A produtividade e qualidade do trabalho dos funcionários públicos colocados em teletrabalho manteve-se igual ou melhorou por comparação com o registado quando estão em regime presencial, segundo os resultados de um estudo realizado pela DGAEP.
De acordo com o estudo “A adaptação dos modelos de organização do trabalho na administração pública central durante a pandemia de COVID-19: dificuldades e oportunidades”, que é hoje apresentado, a maioria dos dirigentes das 29 entidades da administração central directa e indirecta participantes, dá nota positiva à qualidade do trabalho.
«Cerca de 60% dos dirigentes respondentes avalia a qualidade do trabalho como sendo a mesma, independentemente dos seus trabalhadores estarem a trabalhar presencialmente ou em teletrabalho», refere o estudo, precisando que «27,27% dos dirigentes acham que a qualidade do trabalho melhorou ou melhorou muito quando desempenhado em regime de teletrabalho».
Apenas 12,41% dos dirigentes dão nota negativa quando questionados sobre a qualidade do trabalho desenvolvido em teletrabalho.
O estudo revela ainda que a maioria dos dirigentes (66,61%) não encontrou resistência ao teletrabalho por parte dos trabalhadores, enquanto 52% refere também não ter havido nunca ou quase nunca resistência quando as condições permitiram o regresso ao trabalho presencial.
«Não obstante, 37,41% referem que esta resistência [de regresso ao trabalho presencial] se manifestou por vezes e 9,79% admitem que ela se fez notar sempre ou quase sempre», refere o estudo.
O estudo, realizado em Janeiro, mostra que 48% dos trabalhadores percepciona existir um “estigma” por parte das chefias relativamente aos trabalhadores em teletrabalho, mas do lado dos dirigentes a percentagem é menor.
«Do casamento das percepções dos diferentes grupos profissionais resulta claro que a adopção do teletrabalho como modalidade de trabalho a longo prazo tenderá a confrontar-se com divergências de sensibilidades por parte de quem o venha a coordenar e supervisionar», salienta o documento.
Prós e contras
Os resultados do inquérito mostram ainda que a redução do contacto presencial com os colegas é para 78% dos funcionários públicos um dos pontos negativos do teletrabalho. Mas não é o único: 66% dos inquiridos aponta o aumento de gastos com Internet, energia, computadores e outros elementos necessários para trabalhar em casa, 63% a possibilidade de trabalhar mais horas sem dar por isso, havendo ainda 57% que consideram como ponto negativo o perigo de maior isolamento social.
Por outro lado, a maior parte (72%) considerou o ganho de tempo pelo facto de se evitarem deslocações casa-trabalho-casa como uma das maiores vantagens do teletrabalho, havendo 54% que apontou também o efeito positivo na conciliação da vida profissional e familiar e 52% que veem nesta organização do trabalho imposta pela pandemia um contributo para se repensar de forma estrutural os modelos de organização do trabalho na Administração Pública.
De acordo com o estudo, entre os trabalhadores que estiveram em teletrabalho – e que chegaram aos 68 mil durante o primeiro confinamento geral, em 2020 – mais de um terço (37,02%) afirmou que a entidade empregadora não lhe disponibilizou quaisquer meios ou equipamentos para poder realizar a sua actividade em teletrabalho.
A estes somam-se 28,28% que admitem que houve uma disponibilização parcial de meios, sendo que 34,7% afirmam ter havido disponibilização dos meios e equipamentos necessários para o teletrabalho.
«De entre as entidades estudadas, foram os trabalhadores das direcções-gerais os mais penalizados com a ausência de distribuição de meios tecnológicos (cerca de 49%)», refere o estudo, assinalando que «dos dados recolhidos resulta evidente que sem os meios tecnológicos particulares fornecidos pelos próprios teletrabalhadores, o teletrabalho na Administração Pública central durante a pandemia ter-se-ia revelado de execução muito mais difícil».
Apesar de até Março de 2020, apenas pouco mais de 1% destes trabalhadores ter tido alguma experiência de teletrabalho, o estudo indica que a quase totalidade dos trabalhadores que teve de trabalhar a partir de casa não revelou problemas de adaptação.
«O nível de conhecimentos informáticos da maioria dos trabalhadores não se revelou como óbice à possibilidade de trabalharem em regime de teletrabalho. Com efeito, das 29 entidades inquiridas, 21 afirmaram que os conhecimentos informáticos dos trabalhadores se revelaram suficientes para poderem trabalhar remotamente», assinala o estudo.
Os dirigentes entrevistados também não reportaram a existência de desafios desiguais de adaptação ao teletrabalho de carreira para carreira, tendo indicado a comunicação como o maior desafio do teletrabalho, seguindo-se a coordenação das equipas e o problema dos equipamentos.
Quando questionados sobre o local em que, no futuro, poderiam desenvolver o seu trabalho em regime de teletrabalho, a esmagadora maioria dos inquiridos (88%) «elege o domicílio como o lugar de eleição».
A maioria (68,86%) também é da opinião que o teletrabalho fomenta a conciliação da vida profissional, familiar e pessoal e apenas 16,69% pensam de maneira inversa.
Este estudo, a que a Lusa teve acesso e que é hoje apresentado numa sessão em que estarão presentes a ministra da Modernização do Estado e da Administração Pública, Alexandra Leitão, e o secretário de Estado da Administração Pública, José Couto, contou com a participação de 4.445 trabalhadores de um universo dos mais de 42.000 que integram aquelas 29 entidades.














