É tempo de (re)agir e de preparar o novo futuro. Saiba como

Human Resources
2 de Outubro 2020 | 11:21
É tempo de (re)agir e de preparar o novo futuro. Saiba como

O novo coronavírus converteu-se num inédito teste de stress às lideranças, desafiando os planos de contingência e as estratégias de mitigação do risco estabelecidos até então.

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Por Gonçalo de Salis Amaral, Partner da Neves de Almeida HR Consulting, head of Consulting Business

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Apesar das já usuais mudanças constantes no mercado e ecossistemas em que se inserem, nunca como agora foi tão vital a agilidade organizacional para adoptar, rapidamente, estratégias e actuações que inspirem os seguidores a assumi-las. Assim, neste ambiente inseguro e de incerteza, em que a grande maioria das pessoas questiona a forma como estes novos desafios estão a ser endereçados, é fundamental tomar em conta as suas necessidades básicas de estabilidade, confiança e esperança no futuro, que tanto afectam a sua própria performance. Este é, assim, um desafio de gestão exigente e inédito, pela sua abrangência global e intensidade dos impactos, requerendo níveis de resiliência e até de capacidade inspiracional nos líderes, no seu papel de condutores, de pessoas e organizações, ao longo de todo o período pandémico, preparando-os para o pós-pandémico, em contexto incerto e de constante adaptação.

Desta forma, as tomadas de decisão que visam, ao longo deste período, a retoma da performance organizacional, terão igualmente de se focar, se querem rapidamente atingir o seu fim, no seu maior activo diferenciador – o talento –, garantindo uma efectiva gestão dos respectivos custos e engagement; adequada liderança e comunicação, bem como na sua (re)organização e adopção de novas formas de trabalho em ambiente volátil e cada vez mais virtual, moldando, assim, o futuro da organização centrado no seu propósito e valores.

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São, efectivamente, desafios exigentes de gestão, já que esta combinação nem sempre é fácil de se manter ao longo dos vários estágios deste período. Se, por um lado, há que reagir ao efeitos da pandemia, no dia-a-dia das organizações e das suas pessoas, mantendo o equilíbrio financeiro das mesmas e o envolvimento/estabilidade das suas pessoas, por outro, é necessário actuar numa perspectiva de relançamento das suas actividades, adaptadas à nova realidade, implicando rápida adaptação, investimento e foco.

No âmbito da gestão de uma estrutura de custos eficiente e, simultaneamente, na manutenção do envolvimento do talento relevante, os líderes terão de lidar com as quebras na actividade – e consequente reajuste nas necessidades de recursos –, ao mesmo tempo que terão de pensar nas necessidades futuras, que os permitirão recuperar de forma mais rápida, sempre sem descurar o envolvimento e atractividade do talento core. Não será tarefa fácil, já que o futuro é incerto, pelo que terão de explorar alternativas flexíveis de utilização do talento, não só, dentro da própria organização, mas considerando o ecossistema em que se inserem, ao mesmo tempo que deverão avaliar as capacidades actuais e as necessárias no futuro, por forma a reajustar esse mesmo talento às novas exigências.

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Esta combinação de actuação obrigará a acções de transição junto da sua força de trabalho, mediante o desenvolvimento de novas capacidades, ajustamentos na própria cultura organizacional e na experiência de colaborador, monitorizadas pela aferição constante dos impactos de tais medidas no envolvimento e emoções do seu capital humano, bem como na preservação, ou mesmo reforço, do employer branding da organização.

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Já ao nível da liderança e comunicação, é crucial suportar os líderes nas suas capacidades de transmissão de confiança e inspiração, ao mesmo tempo que promovem a eficiência e agilidade organizacionais. Assim, o foco na transparência, no propósito e valores, bem como na orientação ao ambiente virtual/digital, serão essenciais para lidar com ansiedades, receios e quebras de unidade/alinhamento, tão frequentes em períodos críticos.

Mais uma vez, o desenvolvimento de capacidades de liderança influenciadora, alinhamento no caminho a seguir e constante monitorização do mesmo, bem como do engagement e confiança organizacionais, serão essenciais na identificação de eventuais necessidades de ajuste nas acções tomadas, garantindo a transparência, coerência e alinhamento/envolvimento. São tempos únicos para a liderança, pelo que o investimento no seu desenvolvimento, coaching e alinhamento não serão de menosprezar.

Por fim, a (re)organização e implementação de novas formas de trabalho é algo que já vinha a acontecer, mas a um ritmo mais lento e distinto, nos vários países e sectores de actividade. A pandemia veio dar uma maior urgência neste processo, reforçando a necessidade de maior
adaptação ao ambiente virtual/digital e
à agilidade organizacional. Assim, deverão ser reajustadas as prioridades, reestruturar a organização face à nova
realidade de mercado, ajustar modelos operativos face a essas exigências e às novas formas de trabalho e tipologias de colaboradores, acelerando a transição digital e reduzindo os seus eventuais impactos no bem-estar e unidade de grupo. Para tal, será necessário ajustar políticas de Recursos Humanos, capacitar colaboradores em novas ferramentas e competências, desenvolver programas de agilidade e digitalização organizacional, sempre acompanhadas com uma monitorização próxima dos seus impactos no envolvimento e bem-estar do talento.

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É neste contexto que a 5.ª edição do Índice de Excelência 2020 (http://www. indicedaexcelencia.com/), ajustado aos novos desafios, se torna ainda mais relevante como ferramenta de gestão, contrariando algumas opiniões de que “agora não será o melhor momento para o fazer”. Ao contrário, este é o momento mais certo para o fazer, aferindo como estamos a reagir às novas exigências, preparando o futuro, monitorizando e auscultando as opiniões e sentimentos dos nossos colaboradores, revelando como tais medidas estão a ser comunicadas, implementadas e assimiladas pelas organizações e respectivo activo humano.

 

Este artigo foi publicado na edição de Setembro (nº. 117) da da Human Resources, nas bancas.

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