E as universidades, ainda são precisas na Era da IA?

Com o conhecimento disponível à distância de um clique – muitas vezes gratuito e instantâneo –, cresce a interrogação sobre o papel das universidades, num mundo cada vez mais moldado pela inteligência artificial (IA). A questão não é tecnológica – as ferramentas existem e devem ser usadas, pois estão a aumentar a nossa capacidade de fazer mais e melhor –, mas pedagógica. Afinal, o que é preciso – e o que significa – aprender?

Human Resources
23 de Abril 2026 | 13:30

Com o conhecimento disponível à distância de um clique – muitas vezes gratuito e instantâneo –, cresce a interrogação sobre o papel das universidades, num mundo cada vez mais moldado pela inteligência artificial (IA). A questão não é tecnológica – as ferramentas existem e devem ser usadas, pois estão a aumentar a nossa capacidade de fazer mais e melhor –, mas pedagógica. Afinal, o que é preciso – e o que significa – aprender? 

Por Ana Leonor Martins | Fotos Nuno Carrancho

O acesso cada vez mais fácil ao conhecimento levanta questões sobre a utilidade do modelo tradicional de ensino. Num contexto em que alunos recorrem à IA para produzir trabalhos e professores utilizam as mesmas ferramentas para os avaliar, instala-se a dúvida sobre o que verdadeira mente diferencia o processo educativo. Muitos consideram que as universidades vivem um momento de anacronismo e que precisam de reformular métodos e conteúdos para se manterem relevantes. Mais do que transmitir conteúdos, o desafio estará em ensinar a desenvolver o pensamento crítico e a capacidade de adaptação. A metáfora é sugestiva: se a universidade é o ginásio, a IA assume o papel de
personal trainer.

Por outro lado, hoje, a aprendizagem precisa de ser contínua ao longo da vida. Para além do acelerado ritmo de mudança – ou por causa dele –, as empresas necessitam de formação cada vez mais específica e personalizada. E estão a recorrer à IA para responder rapidamente a necessidades concretas. Essa realidade não concorre com o papel das universidades, mas obriga-as a reinventarem-se, focando–se menos em “debitar matéria” e mais na capacidade de ensinar a pensar, questionar e aprender de forma autónoma.

O almoço do Conselho Editorial realizou-se na Siemens, a convite do conselheiro Pedro Henriques. Estiveram ainda presentes: Francisco Viana (CGD), Inês Madeira (Grupo FHC), Isabel Borgas (NOS), Marco Serrão (Nadara), Maria Kol (Microsoft), Nuno Ferreira Morgado (PLMJ), Pedro Fontes Falcão (Iscte Executive Education), Pedro Ramos (Dale Carnegie Portugal), Pedro Ribeiro (Super Bock Group), Pedro Rocha e Silva (LHH | DBM) e Sara Silva (L’Oréal).

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Almoço do Conselho Editorial da Human Resources, artigo publicado n.º 184, de Abril de 2026

 

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