Ricardo Martins, director-geral da Cegoc acredita que, «após um período de adaptação», «uma tendência mais racional e humana das organizações» entra finalmente em piloto automático.
Sem surpresa e por razões óbvias ligadas à emergência desta ferramenta tecnológica, o principal desafio da Gestão de Pessoas para o ano de 2026 será a optimização da Inteligência Artificial (IA), isto é, o modo como as organizações vão conseguir tomar as rédeas da integração da IA e, assim, torná-la um verdadeiro factor de desenvolvimento – não só do seu negócio como, do ponto de vista produtivo, de cada um dos seus profissionais.
Se 2025 marcou o início do contacto com a IA (com a excepção de algumas empresas nativas, que o fizeram ainda antes), prevejo que 2026 seja o ano da crescente familiarização, diria que sob duas tendências que formam, curiosamente, a mesma sigla: I de intensificação dos processos e práticas nas organizações que com ela já trabalham e A de alargamento do número de pessoas e organizações que, voluntariamente, vão passar a incorporá-la no seu quotidiano.
Esta plena integração da IA exige a envolvência dos Recursos Humanos e a formação. Em paralelo a este lado mais técnico ou prático, não é possível olhar para 2026 e dissociar outros aspectos disruptivos, mais ou menos evidentes, perante o legado dos tempos recentes. É impossível destacar um desafio, sem que a sua explicação não percorra outros temas, verdadeiramente encadeados em torno de uma perspectiva macro e global.
Assim, a boa Gestão das Pessoas passará, inevitavelmente, pela capacidade de potenciar uma cultura capaz de cuidar das suas pessoas. Nos últimos anos, verificámos que cresce a atenção relativamente aos tópicos da saúde mental e bem-estar, pelo impacto que têm nas organizações. Aspectos como o stress ou ansiedade laboral devem ser devidamente acautelados, e uma estratégia que vise captar e mobilizar os melhores talentos, exige aos profissionais de RH, e não só, capacidade de olhar para a saúde mental de forma integrada.
Em súmula, 2026 vai acentuar uma tendência mais racional e humana das organizações, com o bem-estar das pessoas na ordem do dia, em conjunto com modelos laborais mais híbridos e a utilização de tudo o que diga respeito à sua potenciação pela tecnologia. Estes factores, verdadeiramente competitivos, vieram mudar radicalmente a nossa visão do mundo, e agora, após um período de adaptação, entram finalmente em piloto automático.
Embora as organizações estejam mais sensibilizadas para a transformação digital a que assistimos diariamente, sentimos que ainda há um longo caminho a percorrer, no que diz respeito aos mecanismos de aquisição de competências neste campo.
Importa que os profissionais estejam cientes, em primeiro lugar, que a IA veio para ficar, e vai ganhar ainda maior relevância. Depois, urge compreender que a IA não tem obrigatoriamente de destruir postos de trabalho e funções. Pelo contrário, é uma ferramenta que tem como missão auxiliar os profissionais a melhorar a sua produtividade. Devidamente utilizada, deixará o pensamento humano ganhar escala, enquanto os aspectos mais “comezinhos” do funcionamento organizativo ficam a cargo da “máquina”. Mas, também por isso, a aposta na formação contínua ganha aqui impacto primordial. Quem não souber munir-se das competências necessárias para responder a estes desafios, nesse caso, sim, terá muitas dificuldades em adaptar-se aos novos tempos.
Não queremos fazer jus à máxima “casa de ferreiro, espeto de pau”, antes pelo contrário, por isso em 2026 vamos concentrar a nossa acção nas dimensões que também pugnamos para os nossos clientes e parceiros.
Assim, estamos apostados em dotar os profissionais da Cegoc das melhores valências em torno da IA, oferecer-lhes as ferramentas que permitam dominar o tema e ganhar eficiência através da tecnologia para, com isso, alocar o seu tempo às matérias para as quais o seu know how é verdadeiramente necessário e reconhecido.
Estamos, igualmente, cientes, da necessidade de continuar a desenvolver e cuidar das nossas pessoas, promovendo lideranças atentas a eventuais sinais de fadiga física e mental, preparando-as para apoiar eventuais circunstâncias de maior gravidade, de modo a oferecer as melhores condições para motivar e criar um ambiente focado no desenvolvimento dos negócios da Cegoc e da Neves de Almeida.
Por fim, o trabalho iniciado em 2025 de integração das nossas equipas e áreas de negócio vai ser potenciado. Confiamos nas equipas que constituem a Cegoc e a Neves de Almeida, e por isso somos ambiciosos quanto a objectivos de crescimento. Para isso, e num ano em que o Grupo CEGOS, a quem pertencemos, celebra 100 anos, estamos cientes que a fidelização e o cross-selling, através de uma presença constante junto dos nossos clientes, é a via fundamental para assegurar esse crescimento. Prezamos o contacto humano, pelo que este ano vamos também inaugurar novas instalações, na Primavera, onde vamos querer promover a realização de encontros de networking com clientes e parceiros, para troca de ideias e experiências, que nos parece essencial para evoluir e alcançar os objectivos a que nos propomos.
A quatro anos de distância, é verdadeiramente difícil prever qual “a grande diferença” que transformará o nosso mundo do trabalho em 2030. Os últimos anos provaram-nos isso mesmo. Em 2022, muito do que marcará este novo ano era, se não insondável, pelo menos improvável.
Apesar de não ter essa capacidade preditiva, atrevo-me a antecipar que os maiores méritos de hoje, continuarão a ser fundamentais amanhã: a resiliência, a disponibilidade para aprender e reconverter e, por fim, mas não menos importante, a abertura ao “novo” e à transformação.
Por isso, apostar nas lideranças e nas suas human/soft skills (cada vez mais transversais) terá um papel ainda mais decisivo, por capacitarem as organizações para as transformações tecnológicas e culturais que o tempo, inexoravelmente, nunca se dispensa de ditar.
Ao mesmo tempo, tudo indica que se acentuará o papel de cada indivíduo na evolução das suas competências e do seu percurso profissional. Os próprios terão cada vez mais em mãos o seu trajecto no campo profissional, portanto, a passividade e a inércia serão (ainda) mais penalizadas.














