Diz-me o que te motiva, perceberei quem és

Human Resources
15 de Março 2023 | 10:10
Diz-me o que te motiva, perceberei quem és

Será que podemos realmente motivar alguém ou a motivação é algo que parte de cada um? Um tema tão relevante deve ser deixado nas mãos de terceiros? Ou esta será, acima de tudo, uma responsabilidade individual?

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Por Rita Oliveira Pelica, Chief Energy Officer ONYOU & Portugal Catalyst – The League of Intrapreneurs

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Muito se fala no tema da motivação e de como um líder deve saber “motivar as suas pessoas”. Pessoalmente, creio que é demasiado arriscado deixar um assunto tão importante nas mãos de outras pessoas e não nas minhas.

O que me motiva? Esta é a pergunta que nos devemos colocar e procurar responder, enquanto estratégia de desenvolvimento pessoal e profissional. Quais são os meus motivos para a acção? Para captar o meu interesse e atenção, canalizar recursos e agir. Naturalmente, há sempre um contexto que nos rodeia e que nos influencia e aí, claramente, a liderança pode e deve ter um papel activo na criação das melhores circunstâncias / ambiente para que as pessoas possam prosperar e, concomitantemente, as equipas e as organizações também. O melhor que a liderança pode fazer é saber fazer perguntas e ouvir. Não assumindo, a priori, quais serão as respostas. Saber ouvir é, no meu entender, uma das mais importantes competências de liderança e uma das menos trabalhadas. Não presumo, observo-o nas minhas andanças organizacionais.

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A motivação é, antes de mais, uma conversa pessoal, um diálogo interno que nos pode catapultar para atingirmos melhores resultados, com menos tensão. Exige autoconhecimento e deve aliar-se à auto-eficácia (a confiança que temos nas nossas capacidades de fazer e de concluir algo). É um processo de contínua aprendizagem e de adaptação perante adversidades. É evolutivo.

Jurgen Appelo, caracterizado pela sua irreverência e agilidade mental, apresenta uma abordagem criativa a este tema, no âmbito da sua “filosofia” de Management 3.0 (promovendo um estilo de liderança colaborativo, através da gestão dos sistemas e não das pessoas). Identificou 10 factores de motivação intrínseca, cruzando diferentes teorias da motivação (revisitou os clássicos e pulverizou com os mais recentes autores), e chamou-lhe “Moving Motivators” precisamente porque há vários factores em jogo e, face à nossa experiência de vida, idade, circunstâncias, estes factores podem ir mudando. Porque a vida é mudança.

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Vejamos em detalhe os 10 factores identificados que podem explicar o que, intrinsecamente, nos motiva. Não é um ranking, nem há respostas certas ou erradas, é apenas um espelho das opções que podem ser reflectidas por cada indivíduo, a dado momento: 1) curiosidade – pessoas que gostam de uma diversidade de temas, de investigar e de aprender; 2) honra – pessoas para quem importa reflectir os seus valores pessoais naquilo que fazem; 3) aceitação – pessoas que necessitam que o seu trabalho seja aprovado pelos outros; 4) mestria – pessoas que procuram um trabalho que desafie constantemente as suas competências e conhecimento; 5) poder – pessoas que privilegiam a sua capacidade de influência; 6) liberdade – pessoas que apreciam trabalhar com independência, autonomia e responsabilidade; 7) relacional – pessoas que valorizam acima de tudo o contacto social e o “bom ambiente”; 8) ordem – pessoas que sentem a necessidade de ter um ambiente estável, com regras e procedimentos definidos; 9) objectivo (propósito) – pessoas cujo trabalho deve reflectir a sua forma de estar na vida (já lhe chamámos “calling”, numa edição anterior); 10) status – pessoas que procuram reconhecimento pela sua posição profissional.

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Qual é o seu top 10? “Diz-me o que te motiva, não te direi quem és, mas perceberei quem és.” Este pode ser um excelente ponto de partida para uma conversa a dois, numa cultura organizacional marcada pela comunicação e pelo feedback constante.

Já se perguntou o que o/a motiva, actualmente? Ou está à espera de que alguém o/a venha motivar? Eu não assumo, pergunto.

 

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Este artigo foi publicado na edição de Fevereiro (nº. 145)  da Human Resources, nas bancas.

Caso prefira comprar online, tem disponível a versão em papel e a versão digital.

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