Dois terços das escolas em Portugal afectadas por falta de professores

Dados são de um estudo da Federação Nacional dos Professores (Fenprof).

Human Resources com Lusa
15 de Setembro 2026 | 07:50
Dois terços das escolas em Portugal afectadas por falta de professores

Dois terços das escolas inquiridas , assinalam terem sido afectadas pela falta de professores no último ano lectivo e um terço das direcções preveem dificuldades para o que agora arranca.

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Turmas temporariamente sem actividades lectivas (42,5%), afectação de grupos de recrutamento (40%) e sobrecarga horária (38%) – pelo menos um destes efeitos decorrentes da falta de professores foi sentido por 63,7% das escolas que responderam ao questionário da estrutura sindical, apresentado em conferência de imprensa na Escola EB1 e Jardim de Infância de Monte Abraão, do Agrupamento de Escolas Ruy Belo, Queluz, concelho de Sintra.

“Só 36,2% das respostas indicam não ter havido problemas de falta de professores” – este número é um dos destaques de um inquérito aplicado nas duas primeiras semanas de Setembro, que recolheu respostas das direcções de 29,2% dos agrupamentos de escolas (AE) ou escolas não agrupadas (EnA).

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«O problema agravou-se e um terço dos diretores prevê dificuldades ao longo do ano lectivo [de 2026/2027]», notam as conclusões do inquérito, detalhando ainda que “59,2% das respostas dizem não ser possível fazer qualquer previsão”, o que é “motivo de preocupação”.

Em conferência de imprensa numa escola pertencente “precisamente a um dos agrupamentos mais afectados pela falta de professores”, um dos secretários gerais da Fenprof, Francisco Gonçalves, notou que o problema da falta de professores se agravou no distrito de Lisboa, seguindo-se os distritos de Setúbal, Faro, Leiria e Porto, fazendo-se sentir particularmente no primeiro ciclo e em disciplinas como Português e Matemática.

“A Educação Especial também é um dos grupos de recrutamento mais carenciados”, apontou.

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De acordo com os dados da Fenprof, na semana passada “a estimativa apontava para mais de 110 mil alunos sem todos os professores”.

Estimando que 1.102 professores se aposentem em Setembro e Outubro, o dirigente sindical apontou o dedo ao ministro da Educação para dizer que “não se resolvem os problemas [nas escolas] com anúncios diários”.

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Sobre o problema dos alunos sem escola, acrescentou, “piorou com o desmantelamento do Ministério da Educação”, aludindo às transformações internas operacionais entretanto realizadas.

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Segundo dados recolhidos pela Fenprof, só no concelho de Sintra existem 744 alunos sem escola e em Lisboa 550, elencou Francisco Gonçalves.

Além da falta de professores, as escolas assinalam problemas com equipamentos tecnológicos, condições dos edifícios e transportes escolares.

No tema da transição digital, 65,8% das escolas consideram os equipamentos informáticos “insuficientes e obsoletos” e 28,3% assinalam que “não estão mesmo operacionais”.

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A Fenprof considera também que a resposta dos estabelecimentos de ensino às condições climáticas constitui “uma das conclusões mais preocupantes”, revelando um “problema estrutural”.

As escolas estão “pouco preparadas para temperaturas extremas”: o frio é referido em 40% das respostas, o calor em 27% e a precipitação em 22%.

No que diz respeito a transportes e deslocações, 32% dos respondentes identificam “problemas de adequação da rede ou dos horários”.

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