Directores de Hotéis mantêm-se apreensivos com falta de mão de obra qualificada

Human Resources com Lusa
1 de Abril 2022 | 17:40

A Associação dos Directores de Hotéis de Portugal voltou a mostrar-se preocupada com a falta de mão-de-obra qualificada no sector do turismo, alertando para a necessidade de se criarem condições para fixar jovens qualificados na actividade.

 

«Temos de criar soluções para dignificar profissões no setor do turismo e dar condições para os jovens ficarem no país. Grande parte dos alunos, nesta área, fazem Erasmus ou vão para estágios fora do país, e contactam com uma realidade mais atractiva. Depois, é difícil regressarem a Portugal», disse Raúl Ribeiro Ferreira, presidente da Associação dos Directores de Hotéis de Portugal (AHDP).

O dirigente, que abriu os trabalhos do XVIII Congresso Nacional da associação, realizado em Vila do Conde, distrito do Porto, considerou que o sector ainda carece de 120 mil pessoas, lembrando que os recursos humanos são «fundamentais» para a retoma no pós-pandemia.

«Nesta fase, o foco tem de estar nos recursos humanos. É algo que já temos alertado desde 2013, com a desregulamentação das profissões, que traz um afastamento do mercado do trabalho no nosso sector. Não podemos deixar que a mão-de-obra no turismo perca o interesse», alertou o líder da ADHP.

Continue a ler após a publicidade

Raúl Ribeiro Ferreira também vincou que é preciso pessoas qualificadas para trabalhar no sector, lembrando que «é isso que faz a diferença de Portugal ter um turismo de qualidade que se possa diferenciar».

«Temos de aumentar a qualidade na formação nos estabelecimentos de ensino, mas também dar oportunidade para que associações como a nossa possam ter acesso a financiamento para fazer formação. Somos uma indústria de pessoas para pessoas, e sabemos que o potencial humano faz a diferença de qualidade nas nossas unidades», disse o dirigente.

Também por isso, o presidente da ADHP aponta que «a atractividade no recrutamento para o sector passa por melhores vencimentos e pela gestão de expectativas de carreira nos jovens», aguardando a «renovação da tabela de classificação dos hotéis com a introdução da valorização dos recursos humanos».

Continue a ler após a publicidade

Em sintonia com Raúl Ribeiro Ferreira nesta questão da mão de obra, mostrou-se a secretária de Estado do Turismo, Comércio e Serviços, Rita Marques, que também participou na abertura do congresso.

«Preocupa-nos a falta de capital humano. Temos que ter uma política de acolhimento para os migrantes, mas também uma elevada aposta na qualificação dos recursos humanos. Só assim podemos continuar a crescer em valor», disse a governante.

Rita Marques reconheceu que esse é um trabalho que tem de ser feito «pelo Governo lado a lado com as associações e o sector privado».

«Sabemos que as condições remuneratórias não são as ideais, sendo até inferiores a algumas médias nacionais, mas temos de fazer esforço para as mudar. Este é um sector desgastante, onde se trabalha quando os outros descansam. Por, isso temos de premiar quem exerce a sua actividade», apontou a secretária de Estado.

Partilhar


Mais Notícias