colegas voluntários.
Como surgiu a ideia de realizar esta iniciativa?
Fomos inicialmente desafiados a apoiar a iniciativa #CuidadeTodos, a maior campanha de sensibilização para angariação de voluntários em Portugal, cujo mote é “Vamos cuidar de quem já cuidou de nós”. Identificámo-nos desde logo com o projecto e com a causa e, por esse motivo, decidimos apoiá-lo cedendo espaço publicitário na SIC e nos nossos canais digitais para que o Ministério do Trabalho e Solidariedade pudesse divulgar a campanha. Em apenas 24 horas, foram angariados 3 mil voluntários. Este sinal inequívoco de que existem muitas pessoas a querer ajudar foi o principal incentivo para avançarmos com a campanha “Um gesto muda tudo” dirigida às nossas pessoas, nas diferentes regiões onde estamos presentes.
Na Galp, cada colaborador pode dedicar 48 horas por ano a acções de voluntariado. Achámos que, tendo em conta o contexto actual, fazia todo o sentido dar aos nossos colaboradores a oportunidade de fazerem a diferença.
Como funciona a plataforma?
O processo é bastante simples. Todas as acções em curso estão disponíveis no site da marca e são também divulgadas através dos nossos canais digitais e comunicações internas. A partir desse ponto, onde todos os projectos estão listados, os voluntários apenas têm que seleccionar o projecto com o qual mais se identificam e indicar a sua disponibilidade, seja presencial ou à distância.
No caso da iniciativa #CuidadeTodos, os voluntários fazem o registo no microsite criado especificamente para esta campanha e a CASES (https://www.cases.pt/) dá seguimento à gestão de toda a base de voluntários, alocando-os aos diferentes lares que necessitam de apoio com as devidas regras de higiene e segurança recomendadas pela Direcção Geral de Saúde.
Qual tem sido a receptividade dos colaboradores da Galp?
Temos sentido uma forte adesão por parte das nossas pessoas. Sabemos que estamos ainda no início deste projecto mas esperamos ter uma adesão similar à que temos tido em outras campanhas de resposta a emergências sociais, como foi o caso da recolha de bens feita no âmbito do ciclone IDAI em Moçambique onde, entre outras medidas de apoio, recolhemos mais de três toneladas de bens essenciais, ou o Movimento Terra de Esperança através do qual já conseguimos plantar mais de 280 mil árvores, em 30 municípios de Portugal e juntar mais de 6500 voluntários a esta iniciativa.
O envolvimento dos colaboradores Galp tem sido bastante positivo mas, em relação ao movimento “Um gesto muda tudo”, ainda não temos dados concretos para partilhar uma vez que diariamente recebemos novas inscrições e o balanço só será feito no final do mês.
Na sua opinião a que se deve o sucesso desta iniciativa?
Todos nós sentimos o dever e a vontade de fazer mais e ajudar o próximo. Este facto ganha ainda mais força quando a oportunidade de apadrinhar este tipo de iniciativas surge num contexto laboral. É uma motivação extra e o reforço de que estamos no caminho certo.
Também criaram recentemente uma linha de apoio psicológico, a Galp Voz Amiga. Como surgiu esta iniciativa e qual a sua principal finalidade?
Sentimos que era fundamental minimizar o impacto que o isolamento social pode ter na saúde mental dos colaboradores Galp. Por isso, foi criada uma linha telefónica de apoio – a Galp Voz Amiga – através da qual os reformados Galp podem ser apoiados através de uma conversa telefónica com voluntários Galp. Desta forma, contribuímos para uma possível diminuição da ansiedade e um aumento da estabilidade emocional que pode estar mais fragilizada tendo em conta o contexto em que vivemos.
De que forma funciona e como é ela dinamizada dentro da empresa?
O projecto Galp Voz Amiga é feito em colaboração com a Direcção de Pessoas da Galp e a Associação de Reformados Galp (ARGE) que estabelece a ponte com os potenciais beneficiários. Internamente, a angariação de voluntários é feita através de comunicação interna.
De que modo é esta ligação entre actuais e antigos colaboradores importante para a empresa?
Os laços, os gestos e as relações humanas são uma das grandes forças motoras do voluntariado, que acaba por ser fruto de um efeito “borboleta”. O encontro de gerações e a partilha de histórias, da empresa e do país, contribuem para a consolidação da nossa cultura, com a identificação com o Mundo Galp e com as suas comunidades. Os colaboradores no activo levam, através de um denominador comum, a ligação à Galp, o alento e a companhia a quem se encontra isolado e precisa de apoio. Para estas pessoas, a partilha das suas memórias representa um enorme conforto.
Que outras plataformas de voluntariado estão a ser desenvolvidas na Galp?
Como referi acima, o voluntariado é uma prática que já existe há algum tempo na Galp. Actualmente, e mesmo vivendo em pleno contexto pandémico, onde se esperaria que a participação das pessoas diminuísse pelo tempo disponível e pelo confinamento a que estão sujeitas, continuamos a ter os nossos voluntários Galp dedicados às iniciativas que desenvolvemos.
Posso dar como exemplo o Programa Mentores Galp que tem como objectivo apoiar projectos de inclusão social através de explicações e mentoria para alunos em risco ou através de estágios curriculares. Este programa foi criado há cinco anos e é realizado em parceria com a EPIS – Empresários pela Inclusão Social. Neste contexto recebemos, todas as semanas, um grupo de alunos da escola secundária Mães d´Água, na Amadora, que recebe este apoio nas nossas instalações. O transporte é igualmente assegurado pela Galp. Tendo em conta as limitações que existem actualmente, este apoio continua a ser dado, ainda que à distância. Entregámos 11 computadores aos alunos que não tinham equipamentos informáticos que lhes facilitassem o acesso ao ensino à distância para que este apoio semanal não deixasse de existir.
Temos ainda outro projecto educativo, o Future Up, através do qual os voluntários Galp vão às escolas dar aulas de energia, partilham a sua experiência pessoal, profissional e os seus conhecimentos através de formações a professores e voluntariam-se para ajudar as equipas nas várias fases da construção de projectos relacionados com os objectivos de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas. O Future Up é desenvolvido em parceria com a Apps for Good e a Junior Achievement Portugal e, só em 2020, já foram dadas mais de 211 aulas, a mais de 5000 alunos por 85 voluntários Galp. Este ano, os nossos voluntários já deram formação a mais de 346 professores, sobre comunicação e técnicas de pitch, de apresentação de projectos, esta foi uma das sessões realizadas durante a vigência do Estado de Emergência. Na opinião dos professores, as sessões online são essenciais para adquirir novos conhecimentos e ouvir experiências de outros professores. Por outro lado, a participação de parceiros nas sessões, como é o caso da Galp, é também bastante valorizada uma vez que permite ter acesso a novas formas de trabalhar com os alunos.
Qual o papel desempenhado pela comunicação interna numa situação como a que vivemos hoje?
Agora, mais do que nunca, é importante estarmos unidos. As equipas estão fisicamente separadas, mas é essencial que as pessoas sintam que continuamos juntos, que continuamos a trabalhar para melhorar o dia a dia de todos e que, principalmente, continuamos a levar a nossa energia a quem mais precisa. Nesse sentido, todas estas acções que temos desenvolvido contribuem para esta união e proximidade entre as pessoas.
A comunicação interna tem um papel muito importante: não só o de motivar as nossas pessoas, mas, principalmente, uni-las em torno de um bem maior.
Qual a missão da Galp e de que forma a conseguem implementar numa altura como a que vivemos?
A missão histórica da Galp é estar ao lado dos milhões de pessoas, de clientes, de empresas e de parceiros que confiam na nossa energia para as suas vidas e para desenvolver os seus negócios. Nos tempos difíceis que vivemos, esse propósito é ainda mais relevante, pois sabemos que pelo papel que temos na sociedade e na economia, temos a responsabilidade de ajudar, de estar presente e de indicar caminhos, soluções e crença num futuro melhor.














