EDP: Novos desafios na área de well-being

Há muito que a EDP desenvolve programas tendo em vista o bem-estar dos colaboradores, mas a pandemia trouxe desafios acrescidos.

 

Na EDP, o bem-estar dos colaboradores é visto como essencial para o desenvolvimento do negócio. No entanto, se esta visão já era importante antes da pandemia, torna-se agora ainda mais relevante, num contexto em que muitas das mudanças introduzidas no último ano tendem a tornar-se definitivas. Com a chegada de novos modelos de trabalho híbridos, o well-being acarreta novos desafios que Paula Carneiro, directora da People & Organizational Development Global Unit da EDP, nos ajudou a compreender em entrevista à Human Resources Portugal.

 

Como se caracteriza a importância do bem-estar dos colaboradores no âmbito da área de Recursos Humanos da EDP?
A promoção do bem-estar dos colaboradores tem ganho cada vez maior relevância na agenda da EDP. Apesar de ser um tema já trabalhado há bastante tempo, o contexto actual veio reforçar a importância de nos focarmos no cuidado com as nossas pessoas de uma forma holística, considerando os desafios pessoais e profissionais.

Face a esta nova realidade, e enquanto “Empresa Familiarmente Responsável”, a EDP reinventou algumas das suas medidas de conciliação da vida pessoal com a vida profissional para dar resposta às necessidades de bem-estar dos seus colaboradores.

Num trabalho conjunto com as equipas locais de Recursos Humanos e outras áreas envolvidas no bem-estar dos colaboradores (por exemplo, segurança, assuntos sociais, ética), definimos recentemente uma estratégia global de bem-estar para o grupo EDP com foco nas diferentes vertentes: emocional, físico, social, profissional e financeiro.

 

Que objectivos se pretendem endereçar?
A EDP acredita que o bem-estar é uma alavanca-chave para o bom desempenho da empresa, das suas equipas e de cada colaborador. Por isso, uma das principais prioridades é ouvir e cuidar do bem-estar das pessoas, pois são elas que estão no centro das decisões e só assim se pode promover um ambiente de trabalho saudável.

Neste sentido, pretende-se alcançar cinco objectivos estratégicos:

  • Promover uma experiência de bem-estar global, através de uma abordagem holística, com responsabilidades claras e um ecossistema de bem-estar;
  • Liderar pelo exemplo, gerando resultados de negócio através de uma liderança empática, autêntica e consciente do bem-estar das suas pessoas;
  • Incentivar o bem-estar físico e emocional, como a chave para um ambiente de trabalho saudável e produtivo;
  • Promover uma oferta de bem-estar útil, equilibrada e de fácil acesso, adaptada a todas as necessidades das pessoas, com base nos cinco pilares do bem-estar definidos;
  • Comunicar uma história viva e envolvente, alinhada com a narrativa de negócio e das pessoas.

 

Com a chegada da pandemia, de que forma esta tema passou a ser abordado, tendo em conta que uma parte significativa dos colaboradores trabalha em locais externos às instalações da empresa?
A pandemia trouxe para a agenda mediática e das empresas a nível global um novo olhar sobre a importância do bem-estar e da saúde mental. Apesar da preocupação com a saúde e bem-estar dos colaboradores ter estado sempre presente na EDP, o contexto de pandemia gerou novos desafios e contribuiu para a revisão de processos e adopção de melhorias em actividades de promoção de saúde e bem-estar.

Nesse sentido, uma das grandes prioridades da EDP consistiu em perceber quais as consequências decorrentes da nova rotina de (tele)trabalho para a maioria dos colaboradores e quais as principais necessidades que pudessem daí advir.

Para além do survey lançado no ano passado – com o objectivo de perceber de que forma os colaboradores se estavam a adaptar a esta nova rotina de trabalho e identificar os principais pontos positivos e críticos –, foram adaptadas, reforçadas ou criadas diversas iniciativas, como por exemplo:

  • Disponibilização de duas linhas telefónicas para colaboradores, uma exclusivamente dedicada ao apoio médico relacionado com a COVID-19 e outra relacionada com temas psicossociais que poderiam surgir no contexto da pandemia e isolamento;
  • Realização de aulas online de ginástica laboral, ioga, pilates, mobilidade, core, entre outras, promovendo o bem-estar físico das pessoas e reforçando a importância de cuidarem de si, mesmo estando em casa;
  • Criação de um grupo “Juntos à Distância” na rede social interna Workplace, exclusivamente dedicado ao bem-estar no período de quarentena, com partilha de boas práticas e reconhecimento do esforço, entrega e envolvimento dos colaboradores nestes tempos conturbados;
  • Adaptação de alguns benefícios flexíveis a esta nova realidade.

 

Quais são os factores diferenciadores da abordagem ao well-being pela área de Recursos Humanos da EDP?
Um dos principais aspectos diferenciadores da actuação da EDP passa pela abordagem holística que considera as cinco dimensões referidas anteriormente e que compreendem a experiência do colaborador nas suas diferentes vertentes.

Por outro lado, a empresa desenvolveu uma abordagem preventiva e interventiva, com o objectivo de capacitar os colaboradores EDP que contam com respostas internas da equipa de serviços partilhados na identificação de resolução de eventuais casos críticos.

A EDP acredita também que outro factor diferenciador está relacionado com a criação de um ecossistema de bem-estar que torna este tema capilar na organização e que envolve todos os colaboradores, desde o CEO como principal sponsor, os elementos de top management e colaboradores interessados como embaixadores do tema, até ao colaborador individual como primeiro responsável pelo seu bem-estar.

 

Neste âmbito, que programas gostaria de destacar?
A EDP pretende empoderar as pessoas para que elas próprias cuidem de si, olhem para si próprias e interiorizem a importância da sua saúde e bem-estar para que tenham um melhor desempenho. Além disso, as palavras-chave para o futuro serão a empatia e a tolerância, que ganharão ainda mais importância no período pós-pandemia.

Neste sentido, é importante destacar alguns programas e iniciativas:

  • A realização de Well-Being Talks, conversas online com diversos especialistas em matérias de bem-estar, disponíveis para todos os colaboradores;
  • O lançamento da campanha “Mind Your Mind”, em Outubro de 2020 (e prevista também para este ano), que assinala o mês internacional da Saúde Mental, na qual se procura sensibilizar para a importância da saúde mental e bem-estar geral dos colaboradores, trazendo este tema para conversas abertas com exemplos internos e externos, com práticas e experiências que contribuam para desmistificar destes temas;
  • A divulgação de “regras de ouro” pelo presidente executivo da EDP relacionadas com o equilíbrio entre vida pessoal e profissional, visando temas como a importância de respeitar os períodos de trabalho e de descanso, de aproveitar os tempos livres e de “desconexão”.

 

A EDP também aprovou recentemente um novo modelo de trabalho híbrido que prevê a possibilidade de os colaboradores trabalharem remotamente dois dias por semana num cenário pós-pandemia e que será implementado consoante as obrigações legais de cada geografia. Acreditamos que este modelo híbrido combina o melhor dos “dois mundos”, permitindo uma maior flexibilidade para os colaboradores que preferem trabalhar no escritório ou para os colaboradores que privilegiam o teletrabalho.

 

Como é abordado o tema da conciliação num ambiente de trabalho híbrido em que cada vez mais o trabalho se mistura com a vida pessoal?
A conciliação é um pilar fundamental para a EDP, reconhecida como uma “Empresa Familiarmente Responsável” com o nível de excelência pela Fundación +Família. Esta certificação surge da avaliação do conjunto de medidas e programas que a empresa disponibiliza e do respectivo impacto e retorno que dele resultam.

A EDP é, por isso, uma organização reconhecida neste campo, apresentando-se como uma empresa mais competitiva e mais justa, baseando a sua visão na flexibilidade, respeito e igualdade de oportunidades.

Ao longo dos anos, tem vindo a implementar diversas medidas de conciliação entre a vida pessoal e profissional dos colaboradores – ao todo, são mais de 150 iniciativas desenvolvidas internamente e em parceria com outras empresas, promovendo um equilíbrio essencial na vida dos colaboradores.

 

Que outros programas ou iniciativas tem a EDP para promover a qualidade de vida dos seus colaboradores?
A EDP possui diversos programas/iniciativas promotores da qualidade de vida dos colaboradores, como por exemplo:

  • Lançamento em 2020 de um programa de vacinação anti-gripe e antipneumocócica através do qual os colaboradores podem voluntariar-se para serem vacinados;
  • Criação de duas novas importantes medidas de conciliação: oferta do dia de aniversário aos colaboradores e do primeiro dia de escola dos filhos e netos;
  • Implementação de medidas de parentalidade, como é o caso da dispensa a colaboradoras gestantes até um máximo de 15 dias, no período imediatamente anterior à data prevista para o parto, sem repercussões remuneratórias; celebração de cada nascimento ou adopção com uma lembrança oferecida ao colaborador pai ou mãe, bem como a atribuição do primeiro pé-de-meia, depositado na conta bancária em nome da criança; partilha do Kit Novos Pais, um manual de apoio aos pais na preparação da chegada de um novo bebé, antecipando e esclarecendo dúvidas sobre os processos, medidas e benefícios associados à parentalidade na EDP;
  • O plano de benefícios flexível da EDP conta com um conjunto alargado de benefícios de apoio à educação, saúde, protecção e dia-a-dia. Em 2021, foram introduzidos dois novos benefícios relacionados com a possibilidade de adquirir material tecnológico para home office ou mobiliário adaptado à nova forma de trabalhar de forma remota;
  • Lançamento de cursos de exploração vocacional online, com objectivo de ajudar filhos, netos e amigos de colaboradores em fase de decisão da área, curso ou profissão, a tomarem uma decisão mais esclarecida e informada sobre o futuro.

 

De que forma é uniformizada a implementação destas políticas tendo em conta a ampla distribuição geográfica da EDP?
O desenho de uma estratégia global para o bem-estar na EDP foi uma prioridade em 2021, de forma a ter uma visão e um caminho para todo o grupo nas 22 geografias em que está presente. Esta estratégia foi construída entre a equipa corporativa e as equipas locais que conhecem como ninguém as especificidades de cada negócio, cultura e país. Estabelecida esta visão, a estratégia está actualmente em fase de implementação em todas as geografias, com as devidas adaptações locais, através de um conjunto de iniciativas previstas no segundo semestre deste ano.

 

E quais as prioridades da EDP, no âmbito do bem-estar, para os próximos tempos?
A EDP pretende apoiar as pessoas, comunicando as respostas necessárias e estando presente quando necessário. Uma das principais preocupações está relacionada precisamente com a transição para uma gestão que privilegie os resultados e não tanto a presença no escritório ou as horas que as pessoas trabalham.

Outro desafio será gerir uma força de trabalho que se encontra dispersa e ligada remotamente. Para isso, existirá um grande foco na capacitação dos managers no que respeita à gestão das equipas híbridas, que é diferente da gestão de equipas totalmente remotas, como aconteceu durante a pandemia.

Tudo isto também implica uma adaptação da experiência do colaborador a este novo formato, o que coloca questões ao nível, por exemplo, do recrutamento e integração de novos colaboradores na empresa em formato híbrido ou mesmo do seu desenvolvimento.

 

Que tendências de futuro identifica na área do well-being a nível global?
As tendências de futuro nesta área indicam que há uma elevada preocupação com o equilíbrio entre vida profissional e pessoal e o impacto do excesso de horas de trabalho que, dizem os estudos de mercado, aumentaram de forma genérica com a pandemia.

O stress e a ansiedade são cada vez mais apontados como um dos principais riscos para o desempenho das empresas, pelo que o bem-estar será uma das prioridades estratégicas para o presente e sustentabilidade das organizações.

Outra tendência crescente está relacionada com a adaptação das iniciativas de bem-estar de acordo com as necessidades de cada um – a diversidade da oferta no segmento de bem-estar ganha uma nova relevância, para responder à diversidade presente nas organizações.

 

Esta entrevista faz parte do Caderno Especial “Bem-estar nas empresas” na edição de Setembro (n.º 129) da Human Resources nas bancas.

Caso prefira comprar online, tem disponível a versão em papel e a versão digital.

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