Dia Internacional dos Recursos Humanos. «O futuro do trabalho é, finalmente, humano», afirma Mariana Canto e Castro (Randstad)

Por ocasião do Dia Internacional dos Recursos Humanos, que se celebra hoje, a Human Resources perguntou a especialistas o que mudou radicalmente na forma como as empresas avaliam o talento desde o ano passado até hoje. Conheça a análise de Mariana Canto e Castro, vice president, Business HR, Randstad Portugal.

Tânia Reis
20 de Maio 2026 | 11:30

O Renascimento do Humano: talento além do Algoritmo

Numa busca um pouco desesperada por um ficheiro perdido nos milhares de ficheiros do meu PC, tão perdido que nem o Gemini o encontrava facilmente, deparei-me com um “tesourinho”: um relatório de entrevista de há cerca de 25 anos.

Comecei a reflectir o que se fazia naquela época: avaliávamos “recursos”, olhávamos para papéis, carimbos de universidades prestigiadas e lacunas no currículo que tratávamos quase sempre como sentenças de exclusão: ou tudo encaixava num padrão pseudo correcto de um perfil pseudo fantástico ou não se olhava 2.ª vez para uma carta de candidatura ou para um CV.

Mas o que mudou radicalmente desde então para cá não foi apenas a profunda evolução da tecnologia de que todos falam. Foi o despertar da consciência corporativa para os direitos humanos como o filtro supremo e definitivo do talento. Como tem de ser!

Durante décadas, o mercado de trabalho funcionou como um clube exclusivo. Se não tivesses as conexões certas ou o diploma “correcto”, estavas fora. Recentemente, porém, assistimos a uma revolução silenciosa, mas poderosa. As empresas finalmente entenderam que procurar talento é, antes de tudo, um acto de justiça social e reconhecimento da dignidade humana. E vice versa! Porque dignidade humana é aceitarmos a diferença e a riqueza que dela advém.

Continue a ler após a publicidade

O que mudou? Deixámos de perguntar “onde estudaste?” para perguntar “o que és capaz de fazer e quem és tu?”. Esta transição para o modelo de Skills-First é a maior vitória dos direitos humanos que já vi na minha carreira. Quando removemos a exigência de diplomas desnecessários, estamos a abrir as portas genuinamente para TODOS; inclusão em estado puro!

Avaliar talento hoje é um exercício de humildade. É admitir que o potencial humano não tem código postal, cor de pele ou género. É entender que a diversidade não é uma meta de marketing, mas o direito fundamental de cada indivíduo de ser visto na sua totalidade, na sua individualidade e diferença.

E sim, a Inteligência Artificial chegou com força. Mas, ironicamente, ela forçou-nos a ser mais humanos do que nunca. No último ano, percebemos que um algoritmo pode processar dados, mas não consegue sentir a resiliência de quem superou adversidades, nem a paixão de quem quer transformar o mundo. De quem combateu o preconceito, de quem passou para o outro lado do muro do privilégio, de quem parou de trabalhar durante anos para cuidar da família e quer regressar, de quem está na idade dourada, mas quer ou precisa de continuar….

Continue a ler após a publicidade

Como líderes de RH, o nosso papel mudou. Hoje, avaliamos a empatia, a ética e a capacidade de colaboração — competências que nenhum software consegue simular perfeitamente e que são a base de uma sociedade mais justa.

Se há algo que aprendi nestes mais de 25 anos em multinacionais, grandes e médias empresas, sector público e privado, é que as empresas que prosperam são as que cultivam um ambiente onde o talento se sente seguro para ser humano, genuíno e autêntico! Não contratamos apenas “mãos” ou “cérebros”; acolhemos vidas. E reconhecer que o trabalhador tem o direito a uma vida plena fora do trabalho é, talvez, a mudança mais inspiradora de todas.

Para quem está a começar ou para os meus colegas de jornada: o nosso legado não será medido pelo número de contratações, mas por quantas barreiras derrubámos. O talento do futuro é inclusivo, é diverso e, acima de tudo, é humano.

Finalmente estamos a aprender a olhar nos olhos de quem recrutamos e ver, antes de um candidato, um ser humano pleno de direitos e sonhos; uma pessoa; o membro de uma família que naquele dia vai chegar a casa com o potencial de uma nova história a começar diante de si!

O futuro do trabalho é, finalmente, humano.

Continue a ler após a publicidade
Partilhar


Mais Notícias