Descobriu que um colega mentiu no LinkedIn. Deve dizer algo ou ficar calado?

Human Resources
7 de Maio 2025 | 20:55
Descobriu que um colega mentiu no LinkedIn. Deve dizer algo ou ficar calado?

“Quem conta um conto acrescenta um ponto”, diz o ditado. O ser humano tem tendência para exagerar, seja na vida pessoal, a contar histórias ou peripécias, mas também na vida profissional, no CV, em entrevistas de emprego e no LinkedIn. Certamente, já se terá deparado com perfis de ex-colegas ou conhecidos que empolaram funções, aumentaram períodos em determinados cargos, ou formação universitária. O que fazer nesses casos? Chamar ou não a atenção dessas pessoas? E se o fizer, como fazê-lo de forma a não parecer mau ou mesquinho?

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Os especialistas dizem que o culpado por esta tendência de mentir é o mercado de trabalho actual. «Nem sempre se trata de engano — muitas vezes, trata-se de sobrevivência», explicou Patrice Williams-Lindo, fundadora e CEO da empresa de coaching Career Nomad ao HuffPost.

As pessoas estão assustadas. Entre despedimentos em massa, instabilidade económica e a IA a abalar sectores inteiros, os trabalhadores estão, compreensivelmente, a sentir a pressão para parecerem mais experientes, mais eficientes ou simplesmente serem mais visíveis. As próprias plataformas recompensam este tipo de exageros. Quanto mais chamativo for o perfil, maior será a probabilidade de se destacar — e este é um problema sistémico, não apenas pessoal.

Mas quando mente no seu currículo ou no LinkedIn, não está apenas a enganar os outros — está lentamente a corroer a sua própria confiança, alerta. «Está a pedir uma marca emprestada em vez de a construir. Em tempos de instabilidade, a tentação de exagerar na experiência é real, mas também o é o poder da autoconsciência», acrescenta.

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Os empregadores e recrutadores vêem os currículos e perfis do LinkedIn como iniciadores de conversas, e não como uma confirmação, alerta Stephen Dwyer, presidente da American Staffing Association. «Embora possa parecer óptimo ter um título pomposo ou várias recomendações, nada compromete mais rapidamente a confiança do que exageros nos currículos, na formação académica ou no histórico profissional. [Simplesmente] não vale a pena pôr em risco as perspectivas de emprego ou a reputação.»

Assim, se perceber que alguém está a publicar mentiras, deve falar ou ficar em silêncio? Williams-Lindo diz que é importante analisar a sua intenção: está genuinamente preocupado ou apenas irritado? «Se o exagero de alguém estiver a causar danos activamente — como bloquear um candidato mais qualificado ou enganar um recrutador —, contactar a fonte por mensagem directa é a melhor opção.» Ela sugere comunicar de forma respeitosa e não acusatória, por exemplo: “Olá, reparei em algo no teu perfil/currículo que pode parecer diferente do que pretendias…”

E acrescenta que as denúncias públicas raramente dão bons resultados. «Mesmo que tenha razão, pode acabar por parecer mesquinho. Num mundo digital onde todos lutam para serem vistos, a inteligência emocional é a verdadeira vitória. Aborde o tema em privado, a não ser que se trate de uma questão legal ou ética. Depois, aja com intenção e empatia.»

A menos que esteja directamente envolvido no processo de recrutamento ou que a sua empresa seja afectada, tentar intervir pode rapidamente parecer viés pessoal, disse a autora e coach de etiqueta certificada Jamila Musayeva. «Se for uma função formal na sua organização e houver uma deturpação clara, é apropriado denunciá-la discretamente ao departamento certo», observa. «O responsável de recrutamento tem o dever de verificar as qualificações.»

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Por mais tentador que possa ser no momento, os mexericos também não são uma atitude inteligente, acrescenta. «Não transmita as suas dúvidas aos outros. Fazer mexericos ou tentar atrair as pessoas para o seu lado vai reflectir-se mais negativamente em si do que na pessoa que está a criticar.»

No final, as pessoas embelezam por muitas razões, disse a especialista em bem-estar e cultura, Heather Lamb. «Às vezes é pressão. Às vezes é insegurança. Às vezes é sobrevivência», acrescentou. «Não serve de justificação, mas tente não se deixar incomodar. Redireccione a sua energia para os ambientes que está a moldar. As pessoas que realmente merecem ser reconhecidas pelo seu trabalho destacam-se sempre.»

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