
Desafios e prioridades para 2026. Pedro Raposo, DRH do Banco de Portugal: As primeiras consequências reais e palpáveis da IA como o grande desafio
Pedro Raposo director de Recursos Humanos do Banco de Portugal, faz notar que «o grande desafio para 2026 vai ser como lidar com as primeiras consequências reais e palpáveis em algumas funções e tarefas».
Embora muito tenha já sido escrito e falado em diversos seminários e palestras sobre a questão da inteligência artificial (IA), considero mesmo que o grande desafio para 2026 vai ser como lidar com as primeiras consequências reais e palpáveis em algumas funções e tarefas. A velocidade de implementação da IA nas organizações tem sido tal que será difícil aos Recursos Humanos preparar a tempo a requalificação e a transferência de funções de muitos trabalhadores.
Reconheço assim que esta tendência (que já é realidade) é aquela para a qual as organizações em geral ainda não estão preparadas. Deviam estar já a ser elaborados planos a médio prazo para a requalificação e aquisição de competências novas para grupos de trabalhadores que serão os primeiros a ser impactados pela IA.
Cada vez será mais decisivo reter o talento nas organizações, e reforçar e acompanhar a requalificação de trabalhadores, através de formação urgente. E a questão do pensamento crítico nos actuais trabalhadores, assim como nos futuros recrutamentos, será certamente a competência mais importante no horizonte próximo.
É muito difícil fazer “futurologia” – e quatro anos são uma eternidade quanto ao avanço tecnológico. Mas em 2030, teremos certamente muito menos trabalhadores com tarefas administrativas e trabalhos repetitivos. As funções mais técnicas não farão relatórios ou apresentações de raiz, mas irão corrigir esse trabalho realizado por IA. Sobrará mais tempo para pensar, reflectir e decidir. E isso será necessariamente bom.
Este artigo foi publicado na edição de Janeiro (nº. 181) da Human Resources.
Disponível nas bancas e online, na versão em papel e na versão digital.