Os dados mais recentes da plataforma de comparação de energia ComparaJá identificam estas reduções como um dos factores que mais distorcem a comparação feita a partir dos sites das comercializadoras.
O mecanismo é simples de explicar e difícil de detectar. As comercializadoras publicam o preço do kWh e o termo fixo de potência, que são os elementos regulados e comparáveis. Sobre esses valores aplicam depois descontos que dependem do comportamento do cliente: aderir ao débito directo, dispensar a factura em papel, contratar electricidade e gás natural em conjunto, manter o contrato durante um período mínimo, ou aderir através de um canal específico. Cada um vale poucos pontos percentuais. Somados, mudam a ordem do ranking.
O problema é que estes descontos nem sempre são apresentados com o mesmo destaque do preço base, e quase nunca aparecem no mesmo ecrã. Uma família que compare três propostas pelo preço do kWh pode estar a comparar valores que não são equivalentes, porque uma delas já inclui condições que as outras só aplicam depois. O resultado é uma escolha tecnicamente informada e materialmente errada.
Há um segundo efeito, menos óbvio, que é o da perda silenciosa. Muitos destes descontos são condicionais e mantêm-se apenas enquanto a condição se verificar. Uma alteração de conta bancária que quebre o débito direto, um pedido pontual de fatura em papel ou o fim de uma campanha promocional podem retirar o desconto sem que o consumidor associe a subida da fatura a essa causa. A conta sobe, atribui-se ao consumo, e o contrato mantém-se.
Segundo André Nunes, especialista do ComparaJá na área de energia, este é o ponto em que a comparação feita em casa costuma falhar. «As pessoas comparam o preço da energia e esquecem-se de verificar se o desconto que viram está sujeito a condições e por quanto tempo se mantém. Depois há o caso inverso, que é o de quem já tem um desconto e o perde por uma alteração administrativa sem se aperceber. Convém rever a factura pelo menos uma vez por ano e confirmar que as condições que foram contratadas ainda estão a ser aplicadas», afirma.
A recomendação prática que resulta destes dados é comparar sempre pelo valor total mensal estimado para o consumo real da casa, e não pelo preço unitário. Esse valor incorpora o termo de potência, o termo de energia, os descontos aplicáveis e os impostos, e é o único número que permite pôr propostas diferentes lado a lado. Para o encontrar é preciso ter à mão o consumo dos últimos 12 meses e a potência contratada, dois dados que constam de qualquer fatura.
As comparações gratuitas do simulador ComparaJá detalham as diferenças de preço por perfil de consumo e ajudam a explicar o que verificar antes de escolher um fornecedor de electricidade.














