Desafios e prioridades para 2026. Alexandra Andrade, Adecco Portugal: Mais do que apenas mais um ano no calendário

Human Resources
30 de Janeiro 2026 | 13:20
Desafios e prioridades para 2026. Alexandra Andrade, Adecco Portugal: Mais do que apenas mais um ano no calendário

Alexandra Andrade Country manager da Adecco Portugal, faz notar que «o grande desafio de Gestão de Pessoas para 2026 será gerir a tensão entre a escassez de talento e o aumento das expectativas profissionais».

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O ano de 2026 não será apenas mais um no calendário da Gestão de Pessoas. Será o ano em que decisões estratégicas definirão quem se destaca, num mercado cada vez mais competitivo e volátil. As tendências que moldarão este futuro não são apenas tecnológicas ou operacionais – são, acima de tudo, sociais, humanas e económicas. As empresas que anteciparem essas mudanças serão aquelas capazes de criar valor real, não apenas rentabilidade imediata.

O grande desafio de Gestão de Pessoas para 2026 será gerir a tensão entre a escassez de talento e o aumento das expectativas profissionais. Num contexto de instabilidade económica global, inflação, mudanças regulatórias e envelhecimento da população activa, as organizações não podem depender apenas de recrutamento eficiente. A chave será fidelizar talento através de experiências significativas, oportunidades de crescimento genuínas e culturas que promovam propósito e pertença. Lideranças empáticas, próximas e estratégicas deixarão de ser um diferencial e passarão a ser indispensáveis.

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Uma tendência ainda pouco assimilada é a necessidade de integrar novas formas de trabalho com impacto social e económico. O trabalho remoto ou híbrido deixou de ser uma opção e passou a ser uma expectativa, mas a verdadeira diferença estará na capacidade das empresas de criar comunidades de colaboração, manter coesão e desenvolver carreira à distância. Paralelamente, o impacto ambiental e social das organizações passa a ser um critério crescente na atracção e retenção de talento – os profissionais procuram empregadores alinhados com valores que vão além do paycheck.

Na Adecco, para 2026, o foco será no desenvolvimento contínuo e adaptável do talento, integrando competências digitais, inteligência emocional e pensamento crítico. O objectivo não é apenas formar profissionais para hoje, mas prepará-los para um futuro incerto e em rápida mudança. O uso ético e estratégico de dados e inteligência artificial será uma alavanca para decisões mais informadas sobre recrutamento, retenção e planeamento de talento, sempre equilibrando eficiência com humanidade.

Ao mesmo tempo, promoveremos uma cultura de bem-estar e propósito, onde saúde emocional, equilíbrio trabalho-vida e impacto social deixam de ser “extras” e passam a ser factores centrais de performance e atracção de talento. As empresas que não assumirem esta responsabilidade correm o risco de perder não apenas profissionais, mas legitimidade no mercado.

Olhando para 2030, o mundo do trabalho será caracterizado por um equilíbrio entre tecnologia e humanidade. Inteligência artificial e automação estarão totalmente integradas, mas o diferencial estará na capacidade das empresas de humanizar cada interacção, criar trajectórias de carreira significativas e conectar objectivos individuais a impacto social e económico. O verdadeiro valor das organizações passará a ser medido tanto pelo seu desempenho financeiro como pelo valor que geram para as pessoas e para a sociedade.

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Este será o ano em que estratégia de negócio e estratégia de talento deixam de coexistir para se fundirem. Quem conseguir antecipar tendências, gerir risco e investir em experiência humana estará a construir não só equipas resilientes, mas também organizações capazes de prosperar num mundo em mudança constante.

 

Este artigo foi publicado na edição de Janeiro (nº. 181) da Human Resources.

Disponível nas bancas e online, na versão em papel e na versão digital.

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