Desmotivação no trabalho: vamos a contas?

Senhor empresário, sabe quantos dos seus trabalhadores estão descontentes e a produzir muito pouco? Sabe quanto dinheiro desperdiça por simplesmente ignorar tê-los ao seu lado?

Por Margarida Bonito, coach de Relações Laborais

 

O mundo vive uma crise de desmotivação laboral. Quem o diz é a Gallup – uma empresa global que fornece análises e conselhos para ajudar líderes e organizações a resolver seus problemas mais prementes.

De acordo com a mesma organização, existem três tipos de trabalhadores:

– os ‘engaged’ – conhecidos por serem trabalhadores que vestem a camisola e altamente entusiásticos, muito donos das suas tarefas e, por isso mesmo, a conduzir  as  empresas rumo ao desenvolvimento e inovação;

– os ‘not engaged’ –  ou, como gosto de chamar-lhes, trabalhadores tanto-lhes-faz, que psicologicamente, não têm qualquer ligação com a empresa; que poderiam estar a trabalhar ali ou num qualquer outro lugar;  e que por isso,  trabalham sem energia ou entusiasmo;

– os ‘actively disengaged’ – ou trabalhadores ‘sabotadores’, que estão absolutamente infelizes e quase sempre a contaminar, com as suas atitudes e comportamentos negativos,  colegas e tarefas.

Hoje sabemos que a realidade laboral mudou. Já não se quer um emprego para a vida toda. E ainda bem! Hoje, a busca pela felicidade passa,  não só pelo tempo dedicado a férias, família e amigos mas muito, e também, pelas oito horas diárias que passamos a trabalhar.  Queremos que o nosso trabalho seja, ele mesmo uma experiência, onde nos possamos desenvolver e crescer; participar e contribuir; reconhecer e sermos reconhecidos. E, diga-se, se este é o cenário ideal para qualquer trabalhador, também o é para empregadores que vão, assim, poder dedicar-se à árdua, mas essencial tarefa, de projectar o futuro da empresa.        Ora, sendo este o panorama desejado não é, contudo, a realidade portuguesa. Segundo os mais recentes estudos da Gallup, só 16% dos trabalhadores portugueses entram na categoria  de ‘engaged’. O que significa que os restantes 84% estão infelizes e a contribuir muito pouco para o progresso do seu local de trabalho. Esta maioria (muitas vezes silenciosa, perita em criticar entre-dentes) apenas trabalha para pagar contas, não retirando do seu trabalho qualquer tipo de compensação psicológica ou sentido de realização. Faz, apenas, o estritamente necessário; nem mais, nem menos.

Portanto, a primeira e mais evidente conclusão, é a de que ainda continuamos a encarar o trabalho como uma obrigação e um sacrifício, muito pouco fazendo para melhorar os dias, as horas, o anos a que a ele vamos dedicar.

A segunda inferência que daqueles números advém, é a de que, ao fazermos apenas o estritamente necessário, produzimos menos. E ao produzir menos, acabamos por conduzir a empresa a inevitáveis perdas de oportunidade, a uma diminuição no volume de negócios e, consequentemente, redução dos lucros.

E, por isso eu pergunto: “Senhor empresário, conhece a sua realidade laboral? Sabe quantos dos seus trabalhadores estão descontentes e a produzir muito pouco? Sabe quanto dinheiro desperdiça por simplesmente ignorar tê-los ao seu lado?”

Vamos a contas?

 

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