Doenças de saúde mental e dependências estão a aumentar mas (quase) não há investimento nestas áreas

Margarida Lopes
26 de Junho 2020 | 16:05

A COVID-19 revelou inúmeras disfunções nos sistemas de saúde e, particularmente, de saúde mental. Essas disfunções afectam principalmente os mais vulneráveis, incluindo pessoas que consomem substâncias como drogas, álcool ou antidepressivos.

Segundo o Relatório do Observatório Europeu da Droga e da Toxicodependência, as pessoas que consomem ou são dependentes de drogas e álcool enfrentam riscos adicionais de infecção pela COVID-19 em comparação com a população em geral. Sobretudo, devido a factores de estilo de vida e problemas de saúde pré-existentes como VIH, Hepatites ou cancro de fígado.

Dainius Puras, relator especial das Nações Unidas sobre o direito à saúde apontou que, no actual contexto COVID-19, as pessoas que consomem drogas enfrentam problemas específicos. Em particular, devido à criminalização, estigma, discriminação, marginalização social e a maiores vulnerabilidades económicas e sociais. E não esquecendo a falta de acesso a habitação e a cuidados de saúde adequados.

Tedros Ghebreyesus, director-geral da Organização Mundial de Saúde (OMS) referiu «estamos a assistir a um aumento de doenças de saúde mental como ansiedade, depressão e dependência de drogas e álcool. Todavia, apenas 2%dos orçamentos de saúde são destinados à saúde mental. É, assim, chegado o tempo para investir em saúde mental, porque não há saúde, nem saúde mental».

Para fazer face a esta lacuna, António Guterres, secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU) apela aos Governos «um maior investimento nos serviços de saúde mental. Afectando pessoas e comunidades, problemas como ansiedade e depressão causam sofrimento, frequentemente exacerbado por estigma e discriminação».

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Neste contexto, e por ocasião do dia internacional contra o abuso de drogas e tráfico ilícito que se assinala hoje, dia 26 de Junho, a Dianova, Organização Não Governamental especializada no tratamento das dependências, presta uma homenagem ao trabalho e à dedicação e de todos os profissionais da área de tratamento da dependência de drogas e alcoolismo nestes tempos de incerteza e emergência.

A Dianova assinala esta celebração através da campanha de sensibilização social para aumentar a consciencialização sobre a necessidade de que os serviços de tratamento das dependências estejam em pé de igualdade com outros serviços de saúde, e que recebam níveis semelhantes de atenção e apoio por parte das autoridades. Esta campanha tem como alvo decisores políticos, profissionais de saúde, media e o público em geral.

«O lema da campanha, «Quando tudo estiver parado, alguns de nós temos de continuar», visa recordar a exemplaridade no enfrentar desta pandemia por todos os profissionais de saúde», lê-se em comunicado.

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