Doomjobbing: quando a procura de emprego deixa de ser estratégica

Abrir plataformas de emprego, responder a dezenas de anúncios por dia e terminar a jornada com a sensação de produtividade tornou-se um comportamento cada vez mais comum entre profissionais em busca de novas oportunidades. No entanto, esse ciclo pode esconder um problema: a substituição de uma estratégia de procura estruturada por um volume excessivo de candidaturas.

Human Resources
10 de Agosto 2026 | 10:40
Doomjobbing: quando a procura de emprego deixa de ser estratégica

O conceito de doomjobbing descreve precisamente esta tendência para procurar emprego de forma compulsiva, com pouco foco ou personalização. Embora o elevado número de candidaturas possa transmitir a ideia de aumentar as probabilidades de contratação, os resultados tendem a ser os opostos.

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A origem deste comportamento está frequentemente associada à insegurança sentida pelos profissionais. Um estudo da Employ, realizado junto de mais de 1.500 candidatos, concluiu que 66% dos inquiridos relatam sinais de burnout durante a procura de emprego. Ao mesmo tempo, 70% acredita que conseguirão uma colocação depois de apenas dez candidaturas, uma expectativa que pode gerar frustração quando as respostas não surgem, noticia a Exame.

Sete sinais de alerta

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  1. A quantidade vale mais do que a qualidade

Um dos principais sinais de doomjobbing surge quando o candidato privilegia o número de candidaturas enviadas em detrimento da preparação. Em vez de analisar a organização, compreender os requisitos da função ou adaptar o currículo, a prioridade passa a ser responder ao maior número possível de anúncios. Como consequência, experiências e competências relevantes podem ser apresentadas de forma genérica e perder impacto junto dos recrutadores e dos sistemas de triagem automática.

  1. As candidaturas deixam de fazer sentido

A ansiedade pode levar profissionais a candidatarem-se a funções para as quais não possuem o perfil adequado, seja por falta de qualificações, excesso de experiência ou desalinhamento com os seus objectivos de carreira. Esta abordagem indiscriminada aumenta também o risco de aceitar uma oportunidade que não corresponde às expectativas ou ambições profissionais.

  1. O desgaste emocional começa a afectar o desempenho

A ausência de respostas ou entrevistas após sucessivas candidaturas pode provocar cansaço e perda de motivação. Com o tempo, a pesquisa sobre as empresas torna-se menos aprofundada e a preparação para entrevistas perde qualidade. Além disso, a frustração pode reflectir-se na forma como o candidato comunica e se apresenta quando surge uma oportunidade relevante.

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  1. O currículo não é adaptado à vaga

Muitas organizações utilizam sistemas de rastreamento de candidatos (ATS) para filtrar currículos. Quando os documentos não incluem competências, experiências ou palavras-chave relevantes para a posição em causa, a probabilidade de avançar no processo diminui. A procura de rapidez favorece este problema: segundo a Employ, 71% dos candidatos esperam concluir uma candidatura em menos de 30 minutos e 35% desiste de processos considerados demasiado longos.

  1. O networking deixa de existir

Ao dedicar quase todo o tempo às plataformas de emprego, muitos profissionais acabam por negligenciar o networking. Contactar antigos colegas, participar em eventos, conversar com profissionais da área ou recorrer às redes construídas ao longo da carreira pode fornecer informações valiosas sobre oportunidades que nem sempre chegam aos canais formais de recrutamento.

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  1. Confunde-se actividade com progresso

Enviar um elevado número de currículos pode criar uma sensação imediata de produtividade, mas não é necessariamente um indicador de avanço. Métricas como respostas recebidas, entrevistas agendadas ou contactos estabelecidos tendem a reflectir melhor a eficácia da estratégia adoptada. Quando a atenção está centrada apenas no volume de candidaturas, é mais fácil persistir durante semanas numa abordagem pouco eficiente.

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  1. As rejeições têm um impacto crescente

Quanto mais candidaturas forem submetidas, maior tende a ser o número de recusas ou de respostas que nunca chegam. De acordo com a Employ, quase um terço dos candidatos já foi ignorado por uma empresa, sendo que quase metade desses profissionais viveu essa situação mais de três vezes. A falta de feedback pode levar os candidatos a interpretar o silêncio como uma avaliação negativa das suas competências, afectando a confiança e o desempenho em futuras oportunidades.

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