Desafios e prioridades para 2026. Joana Ferreira, Vila Galé Hotéis: Um equilíbrio cada vez mais delicado entre as necessidades da operação e as expectativas individuais

Joana Ferreira, coordenadora de Recursos Humanos da Vila Galé Hotéis, faz notar que «apesar de muito se falar de inovação e tecnologia, sinto que a área para a qual empresas e profissionais continuam menos preparados é a liderança em ambientes operacionais exigentes, multigeracionais e culturalmente diversos». 

Para 2026, estimo que o grande desafio da Gestão de Pessoas será conseguir assegurar equipas estáveis, qualificadas e verdadeiramente alinhadas com a nossa cultura de serviço, num sector marcado pela escassez de talento e por níveis altos de rotatividade.

A hotelaria é, acima de tudo, um negócio de pessoas para pessoas, e isso exige um equilíbrio cada vez mais delicado entre as necessidades da operação e as expectativas individuais. Os profissionais são hoje mais conscientes, mais exigentes e menos tolerantes a experiências de trabalho que não façam sentido para si, o que torna ainda mais crítico criar contextos onde queiram ficar, evoluir e construir uma carreira.

Apesar de muito se falar de inovação e tecnologia, sinto que a área para a qual empresas e profissionais continuam menos preparados é a liderança em ambientes operacionais exigentes, multigeracionais e culturalmente diversos. No nosso sector, a pressão do dia-a-dia é elevada e recai sobretudo sobre as chefias intermédias, que precisam de gerir simultaneamente pessoas, clientes e resultados. No entanto, nem sempre estas lideranças dispõem das ferramentas necessárias para comunicar melhor, gerir emoções, resolver conflitos e manter as equipas motivadas.

Do lado dos profissionais, também existe muitas vezes uma expectativa pouco realista sobre o que é trabalhar em hotelaria, o que reforça a importância de processos de recrutamento mais claros e mais alinhados com a realidade.

Para 2026, no Grupo Vila Galé, as prioridades passam, em primeiro lugar, por continuar a investir fortemente no desenvolvimento das nossas lideranças, garantindo que directores, chefias e supervisores têm não só competências técnicas, mas também humanas e comportamentais alinhadas com os valores do grupo. Em segundo lugar, queremos estruturar e comunicar de forma ainda mais clara os percursos de carreira, mostrando que é possível crescer e evoluir dentro da organização, em diferentes funções e ritmos. Por último, a experiência do colaborador continuará a ser um eixo central, desde o primeiro contacto no recrutamento até à integração, acompanhamento e reconhecimento, assegurando que aquilo que prometemos é vivido no dia-a-dia.

Olhando para 2030, acredito que a grande mudança no mundo do trabalho, e particularmente na hotelaria, será a forma como as pessoas passam a estar verdadeiramente no centro das decisões. Talvez o trabalho venha a ser mais flexível e mais orientado a projectos, mas também exigirá maior autonomia, responsabilidade e maturidade.

As organizações que se destacarão serão aquelas que conseguirem criar ambientes exigentes, mas humanos, onde o desempenho, o bem-estar e o desenvolvimento caminham juntos. No nosso sector, isso significará tratar a experiência de quem trabalha connosco com o mesmo cuidado com que tratamos a experiência de quem nos visita.

 

Este artigo foi publicado na edição de Janeiro (nº. 181) da Human Resources.

Disponível nas bancas e online, na versão em papel e na versão digital.

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