O eclipse solar será visível em todo o território continental português, embora apenas uma pequena zona do distrito de Bragança atinja uma ocultação quase total do disco solar. A Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa chama a atenção para a importância de observar o fenómeno com segurança, recorrendo a informação científica credível.
O perigo reside no facto de a ocultação parcial não eliminar os riscos associados à exposição directa da retina. Rui Agostinho, astrofísico e professor catedrático jubilado da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, explica que «durante um eclipse, a diminuição da luminosidade cria a ilusão de que é possível olhar directamente para o Sol. Esse é precisamente o perigo. Habitualmente, a intensidade da luz solar leva-nos a desviar o olhar. No eclipse, esse desconforto diminui e as pessoas podem prolongar a observação sem protecção adequada».
As lesões provocadas pela observação incorrecta podem ocorrer sem dor imediata e os primeiros sinais, como manchas escuras, zonas desfocadas ou perda parcial da visão, podem surgir apenas no dia seguinte.
A Faculdade de Ciências esclarece quatro mitos comuns sobre a observação do eclipse, com base em informação científica:
Óculos de sol normais chegam
Os óculos de sol comuns, mesmo os mais escuros, não são adequados para olhar directamente para o eclipse. A observação deve ser feita exclusivamente com óculos certificados para observação solar ou filtros próprios. Vidros fumados, radiografias ou outros materiais improvisados não oferecem protecção segura. No caso dos vidros de soldador, apenas os de densidade 14 garantem a protecção necessária.
Vou olhar só por uns segundos, não há problema
A menor luminosidade durante o eclipse pode criar uma falsa sensação de segurança, mas a radiação continua a atingir a retina e as lesões podem acontecer sem dor imediata. A recomendação é clara: não olhar directamente para o Sol sem protecção adequada, mesmo que por breves momentos.
As crianças podem observar como os adultos
As crianças exigem cuidados redobrados, pois a retina dos mais novos deixa passar mais luz do que a dos adultos, aumentando o risco de lesão. Além disso, é difícil garantir que usam correctamente os óculos durante toda a observação. Por isso, o eclipse deve ser observado sempre com acompanhamento de adultos e apenas com equipamento certificado.
A praia é o cenário perfeito
Embora a praia ofereça um cenário ideal para apreciar o fenómeno, é também o local mais perigoso devido ao horizonte desimpedido e ao Sol sobre o mar, que facilita e torna tentador olhar sem protecção. Quem quiser observar o eclipse deve levar óculos certificados e usá-los sempre que olhar directamente para o Sol. Este ano, o eclipse ocorre numa altura em que muitas pessoas estarão de férias e fora do contexto escolar, onde normalmente há mais acções de sensibilização.
Apesar de muitos dos óculos distribuídos gratuitamente já terem esgotado, continuam disponíveis para compra em vários estabelecimentos comerciais. Rui Agostinho sublinha que “teremos eclipses do Sol com elevada percentagem de ocultação visíveis em Portugal em 2026, 2027 e 2028. Se os óculos forem bem conservados, poderão voltar a ser utilizados”.
Mais informações estão disponíveis em https://eclipse2026.pt/observar-em-seguranca.














