A vice-presidente da District 2020, a futura cidade human-centric desenvolvida a partir da Expo Dubai, disse, em entrevista à Lusa, que quer atrair startups disruptivas da indústria para este projecto que está a ser criado no emirado.
«É a minha primeira vez na Web Summit e estou muito impressionada», afirmou Nadimeh Mehra, que é vice-presidente da unidade de transição da Distric 2020, no Dubai.
«Estamos nesta edição [da Web Summit] por causa do ecossistema que estamos a criar para a futura cidade» depois Expo 2020 Dubai, que está a decorrer desde 1 de Outubro e termina em 31 de Março de 2022.
Após o fim da Expo, «entramos e fazemos a transição para um desenvolvimento de uso misto completo», mas o que «é realmente importante é o ecossistema», salientou.
«Temos um ecossistema com curadoria que está agora ativamente à procura, embora venhamos a receber inquilinos e visitantes» no lugar da Expo em Outubro de 2022.
Este ecossistema é assente em inovação e «estamos a construir uma cidade inteligente centrada no ser humano [human-centric] e isso irá permitirá que as startups floresçam e cresçam dentro dos Emirados Árabes Unidos e tenham acesso a todo mercado do Médio Oriente, Norte de África e Sudeste Asiático», explicou.
«Não teremos um laboratório startup, teremos vários laboratórios» na Distric 2020, salientou Nadimeh Mehra.
A responsável explicou que uma das «principais propostas» de carácter exclusivo é o «laboratório vivo» porque há «uma inteira cidade inteligente que está a ser desenvolvida».
Empresas, startups, entre outras, podem ir para a Distric 2020 e provar o seu conceito através do desenvolvimemento desta plataforma, refere.
«Portanto, esta é uma oportunidade única para entidades que trabalham com inteligência artificial e Internet das coisas», apontou.
«Fomos escolhidos pelo Dubai como um centro de impressão 3D, por isso há muitas oportunidades», reforçou, apontando que a District 2020 não é um laboratório, mas antes um facilitador.
«Estamos a conversar com corporações importantes em todo o mundo, em setores emergentes específicos que são muito importantes para a região», contou.
Por exemplo, apontou, a Siemens Energia irá abrir uma sede, a chinesa Terminus Technologists irá , ter a sua primeira representação fora do país na Distric 2020, tal como o Dubai Ports World.
«Queremos que as startups venham e quando digo startups aqui, quero que os disruptores da indústria sejam colocados na Distric 2020, próximo a essas âncoras fundamentais para que possam colaborar e crescer», salientou.
Nesse sentido, «estamos a falar com as startups, ver o que é importante para elas no desenvolvimento que pretendem vier, trabalhar e explorar», explicou.
Trata-se de um «hub de inovação», sublinhou Nadimeh Mehra.
Sobre o que diria a uma startup para a convencer mudar-se para o Dubai, afirma: «Se pretende colocar-se ou posicionar a sua marca num mercado que lhe permita ter acesso a uma região muito mais ampla» a Distric 2020 é a resposta.
«Fizemos muito trabalho para as empresas, fizemos muitas análises ao longo de cinco anos sobre as tendências dos nossos mercados emergentes regionalmente» e isso culminou em quatro indústrias que irão contiar a crescer regionalmente: cidades inteligentes, indústria 4.0, logística inteligente e mobilidade inteligente.
«Se tiver uma startup disruptiva e estas indústrias atenderem as suas necessidades, então pode imaginar a capacidade de crescimento do negócio e o apetite para receber financiamento», salientou.
Por exemplo, «somos o segundo na região para financiamento do crescimento do ecossistema» na fase inicial (early stage), argumentou, referindo que nos últimos dois anos e meio foi investido cerca de 500 milhões de dólares neste âmbito.
Além disso, «é um óptimo lugar para se viver, fomos classificados como um dos mais resilientes países durante a pandemia e há um grande foco na felicidade e tolerância no Dubai, Emirados Árabes Unidos, e acho que as pessoas querem viver num lugar que não só é ótimo para o negócio, mas também para viver, mas também por causa da saúde e do bem-estar», concluiu Nadimeh Mehra.
A Web Summit arrancou em 1 Novembro e termina hoje em Lisboa, em modo presencial, depois de a última edição ter sido online e a organização espera cerca de 40 mil participantes, segundo revelou, em setembro, Paddy Cosgrave, presidente executivo da cimeira.
A comediante Amy Poehler, o presidente da Microsoft Brad Smith, a comissária europeia Margrethe Vestager e o jogador de futebol Gerard Pique irão juntar-se aos mais de 1000 oradores, às cerca de 1250 startups, 1500 jornalistas e mais de 700 investidores, numa cimeira na qual serão discutidos temas como tecnologia e sociedade, entre outros, de acordo com a organização.
Apesar do número previsto de visitantes ser este ano cerca de menos 30 mil do que na última edição presencial, em 2019, as autoridades consideram que se trata do «maior evento de 2021» a ter lugar em Lisboa.














