Isabel Heitor, directora de Recursos Humanos da ANA Aeroportos, afirma que «o foco tem sido colocado sobretudo nas ferramentas, quando o verdadeiro desafio reside em repensar funções, competências, critérios de desempenho, modelos de liderança e responsabilidade ética».
O grande desafio da Gestão de Pessoas em 2026 será gerir múltiplas transformações em simultâneo, sem perder paz social, confiança interna e foco no desempenho. Vamos enfrentar, ao mesmo tempo, a implementação da Transparência Salarial (de acordo com a directiva, até Junho), muitas empresas em processos profundos de reorganização, mudanças associadas ao tão esperado novo Código do Trabalho e a necessidade de adaptar os modelos de trabalho a carreiras cada vez mais longas.
Este contexto exige das nossas áreas uma combinação de rigor legal, capacidade de decisão e liderança humana, num equilíbrio permanente entre sustentabilidade económica, equidade e expectativas crescentes dos trabalhadores.
Considero que a tendência para a qual empresas e profissionais estão menos preparados é a redefinição do trabalho, num contexto híbrido entre pessoas, tecnologia e inteligência artificial. O foco tem sido colocado sobretudo nas ferramentas, quando o verdadeiro desafio reside em repensar funções, competências, critérios de desempenho, modelos de liderança e responsabilidade ética.
A esta complexidade soma-se a dificuldade em gerir equipas multigeracionais, com diferentes ritmos, motivações e horizontes de carreira, num cenário de maior longevidade profissional. Assim, para 2026, destaco três prioridades essenciais:
1. Reforçar a transparência, a equidade e a conformidade legal, nomeadamente em matéria de remuneração, carreiras e práticas de gestão, como base de confiança organizacional;
2. Acompanhar processos de reorganização com uma forte dimensão humana, assegurando clareza de papéis, requalificação de competências e comunicação consistente;
3. Preparar pessoas e líderes para carreiras mais longas e diversas, investindo em reskilling, bem-estar, saúde e aprendizagem contínua ao longo do ciclo de vida profissional. Acredito que, em 2030, o trabalho será menos definido por cargos ou funções e mais por contributos, competências e momentos ou fases de vida. As organizações que vão prosperar serão aquelas capazes de integrar tecnologia avançada com modelos humanos mais flexíveis, inclusivos e intergeracionais, colocando as pessoas no centro das decisões estratégicas, não como um discurso, mas como uma prática consistente e sustentável.
Este artigo foi publicado na edição de Janeiro (nº. 181) da Human Resources.
Disponível nas bancas e online, na versão em papel e na versão digital.














