Diversidade e Inclusão: vantagens estão provadas mas a maioria das empresas não a põe em prática. O que fazer?

Human Resources
12 de Setembro 2023 | 11:50

Altos níveis de diversidade e inclusão no local de trabalho estão associados a uma maior produtividade, inovação e bem-estar da força de trabalho, mas muito pouco está a ser feito para os promover, o que significa que as empresas, os trabalhadores e as sociedades estão a perder benefícios consideráveis.

 

Uma em cada quatro pessoas não se sente valorizada no trabalho e as que se sentem incluídas ocupam cargos superiores, segundo um novo relatório sobre diversidade e inclusão da Organização Internacional do Trabalho (OIT).

Níveis elevados de igualdade, diversidade e inclusão estão associados a uma maior inovação, produtividade e desempenho, recrutamento e retenção de talentos, e bem-estar da força de trabalho. No entanto, o inquérito revelou que apenas metade dos inquiridos afirmou que a diversidade e a inclusão estavam suficientemente identificadas e dotadas de recursos na cultura e estratégia dos seus locais de trabalho. Apenas um terço das empresas avalia actualmente a inclusão, embora isso seja essencial para o progresso.

Estudos anteriores sobre diversidade e inclusão tenderam a centrar-se em grandes empresas, frequentemente multinacionais, dos países ocidentais com rendimentos elevados. O novo relatório, “Transformar as Empresas através da Diversidade e Inclusão”, centra-se em empresas de todas as dimensões em economias de rendimento médio-baixo e médio-alto e reúne informações de um conjunto diversificado de colaboradores, gestores e quadros superiores. Reflecte a variedade em termos de idade, género, orientação sexual, grupos étnicos/raciais/religiosos, pessoas com deficiência e pessoas com VIH.

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O estudo concluiu que o sentimento de inclusão no local de trabalho estava mais associado à antiguidade do que aos antecedentes pessoais, ou a características como a idade, o género ou a etnia/raça/ religião. 92% dos quadros superiores afirmaram sentir-se incluídos e que a diversidade era respeitada e valorizada no trabalho, em comparação com 76% dos inquiridos de nível inferior. A mão-de-obra das médias, grandes empresas e multinacionais também se sentia mais positiva do que a das pequenas empresas e das empresas nacionais.

A diversidade e a inclusão desempenham um «papel fundamental… no elevado desempenho da força de trabalho, das empresas, das economias e das sociedades a nível mundial», observa o relatório. «Se a inclusão continuar a ser um privilégio apenas para os quadros superiores, as empresas arriscam-se a perder benefícios consideráveis.»

Apenas um quarto dos inquiridos referiu que as mulheres constituíam uma massa crítica (40 – 60%) dos quadros superiores, e um terço afirmou que não havia pessoas com deficiência em níveis superiores. Alguns grupos minoritários também relataram menos experiências positivas com a inclusão, e estes grupos também tendiam a estar agrupados em níveis de pessoal mais juniores.

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«A pandemia de COVID-19 expôs e exacerbou as desigualdades existentes nas nossas economias e sociedades. Um local de trabalho equitativo, diversificado e inclusivo é um factor essencial de resiliência e recuperação», nota Manuela Tomei, directora do Departamento de Condições de Trabalho e Igualdade da OIT.

As informações do estudo foram recolhidas entre Julho e Setembro de 2021, a mais de 12 mil trabalhadores em 75 países das cinco regiões. Dois terços dos inquiridos referiram que, desde o início da crise, o nível de atenção e acção em matéria de diversidade e inclusão nos seus locais de trabalho aumentou. Uma proporção semelhante afirmou que a pandemia aumentou as suas expectativas relativamente aos empregadores no que respeita à promoção de diversidade e inclusão. O relatório revela que a forma mais provável de influenciar mais empresas no sentido de criarem mudanças sustentáveis e transformadoras consiste em combinar os argumentos económicos a favor da diversidade e da inclusão com políticas e quadros legislativos e valores empresariais de apoio.

 

Caminhos para uma mudança transformadora
O documento define quatro princípios fundamentais para alcançar uma mudança transformadora e sustentável, que são aplicáveis mundialmente e a todos os grupos e níveis da força de trabalho: a diversidade e a inclusão devem ser uma prioridade e fazer parte da estratégia e da cultura; deve haver diversidade na gestão de topo; os líderes seniores, os gestores e o pessoal devem ser responsáveis como modelos a seguir; e as acções devem ser aplicadas ao longo de todo o emprego – abrangendo o recrutamento, a retenção e o desenvolvimento.

«A OIT está a trabalhar com os seus mandantes para melhorar os níveis de diversidade e inclusão nos locais de trabalho », afirma Deborah France-Massin, directora do Gabinete para as Actividades dos Empregadores da OIT. «Os trabalhadores precisam de sentir que são valorizados, respeitados, tratados de forma justa e capacitados mediante práticas empresariais inclusivas, uma cultura organizacional inclusiva e uma liderança inclusiva. É esta abordagem transformadora da diversidade e da inclusão que contribui significativamente para o desempenho global da empresa.»

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O novo relatório da OIT define “inclusão” como a experiência que as pessoas têm no local de trabalho, se se sentem valorizadas por aquilo que são, pelas competências e pela experiência que trazem consigo, e até que ponto se sentem ligadas a outros no trabalho.

O relatório foi elaborado com base em dados recolhidos pelo Gabinete para as Actividades dos Empregadores (ACT/ EMP) e pelo Departamento de Género, Igualdade, Diversidade e Inclusão (GEDI) da OIT, em colaboração com organizações de empregadores e de empresas e redes de diversidade.

 

Fonte: International Labour Organization

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