Para assinalar o Dia Internacional da Mulher, a Human Resources conversou com algumas mulheres, líderes em vários sectores. Além de mudanças urgentes, conquistas e desafios ultrapassados, Diana Melo, Chief Operations Officer da Loba, partilha conselhos para a próxima geração de mulheres que ambiciona liderar e influenciar o futuro.
Por Tânia Reis
Diana Melo é Chief Operations Officer da Loba e passou por vários sectores de actividade como saúde, social, industrial e eventos. Autora de um livro infantil.
Que mudança estrutural considera mais urgente para acelerar a igualdade de género no mundo do trabalho?
A mudança mais urgente é a transparência salarial e de progressão. O que não se mede, não se gere. É vital abandonar as intenções e implementar auditorias ao gender pay gap, garantindo que o mérito real se sobrepõe à ‘disponibilidade total’, que penaliza as mulheres, sobretudo na maternidade. Ao tornar os dados claros e os critérios objectivos, eliminamos enviesamentos e garantimos que o talento ascende pela competência, tornando a equidade um indicador de sucesso do negócio.
Ao longo da sua carreira, que barreira ou momento desafiante sente que mais influenciou a profissional que é hoje?
O meu maior desafio foi decidir afastar-me de uma gestão baseada no medo e no controlo rígido. Trabalhar sob vigilância e coacção constante ensinou-me, por contraste, que a performance não nasce do receio, mas da liberdade e confiança. Ter a coragem de me despedir, mesmo sem muitas referências de cultura organizacional, foi decisivo para definir os meus valores: a liderança deve ser inspiração e não fomento do medo. Hoje, essa vivência sustenta a minha defesa de culturas psicologicamente seguras.
Que conselho deixaria à próxima geração de mulheres que ambiciona integrar o futuro das suas áreas?
O meu conselho é que não esperem pela oportunidade: assumam a posição. Subsiste um mindset de passividade que deve ser substituído por uma ambição verbalizada. É fundamental dar voz às metas que se pretende alcançar, sem permitir que o receio de conciliar papéis, como o da maternidade, silencie a voz activa. Para que decisores e RH possam potenciar o talento, precisam de conhecer as ambições; apenas com essa clareza mútua é possível construir o caminho para lá chegar.
De todas as conquistas da sua carreira, qual considera mais significativa — e por que razão esse momento marcou o seu percurso enquanto programadora?
A minha maior conquista foi a promoção a um cargo C-Level em plena licença de maternidade. Ainda ouvimos poucas histórias como a minha, o que torna este momento um marco de superação. Esta promoção foi o reconhecimento máximo do meu valor e a prova de que o mérito não deve ser interrompido por um período de ausência. Este marco definiu-me como líder: deu-me a prova real de que é possível humanizar as organizações e valorizar o talento acima de qualquer enviesamento.














