Desafios e prioridades para 2026. Nuno Ferreira Morgado, PLMJ: Será preciso reagir rápido às mudanças (e a lei laboral não será um parceiro)

Human Resources
26 de Fevereiro 2026 | 13:20
Desafios e prioridades para 2026. Nuno Ferreira Morgado, PLMJ: Será preciso reagir rápido às mudanças (e a lei laboral não será um parceiro)

Nuno Ferreira Morgado, partner da PLMJ, defende que «será fundamental reagir rápido e com agilidade às mudanças que 2026 trará, e não sei se as empresas terão essa capacidade. Certamente que na lei laboral não terão um parceiro».

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Não sei se haverá apenas um grande desafio na Gestão de Pessoas, até porque a tipologia de empresas que temos em Portugal é muito assimétrica e tem diferentes graus de capacidade de gestão. Segundo entendo, um dos grandes desafios é o da incerteza dos níveis de actividade económica, o que traz riscos quanto à adequação da força de trabalho às necessidades de trabalho reais e a flutuabilidade que estas podem registar.

Há múltiplos factores de incerteza, que vão desde a conjuntura internacional, ameaçada pelos vários conflitos activos e que podem expandir-se, até à mudança que a tecnologia poderá representar no mundo do trabalho.

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Será fundamental reagir rápido e com agilidade às mudanças que 2026 trará, e não sei se as empresas terão essa capacidade. Certamente que na lei laboral não terão um parceiro.

No plano mais imediato, perspectivam-se alterações relevantes na legislação laboral, traduzidas na possível implementação da Directiva da Transparência Salarial (que deveria ocorrer até início de Junho de 2026), assim como a possível extensa revisão do Código do Trabalho. Qualquer uma destas medidas, a ser concretizada, trará mudanças à Gestão de Pessoas, mas é preciso aguardar para perceber se serão mudanças positivas ou não.

 

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Tendência, já realidade, e acções prioritárias
Uma vez mais, não há uma resposta única, porque a tipologia de empresas é muito diferente. Posto isto, diria que a maior impreparação está relacionada com a aceleração, e com a imprevisibilidade do respectivo grau, da tecnologia. Do que posso ver, há poucas empresas muito focadas em usar a inteligência artificial (IA) e em medir o correspondente impacto. Há uma certa resistência à mudança, que será rápida e intensa, pelo que será bom que as empresas pensem criticamente sobre a sua actividade no futuro próximo, quer no que respeita ao negócio, quer no que respeita aos recursos de que necessitarão para a prosseguir.

Diria que as três acções prioritárias deveriam ser (i) usar massivamente a inteligência artificial na actividade de cada colaborador, (ii) medir os impactos do uso dessa tecnologia e, (iii) em face dos resultados, diagnosticar as necessidades de conhecimento/ perfis profissionais que estão em falta e aqueles perfis que não são já hoje necessários, consequentemente ajustando o nível de emprego na empresa, e/ou a formação dos trabalhadores e/ou os processos de recrutamento.

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O trabalho em 2030
Estamos a quatro anos de 2030, pelo que é difícil fazer uma previsão desse tipo que não seja meramente especulativa. Assim, e sem querer repetir-me, parece-me que o factor tecnologia será o que mais impacto terá até 2030. Vamos assistir a uma aceleração intensa das capacidades tecnológicas e a uma disrupção relevante em certas actividades económicas. As empresas têm de estar muito alertas para essa realidade e garantir que são capazes de se adaptar rapidamente, devendo começar a agir já para suavizar os impactos. Não é um exercício fácil de fazer, mas é fundamental fazê-lo.

 

Este artigo foi publicado na edição de Janeiro (nº. 181) da Human Resources.

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Disponível nas bancas e online, na versão em papel e na versão digital.

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