Devido à crise provocada pela pandemia COVID-19, o Fundo Monetário Internacional (FMI) calcula que os desempregados da pandemia que conseguirem arranjar um emprego vão aceitar os novos postos de trabalho com uma “penalização” salarial de 15%, em média, revela o Dinheiro Vivo.
Este fenómeno tende a ser mais grave entre os mais jovens, os que trabalham em sectores dependentes de contacto físico e viagens, pessoas com qualificações mais baixas ou que, por causa desta crise, foram excluídas por formas de trabalho à distância e mais baseadas em tecnologias substituídas por processos automatizados, por exemplo, enumera o FMI num dos capítulos analíticos do Panorama Económico Mundial (World Economic Outlook).
Segundo esta nova análise, apresentada no arranque das reuniões da primavera do FMI e do Banco Mundial, em Washington, «a recessão pandémica deverá infligir custos consideráveis aos trabalhadores desempregados, especialmente aos menos qualificados. Embora não seja pouco comum que os trabalhadores venham a ser realocados entre sectores e ocupações após estes períodos de desemprego, esse ajustamento sai caro [aos empregados].»
«Em média, os trabalhadores que encontram emprego numa ocupação diferente da que era o seu trabalho anterior à crise enfrentam uma penalização [corte] no salário médio de cerca de 15%. Portanto, este ajustamento via desemprego aponta para grandes custos pessoais e sociais», referem os peritos, citados pelo Dinheiro Vivo.
«Os trabalhadores com menores qualificações experimentam um golpe triplo: são mais propensos a trabalhar em setores mais afetados negativamente pela pandemia; são mais propensos a ficar desempregados em recessões; e os que conseguem encontrar um novo emprego, são mais propensos a necessitar de mudar de ocupação, sofrendo com isso uma queda nos seus rendimentos», conclui o FMI.
«Esta realocação de trabalhadores entre sectores e ocupações é mais provável após um período de desemprego, mas o custo é elevado alto, já que a remuneração média cai para os que mudam», revela o estudo.
Segundo a publicação, nesse sentido, o FMI defende que as políticas de protecção de empregos (veja-se o caso do lay-off simplificado em Portugal) podem ajudar a reduzir a destruição de emprego e os despedimentos, “especialmente entre os menos qualificados”, “ao passo que as medidas de apoio à realocação de trabalhadores podem aumentar as perspetivas” quando se trata de encontrar novos postos de trabalho.














