Dia Internacional da Mulher | O conselho de Laetitia Casanova, B Lab Portugal: «Avancem com confiança e candidatem-se aos lugares que desejam, sem esperar ser convidadas»

Tânia Reis
8 de Março 2026 | 12:20

Para assinalar o Dia Internacional da Mulher, a Human Resources conversou com algumas mulheres, líderes em vários sectores. Além de mudanças urgentes, conquistas e desafios ultrapassados, Laetitia Casanova, directora do B Lab Portugal, partilha conselhos para a próxima geração de mulheres que ambiciona liderar e influenciar o futuro. 

Por Tânia Reis

Laetitia Casanova é directora do B Lab Portugal, lidera a rede sem fins lucrativos de B Corps que quer transformar a economia global em benefício das pessoas, comunidades e do planeta. Especialista em consultoria estratégica e empreendedorismo tem promovido mudanças estratégicas nas empresas há 25 anos.

 

Que mudança estrutural considera mais urgente para acelerar a igualdade de género no mundo do trabalho?

Continue a ler após a publicidade

Começar pelo essencial: aplicar a regulamentação! A directiva Women on Boards estabelece que as grandes empresas cotadas na União Europeia devem ter pelo menos 40% de mulheres entre os administradores não executivos, ou 33% do total dos lugares de administração, até 30 de Junho de 2026. A Directiva 2023/970 por sua vez introduz novas exigências de transparência salarial e igualdade de remuneração. Portugal tem até 7 de Junho de 2026 para a transpor para a legislação nacional. Só faltam três meses, não há tempo a perder!

 

Ao longo da sua carreira, que barreira ou momento desafiante sente que mais influenciou a profissional que é hoje?

Continue a ler após a publicidade

A maior parte da minha carreira foi em consultoria estratégica, trabalhando com grandes empresas, em projectos internacionais. Ali senti poucas diferenças de tratamento, sobretudo em empresas de cultura anglo-saxónica: um ambiente exigente, meritocrático, onde tive progressão rápida e oportunidade de aprender imenso com líderes mulheres. À medida que fui assumindo mais responsabilidades, a presença feminina tornava-se mais rara, e tornar-me sócia foi desafiante — mas sabia o que queria.

 

Que conselho deixaria à próxima geração de mulheres que ambiciona liderar e influenciar o futuro das suas áreas?

Três coisas: primeiro, avancem com confiança e candidatem-se aos lugares que desejam, sem esperar ser convidadas. Depois, denunciem sempre as entorses à igualdade de género: capas de jornal apenas com homens, órgãos de decisão desequilibrados, distorções no reconhecimento, etc… A vergonha não é de quem denuncia, é de quem continua a agir assim! Por fim, proponham soluções e apoiem outras mulheres. Há muito talento feminino e ele é essencial ao sucesso das empresas e das nações.

 

Continue a ler após a publicidade

De todas as conquistas da sua carreira, qual considera mais significativa — e por que razão esse momento marcou o seu percurso enquanto líder?

Liderar hoje o movimento B Corp em Portugal. Este movimento é conhecido pela certificação B Corp, atribuída a empresas que cumprem standards verificados de desempenho social e ambiental, transparência e responsabilidade. Mas a sua ambição é mais ampla: transformar a forma como se faz negócio.

Este papel representa a síntese do que valorizo profissional e pessoalmente: desafios que ligam economia, ambiente e sociedade; uma forte dinâmica de desenvolvimento — crescemos 64% em dois anos; a colaboração com parceiros e talentos para gerar impacto positivo.

Partilhar


Mais Notícias