Descida do IVA na restauração ajudaria a capitalizar empresas mas deve ser temporária

Human Resources com Lusa
22 de Setembro 2021 | 12:30
Descida do IVA na restauração ajudaria a capitalizar empresas mas deve ser temporária

O antigo secretário de Estado dos Assuntos Fiscais Carlos Lobo considera que deveria ser equacionada uma descida do IVA para a restauração – como o sector tem reclamado – sinalizando que a medida, a ser adoptada, teria de ser temporária.

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«Na óptica do risco foi uma das atividades económicas que sofreu significativamente [com a pandemia]. Temos de dar um contributo para a capitalização dos empresários da restauração. Acho efetivamente que a questão do IVA, temporária, pode ser uma medida significativa nesta recapitalização», referiu o antigo governante e especialista em direito fiscal, em entrevista à Lusa.

O IVA da restauração, refere, não é neutro – uma vez que os inputs desta actividade são maioritariamente adquiridos à taxa reduzida, havendo depois uma taxa de IVA mais elevada no momento da entrega do imposto -, o que acaba por afetar a capitalização destas empresas.

«Numa óptica de coesão e de distribuição temos que tomar aqui uma medida de tentativa de auxílio de um setor, que é um setor intensivo em termos de mão de obra e é crítico para a recuperação e em termos de emprego, e temos que o auxiliar neste movimento, já que foi dos mais afectados», precisa.

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Assim, «faz todo o sentido, numa forma temporária» equacionar uma descida do IVA na restauração.

Já no que diz respeito soluções que suavizem o impacto da subida dos preços da eletricidade, o antigo governante entende que o país não tem margem para tal, lembrado, a propósito, as medidas de redução da taxa do IVA que já foram tomadas.

Mais do que novas medidas, precisa, «o que precisamos é de uma melhor política reguladora ao nível da energia», de «sermos mais eficientes na produção de fontes alternativas» e «de gastar menos».

Numa altura em que Governo e partidos à esquerda do PS já iniciaram negociações sobre o Orçamento do Estado para 2022 (OE2022), Carlos Lobo assinala que a aprovação de um OE é um processo democrático, que resulta da conciliação de posições dos diversos partidos – já que o Governo não dispõe de maioria no parlamento -, em que se exige responsabilidade.

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«Os partidos também têm de ser responsáveis. Não podemos ignorar que estamos a sair – estamos a sair, vamos ver – de uma das maiores crises de sempre, que não podemos estar a atuar como se nada tivesse acontecido», refere Carlos Lobo.

Não se pode, no actual momento, estar a discutir «os mesmos temas que estávamos [a discutir] há dois anos», considera.

Para o antigo governante é necessário «colocar a prioridade na recuperação» económica, questão que entende que tem andado afastada do discurso dos partidos neste contexto de preparação do OE2022.

«Ainda não vi ninguém dos partidos a falar da questão da recuperação económica. Estamos a falar exatamente dos mesmos temáticas que tínhamos anteriormente», refere para sublinhar que o Governo não tem maioria, «mas tem uma linha» da qual não pode sair.

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«Pode fazer algumas cedências? Pode, quer ao nível da esquerda quer da direita, mas não pode colocar em causa a questão do crescimento e da solvabilidade do Estado», afirma Carlos Lobo, sustentado que o Programa de Recuperação e Resiliência (PRR) «é um elemento crucial», e que «a questão dos incentivos financeiros e da forma como vão ser usados é essencial».

Na sua opinião é, por isso, necessário ter uma «posição agregadora no sentido de quase um pacto nacional para o crescimento», o que «engloba os partidos da esquerda e os partidos da direita».

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