Quando Mike Lombardo e o seu sócio lançaram a marca de chá gelado saudável, Halfday, não esperavam tornar-se defensores das licenças remuneradas — muito menos que um dia pagariam a estranhos para tirar folga, avança o EBN.
O nome da marca foi originalmente criado para ser apenas um trocadilho de palavras divertido sobre tirar tempo para relaxar e beber um copo com os amigos. No entanto, à medida que a Halfday ganhava popularidade, Lombardo e a equipa perceberam que muitos visitantes do site assumiam que a empresa era uma plataforma de gestão de licenças. Em vez de mudar o nome ou de se distanciarem publicamente da ideia, dedicaram-se a ela.
«As pessoas estavam sempre a perguntar e a comentar sobre o nome. Isso motivou-nos a aprofundar e a tentar entender mais sobre o panorama das licenças pagas», explicou Lombardo.
Assim, a Halfday estabeleceu uma parceria com a empresa de estudos de mercado e análise de dados YouGov para analisar a situação das licenças remuneradas. O inquérito conjunto revelou que 52% dos trabalhadores norte-americanos sentem culpa ao tirar uma licença — especialmente para cuidar de si — e mais de uma em cada três pessoas não tira sequer meio-dia de folga há pelo menos um ano. A Halfday queria usar a sua nova plataforma como defensora das licenças remuneradas para mudar essa realidade.
«Pensámos que se pudéssemos usar a nossa marca como uma forma divertida de promover uma nova narrativa, poderíamos fazer algo realmente bom», diz Lombardo. «Isto inspirou a pergunta: e se pagássemos às pessoas para tirarem tempo para si? Será que isso as encorajaria a fazer o que é certo para a sua saúde mental e física?»
No início deste mês, a Halfday lançou a sua campanha “Take A Halfday On Us” (Tire meio-dia, é por nossa conta), na qual a marca está a oferecer a 100 pessoas um prémio monetário de 100 dólares para investirem num meio-dia à sua escolha, seja um dia de spa, uma refeição ou uma partida de golfe. Os participantes podem indicar-se a si próprios ou a alguém importante nas suas vidas, enviando o nome, informações de contacto, uma breve introdução e uma explicação sobre como o prémio em dinheiro ajudaria. Os vencedores serão seleccionados aleatoriamente no dia 10 de Maio de 2025.
Em apenas duas semanas, a Halfday recebeu cerca de mil candidaturas. Mas o que começou como uma iniciativa despreocupada rapidamente se tornou uma experiência reveladora do cenário actual: os trabalhadores não estão a tirar tempo suficiente para si próprios, explica Lombardo.
«Foi mais chocante do que esperávamos. Pensávamos que as pessoas escreveriam sobre passeios de um dia e jogos de basebol, mas muitas pessoas estão a trabalhar imenso, não se sentem valorizadas no trabalho e apenas uma engrenagem na máquina.»
Na primeira candidatura recebida pela Halfday, um candidato nomeou um amigo que trabalha num centro de investigação de cancro infantil. Apesar de o trabalho do nomeado ser física e emocionalmente desgastante, o candidato escreveu que o seu amigo quase nunca tira folga porque sente que o que faz é muito importante, optando por trabalhar mais horas. Desde essa submissão, Lombardo e a sua equipa responderam a muitos outros, todos partilhando experiências semelhantes de burnout e culpa.
«As pessoas até escreveram a dizer que, mesmo que não ganhem, a campanha abriu-lhes os olhos para a mudança de mentalidade que querem ter», diz Lombardo. «Fez com que quisessem cuidar de si próprios, e isso foi realmente impactante para nós.»
Embora a Halfday espere despoletar o debate sobre o tema, não pode ficar por aí. Como líder, Lombardo sublinha a importância de ter políticas e benefícios que promovam o autocuidado, mesmo que seja de pequenas formas. Por ser uma startup, os recursos da Halfday são mais limitados do que os de uma grande empresa. Ainda assim, Lombardo e o seu cofundador fazem questão de se esforçar ao máximo para respeitar o tempo que os colaboradores têm, incentivando-os a tirar partido dele e nunca entrando em contacto, a não ser que seja uma emergência.
Nem todas as empresas podem suportar medidas como folgas ilimitadas, mas ser transparente e o mais flexível possível não custa nada às organizações.
«A cultura da empresa começa com os fundadores e espalha-se pela liderança até ao resto da organização. Crie uma cultura que faça com que as pessoas se sintam confortáveis em tirar folgas e demonstre apreço pelo seu trabalho árduo para compensar os momentos em que não conseguem dar conta do recado.»














